urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secretscaixa dos segredosBocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.LiveJournal / SAPO Blogspetit-secrets2019-07-03T20:45:21Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:781251vanita2019-07-03T21:35:00Está tudo bem, obrigada! 2019-07-03T20:45:21Z2019-07-03T20:45:21Z<p>Às vezes, mais do que gosto de admitir, sinto falta de algumas pessoas e penso que podia voltar a procurá-las e retomar as relações que ficaram congeladas nestes ritmos parvos da vida adulta. Recrimino-me por uns momentos: por tudo e por nada. Mas depois lembro-me que nenhuma dessas pessoas me voltou alguma vez a procurar. Nem uma. Parecem muitas mas, ainda que fosse apenas uma, já seria o suficiente. A verdade é que há muito mais excepções que, sendo em maior quantidade, invertem a regra. Sim, as pessoas procuram-se e preocupam-se e mantêm contacto apesar do ritmo alucinado dos dias. E sim, é possível falar com alguém apenas uma vez por ano e sentir que está tudo no lugar que deve estar. Infelizmente, também existem pessoas com quem nada disto resulta. As relações têm prazos? Haverá algumas que sim. A amizade não tem. E é este o barómetro. Amigos são aquelas pessoas com quem estará sempre tudo no sítio certo. Mesmo que seja uma vez por ano, ou menos do que isso. Porra, e levei 40 anos a perceber esta merda. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:780934vanita2019-05-21T21:49:00Não se deixem morrer 2019-05-21T21:04:48Z2019-05-21T21:14:26Z<p>Não sei quando foi que me matei mas houve um momento, num espaço indefinido que não consigo resgatar desta minha tão puída memória, em que optei por não me mostrar, por me esconder, por não me dar, que é como quem diz, por me matar. Tempos houve em que este blog e eu éramos um só. Pensava com o teclado, vibrava com o desenho que os pensamentos difusos assumiam enquanto pousava os polegares no ecrã do telemóvel e construía alguns dos textos que mais gosto de reler quando neles tropeço. Tempos houve em que era o desafio que traçava horizonte. Lançava-me sem medo de julgamentos e escrevia muitas vezes como numa fábrica de testes e ideias. E divertia-me com isso. Oh, como me divertia. Mas nesse tempo perdido no espaço que não consigo recuperar, mutilei-me. Matei o espírito livre e criativo que sempre viveu dentro de mim e fechei-o numa sala tão escura que não o tenho consigo resgatar, acredito mesmo que morreu. E de quem pode ser a culpa se não minha? Por mais razões que encontre, a decisão terá sempre sido minha. Foi a falta de coragem que me matou. Porque acreditei em quem me descredibilizou, dei força e convicção aos preconceitos e ideias feitas de quem nunca perdeu mais do que dois segundos para ler o que eu escrevia e anulei-me sem pensar no que perdia. Ainda hoje alguém dizia que a criatividade precisa de ser estimulada, sobre pena de morrer aprisionada. Como é que deixei que isto acontecesse? Se vos servir de aviso, nunca dêem ouvidos a quem vos vê menos do que são. Não deixem de se levar apenas por que há quem não acredite no vosso potencial. Cada um de nós pode ser o que quiser. E mesmo que vos tirem o tapete do chão, que sejam humilhados ou encostados, não desistam. Há sempre outro mundo lá fora. Não deixem que vos matem.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:780720vanita2019-04-17T21:59:00Distribuir educação 2019-04-17T21:04:10Z2019-04-17T21:04:10Z<p>O mais difícil, para mim, será sempre o entender que há muito quem não ligue patavina a questões de bom senso, honra e moral. As decisões impõem preceitos óbvios que são, mais vezes do que gostaria de reconhecer, totalmente ignorados e atropelados por uma maioria de medíocres que, dessa forma absolutamente asquerosa, se destacam em demasiadas posições de pequenos poderes. Há dias em que custa não distribuir educação.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:780324vanita2019-04-11T08:31:00Instruções para espreitar a Caixa dos Segredos2019-04-11T07:34:12Z2019-04-11T07:34:12Z<p>O bom deste blog está cá dentro. Revirem-no ao calha, espreitem pelo calendário, naveguem ao sabor dos dias e das sugestões que vão surgindo. Como numa gaveta de recordações, há surpresas em cada esquina, textos divertidos, frases sentidas, reflexões profundas. De cada vez, descobre-se uma nova alegria. Arrisquem-se.