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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

29
Set15

Música para Camaleões, de Truman Capote


vanita

camaleoes.jpg

Apaixonei-me por esta edição de "Música para Camaleões" desde que lhe pus a vista em cima. As cores da capa, improváveis, fortes, quentes, a agarrar a vista para não mais largar. Sim, primeiro foi a capa. Seguiu-se o conselho de origem pouco plausível para o ler. Depois a prenda que me caiu no regaço no momento certo. Não sou a maior fã de livros de contos ou histórias curtas. Note-se a diferença: é das compilações de contos ou histórias curtas em livros que não gosto. Mas, ainda assim, foi-me impossível resistir à aura deste livro, e deste autor, confesso. Há qualquer coisa de magnético em Truman Capote, a que não consigo fugir. E foi com deleite que me deixei levar pelos relatos e devaneios de um homem que, além de brilhante, também não esconde a vaidade exuberante e um ego balofo que o fazem único. Um ser que tem tanto de detestável como de magnífico. Vê-lo discorrer sobre a vida de estrelas com quem tinha a sorte de lidar por questões profissionais, deixá-lo destilar ódio temperado com algum humor, enquanto expõe fraquezas e vícios de quem lhe abriu a porta de casa e, até do coração, é um exercício desgastante e, ao mesmo tempo, fascinante. Pouco antes de morrer, Truman Capote decidiu expor em "Música para Camaleões" histórias semi-privadas de figuras que conhecia bem, tornando, com isso, o resto dos seus dias num verdadeiro Inferno por se ter dado a tal atrevimento. Uma bomba datada que apenas podemos entender se a tentarmos trazer para os dias de hoje. De todos aqueles escândalos, só a relação próxima com Marilyn Monroe resiste ao passar do tempo e nos consegue realmente cativar. Tudo o resto são acertos de contas passadas que não nos tocam, servindo apenas para confirmar o imenso talento do autor para o registo de crónica social. Essa sim, uma experiência que fez escola e ainda podemos encontrar, um pouco por todo o lado. Basta estarmos atentos.

07
Mai15

A Leste do Paraíso, de John Steinbeck


vanita

lb-lestep.jpg

Há um tempo que este livro de John Steinbeck aguardava vez na minha mesa de cabeceira. Quis guardá-lo para um momento em que lhe pudesse dar a devida atenção, porque sabia que Steinbeck, embora aparentemente tenha uma escrita muito fácil de digerir, acaba por nos enlevar no caminho por onde nos leva a trilhar. Tal como o aclamado "Vinhas da Ira", também "A Leste do Paraíso" bebe dessa ligação profunda à terra e ao que se retira dela, sempre com a Califórnia como pano de fundo. Mais do que uma história, "A Leste do Paraíso" é uma epopeia que atravessa três gerações, desde o final do séc. XIX até pouco depois do séc. XX. Com a sua escrita simples mas complexa, Steinbeck leva-nos à América que povoava os sonhos de tantos que chegaram àquele continente com uma mão atrás da outra, deita-nos em casas lúgubres de madeira e faz-nos lutar pela vida, com mais ou menos entusiasmo, com mais ou menos sorte. Há sonhos, mortes, decepções e resignações. Há guerra, amor, empenho, conquista, bondade e maldade. Há personagens que nos acompanham, que nos deixam e algumas regressam. "A Leste do Paraíso" é, como já li, um fresco sobre os anos que fundaram aquela que é uma das nações mais fortes da actualidade.

É um livro visceral, que veste as mulheres a preto e branco - ora bondosas e apagadas, ora maléficas e determinantes para o desenrolar da trama, mas sempre, sempre, com um papel secundário. Porque esta é uma história de homens, contada por homens, escrita por um homem. Aqui como então, as mulheres são acessórios, por vezes dispensáveis, mas sempre na penumbra dos homens da casa.

Diz-se que este livro é sobre o livre-arbítrio e a capacidade que o homem tem de tomar rédeas ao seu destino, sendo responsável pelos seus actos. A analogia com Abel e Caim é evocada sempre que "A Leste do Paraíso" é referido e torna-se impossível escapar aos factos apontados pelo autor nesse sentido. Mais do que isso, para mim, este livro pontua a importância de não estarmos sós e do quanto o isolamento nos pode destruir ou, no mínimo, conduzir a uma existência apagada e sem propósito. O poder das relações sociais e familiares, da amizade e dos laços afectivos é grande história que se esconde nestas quase 700 páginas. É uma família que fica connosco, como se fossem nossos antepassados. Vale a pena conhecê-los.

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