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:780062vanita2019-03-07T22:35:00De onde vem este ódio pelas mulheres?2019-03-07T22:49:57Z2019-03-07T22:49:57Z<p>Os números já cansam mas nunca pesaram tanto. Desde o início do ano morreram 12 mulheres (serão mais?) vítimas de violência doméstica em Portugal. Nas últimas 24 horas, foram encontrados três cadáveres, se não contarmos com mãe e filha carbonizadas num carro em Lagoa de Albufeira. Às vésperas do Dia da Mulher (venham lá falar-me em jantares de gajas e maquilhagem que vão ver), estes números assumem o peso da tragédia com maior intensidade. Um cenário que ganha maior dimensão com as polémicas em torno do juiz Neto de Moura e das suas decisões absurdas que em nada protegem as vítimas da crueldade alheia. É impossível continuar a atirar com areia para olhos e fingir que nada se passa. É imperativo adoptar políticas sérias e imediatas que combatam a demora de resposta do Estado perante casos há muito sinalizados como problemáticos. Se não queremos falhar como sociedade, temos de garantir que os mais desfavorecidos - mulheres, crianças, idosos e todos quantos necessitem - se sintam seguros quando a sua integridade física é posta em causa. Não podemos continuar a alimentar o medo. A violência galopante destes últimos meses traz o mesmo alerta que os incêndios de verão dos últimos anos: estamos a falhar e não podemos continuar a fazê-lo. Os números envergonham-nos. É tempo de assumir o flagelo e dar luta ao problema. Não sei de onde vem este ódio pelas mulheres. Sei que temos de o travar. Hoje é um bom dia para começar.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:779941vanita2019-02-27T23:46:0012 anos2019-02-27T23:48:39Z2019-02-27T23:48:39Z<p>Moribundo mas vivo este blog fez agora 12 anos. Em idade digital é um senhor blog. Há que lhe fazer reverência.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:779673vanita2019-02-13T00:22:00Náusea de dor 2019-02-13T00:31:56Z2019-02-13T00:31:56Z<p>O tecto do quarto gira ao encontro da tijoleira do chão, mesmo ali ao meu lado, na cama. Uma ameaça de vómito sobe pela espinha e o rubor chega junto da nuca, onde o pânico se mistura com o mal-estar e o medo de desmaiar. A angústia da dor aliada ao luto pela idade que me é roubada. Respiro tanto mais do que já vivi, sou uma velha enclausurada num corpo estragado que devia ser ainda jovem, um corpo que esconde o mal que me faz dia após dia. Sem amigos, isolada, sem energia ou capacidade de resposta, lamento a dor mas nunca baixo os braços. Quem não está não faz falta. Por mais que doa, nada dói mais que os espasmos que só encontram algum sossego na posição fetal onde, numa névoa agonizante, assisto ao encontro do tecto com a tijoleira do chão. São dias febris, duros e de muita solidão, estes em que sou grata por quem me ampara. Vale tudo por eles. Por quem não me esquece, por quem me ama.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:779472vanita2019-02-06T22:44:00There’s no way back 2019-02-06T22:59:24Z2019-02-06T22:59:24Z<p>Os Nirvana estiveram em Cascais há 25 anos, a faculdade também já foi há mais de duas décadas e nada me irrita mais do que esta incapacidade de dar vida a este blog. Tenho tanto que gostava de escrever mas, sempre que me aventuro em mais um tema ou num texto mais arrojado, penso que já não tenho nada de novo a acrescentar a este espaço. São quase doze anos de partilhas. Já disse tudo o que tinha a dizer vezes suficientes, das mais diversas e mirabolantes formas, em diferentes estados de maturidade e experiência. Que mais posso eu acrescentar quando sinto que apenas me repito e, ainda por cima, sem a originalidade de tantos textos que me orgulho de aqui ter arquivados. Não sei se me morreu a criatividade, o interesse ou o à vontade, mas sei que a inércia leva pontos de vantagem e vejo-o como um fracasso. Gostava de largar as amarras e escrever sem filtros, desempoeirada e sem medo de me expor, mas algures num passado não muito longuínquo deu-se um clique que parece não ter retorno. Estou demasiado consciente de quem sou, de quem me lê e, pior, das ideias que posso transmitir a terceiro sobre mim por dar azo à escrita de tudo o penso ou me passa pela cabeça. Chego a olhar com admiração para a coragem e valentia com que por aqui sempre fui dizendo o que penso. Não sei onde é que isso se perdeu, mas é como se tivesse perdido uma parte importante de mim. Gostava de voltar a ser como era mas receio que, a acontecer, nunca mais será o mesmo. É como esta coisa de envelhecer. Estamos sempre a mudar e não há caminho de volta para o que já passou. Como aquele concerto dos Nirvana em Cascais. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:779231vanita2019-01-27T20:09:00Da candura 2019-01-27T20:29:38Z2019-01-27T20:29:38Z<p>Vejo fotos antigas desta escritora e o ar austero e de dama de ferro adivinha-se na dureza de um olhar que nem a lente atenua. Margaret Drabble foi uma mulher de convicções e ideias bem rígidas, consegue perceber-se. Mas não foi esta Margaret Drabble que esteve em Lisboa a promover o seu primeiro livro traduzido para português. À beira dos 80 anos, esta escritora inglesa rouba-nos o coração pela candura com que fala. Os olhos são meigos e tristes, bem diferentes do que se vê nas fotos de outros tempos. Margaret Drabble perdeu uma das filhas há pouco mais de ano e meio. Morreu de cancro e a sua partida apunhalou esta mãe com o pior dos pesadelos. Depois de se perder um filho, nada de pior pode acontecer. Um desgosto que afecta tantos pais que, sem hesitar, trocariam a vida pela dos filhos perdidos. Toda aquela arrogância e sede de agarrar o universo se desvanece na mais universal das perdas, humanizando quem a sente bem fininha a trespassar o coração. E se aprendêssemos a lição da candura, baixássemos as armas e déssemos o nosso melhor antes que um desses solavancos da vida nos atire borda fora sem aviso prévio? </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:778864vanita2019-01-19T11:03:00De olhos no chão2019-01-19T11:16:04Z2019-01-19T11:41:31Z<p>É um homem alto, já a entrar numa idade de cuidados, mas ainda robusto e bastante ágil. É um homem inteligentíssimo e culto, um saber reconhecido pelos pares. É também um homem distraído, que por vezes, tropeça e cai do alto dos seus quase dois metros. “Eu habituei-me a olhar para a frente enquanto caminho”, explica, tornando quase instantaneamente ainda mais alto ao dizer estas palavras. “Ele é distraído”, completa a mulher, já sem ele ouvir: “Um dia destes resolveu ir conversar com os senhores das obras e andava por ali sem olhar para onde punha os pés. Tinha de o estar sempre a interromper para o avisar de uma mangueira, de um ancinho. Ainda não se tinha desviado de um, já se estava a meter noutro porque, lá está, ele não olha para o chão”. Olhando para o porte altivo mas simpático daquele homem tão culto, rapidamente formulei uma teoria de chapa cinco sobre a postura que assumimos perante a vida e o lugar onde acabamos por chegar. Condenei-me por, com apenas metro e meio, ter sempre o cuidado de ver por onde piso. Nem de propósito, mais tarde, enquanto corria para o comboio, salvei o dia a um rapaz que, tendo-se levantado do banco onde estava para subir para a carruagem, nem se apercebeu, mas deixou cair a carteira com todos os cartões, documentos e dinheiro que tinha. Enquanto lhe devolvia a carteira, não pode evitar um sorriso ao lembrar-me quando há uns anos encontrei mais de trezentos euros no chão. Nesse dia não consegui descobrir o dono. O que me leva a mais uma teoria de chapa cinco, a de que, afinal, de teorias está o mundo cheio. E vocês, quando andam olham para o chão ou olham em frente? </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:778352vanita2019-01-02T23:59:002019 - é desta que começamos a olhar em frente? 2019-01-03T00:08:51Z2019-01-03T00:08:51Z<p>A 1 de janeiro de 2008 aderi ao Facebook. Ainda era uma rede social de ecos e silêncios, escrevia-se em inglês e passavam vários meses sem que se fizesse sequer login. Na berra estava o Hi5 e os blogs, discutia-se o “futuro”: o microblogging das redes sociais emergentes como o Twitter ia aniquilar e abafar o espaço ocupado pelos grandes posts. Isto, na imprensa especializada, em ninchos de interessados. Era conversa que passava despercebida ao comum dos mortais.</p>
<p>Por essa altura, jornais e revistas portugueses sabiam que existia uma crise anunciada mas ainda não a sentiam na pele. As redações emagreciam aos poucos, não era perceptível o que ainda por aí vinha. A presença no digital era praticamente nula e bastante rudimentar. Os movimentos de massa no online eram - e sei do que falo - totalmente desconhecidos por parte das cabeças pensantes nas administrações e chefias de muitos grupos de comunicação social. A não presença no digital era um orgulho, uma teimosia e uma certeza de que não abdicavam. Os caminhos são complicados e, mesmo a esta distância, é difícil distinguir qual teria sido a melhor postura perante aquilo que, na altura, eu gostava de chamar de “mudança de paradigma”. A presença online era requerida e exigida, soubemos disso quando vimos ascender bloggers e influencers ao estatuto de mega estrelas com capacidade de influenciar as gerações para onde ninguém olha mas que nunca páram de crescer - no prazo de cinco anos, são sempre os mais novos que determinam escolhas e tendências de consumo que as marcas não podem ignorar. O jornalismo, como infelizmente vem sendo habitual, preferiu esconder-se debaixo da peneira e ignorou todos os sinais. A sua ausência no online abriu espaço para que outros - que não se regem pelos mesmos códigos de conduta e ética - emergissem e, voilá: cá estamos, em 2019, num tempo que corrobora o conceito de “fake news”, aquele que descredibiliza o quarto poder.</p>
<p>E é neste contexto, num contexto em que a batalha é recuperar a credibilidade perdida, que se assiste ao “corre-trás” dos meios de comunicação social, que ainda não se ajustaram à realidade digital e mantêm registos do século passado no exercício da sua actividade. Numa altura em que não há qualquer margem para erros, em que a comunicação social têm de fazer valer a sua notoriedade com o mais rigoroso jornalismo de sempre, assistimos ao apelo desesperado pelo clickbait e à procura pela galinha dos ovos de ouro no digital, com destaque para o maior tiro nos pés de sempre, que é o jornalismo copy paste. Não é preciso ter uma bola de cristal para perceber que o online está minado. Basta perder dois minutos a ler comentários a qualquer notícia publicada nas redes sociais: há sempre alguém que saca das “falsas notícias” para lançar a dúvida e chutar tudo para canto. Isto combate-se com inteligência.</p>
<p>Mais de dez anos depois daquele dia em que aderi ao Facebook, acredito que agora o caminho é outro e que se conquista longe dos murais e das notifcações constantes. Em 2019, os grandes jornais portugueses têm o dever de lembrar o seu percurso aos leitores e de se impôr como fontes credíveis e fiáveis, longe da espuma dos dias. Como sempre, é uma carta fechada. É como os anos novos: nunca sabemos como vão terminar. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:778122vanita2018-12-03T22:03:00Vida estéril 2018-12-03T22:12:05Z2018-12-03T22:14:21Z<p>Nunca fui capaz de confessar à minha amiga Lina a revolta que senti por ela me ter pedido este texto - <a href="https://quemsaiaosseus.blogs.sapo.pt/247002.html" rel="noopener">https://quemsaiaosseus.blogs.sapo.pt/247002.html</a> - há quase sete anos. Engoli o orgulho como pude, remoí enquanto consegui e aproveitei o desafio para me tentar reconciliar comigo mesma. Foi tão difícil que tive de escrever um novo post - <a href="https://petit-secrets.blogs.sapo.pt/94605.html" rel="noopener">https://petit-secrets.blogs.sapo.pt/94605.html</a> - quando a Lina, com a melhor das intenções, me disse que esperava um texto sarcástico da minha parte. Como, se ser mãe sempre foi um dos meus maiores sonhos? Não conseguir sê-lo não é, nunca foi, uma opção minha. Sarcástica? Só se fosse com o destino, o maior folião de todos os tempos. Hoje lembrei-me destes dois textos e resolvi partilhá-los para relembrar mas também para lembrar que nunca sabemos o caminho que os outros trilham. Por via das dúvidas, vale sempre a pena apostar em alguma delicadeza. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:777849vanita2018-11-27T09:01:00Sobre a essência deste diário 2018-11-27T09:04:25Z2018-11-27T09:04:25Z<p>“‘Não te esqueças’, disse-me, ‘de que a verdadeira substância de um diário não são os acontecimentos exteriores, mas sim a evolução moral do autor’”.</p>
<p>”O Mal de Montano”, de Enrique Vila-Matas</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:777613vanita2018-11-22T21:45:00Feels like home2018-11-22T21:47:34Z2018-11-22T21:47:34Z<p>Andar por Lisboa sozinha à noite, de transportes públicos, faz-me sentir acolhedoramente em casa. Ainda não consegui perceber se isto é triste ou não.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:777468vanita2018-11-16T23:17:00Procuram-se jornalistas 2018-11-16T23:31:21Z2018-11-16T23:31:21Z<p>Jornalistas incómodos, jornalistas que perguntam, jornalistas que dificultam a vida a assessores e entrevistados, jornalistas que se recusam a ser pés de microfone, jornalistas que farejam notícias, estudam oportunidades e correm atrás de uma boa história. A profunda crise financeira e de liderança dos grupos de comunicação social, dito de forma muito simplista, esvaziou as redações e, como consequência, ditou o desaire atual do jornalismo português. Estando há uma mão cheia de anos do outro lado, do lado da assessoria, é com profundo e continuado desgosto que assisto à falta de entusiasmo e iniciativa por parte das redações. Quem me dera um jornalista empenhado e interessado que me desse trabalho, que me fizesse arrancar os cabelos mas que, ao mesmo tempo, validasse as ganas e paixão que apaixonaram tantas gerações que quiseram um dia seguir uma carreira no jornalismo. A ausência de meios e a falta de empenho estão a matar a essência do jornalismo. Prejudica-nos a todos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:777127vanita2018-11-11T11:29:00Não tive saudades de mim 2018-11-11T11:37:39Z2018-11-11T11:37:39Z<p>Refiz caminhos, trajectos e hábitos de um passado recente. Subi escadas, virei no sentido correto quase de olhos fechados, levei a mão ao passe no momento certo e palmilhei lajes há muito conhecidas, entretanto deixadas esquecidas nesses recantos mágicos da memória de onde conseguimos resgatar a cúmplice rotina que confere aquele sempre tão aconchegante sentimento de pertença a algum lugar. Refiz caminhos mas não me emocionei nem me deixei contagiar pela nostalgia do que já não é. Quando nos anulamos durante tanto tempo, o que fica é o vazio, o nada que, de tão absurdamente ostensivo e incómodo, se dilui e desfaz sem deixar rasto assim que o conseguimos vencer. Refiz caminhos e não me revi. Não tive saudades de mim. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:776723vanita2018-10-23T22:18:00Eu não sei tudo2018-10-23T21:35:16Z2018-10-23T21:45:55Z<p>Hoje estava a apresentar uma ideia num grupo de trabalho e sai-me com uma expressão que me é tão natural como autêntica e genuína: “depois acrescentamos uns pormenores importantes sobre este assunto que todos vocês sabem bem melhor do que eu”. Entredentes mas bem perceptível ouvi alguém corrigir-me - sim, eu ouvi: “Ninguém sabe mais do que tu sobre isto!”. Entendo a intenção e aceito a correção. Segue a mesma linha de uma outra que me foi feita há uns tempos quando, numa das milhares de vezes em que me auto-censuro, voz amiga me chamou à atenção: “não te desprezes, tu não és isso que dizes de ti mesma”. Pois não, sei eu! Mas, ao que parece, a minha certeza não é evidente se não me vestir com a arrogância e convicção que dita a postura característica de tantos medríocres que por aí pululam. Desculpem o tom, mas custa-me sempre aceitar a forma como hoje em dia o talento e profissionalismo são muitas vezes ocultados pelo fogo-de-artíficio de quem se enche de certezas e verdades absolutas para criar falsas imagens de sucesso. Eu não acredito nisso. Cheguei a esta idade a acreditar no Pai Natal mas, para mim, o debate de ideias, a mente aberta às dúvidas, a capacidade de adaptação a novas formas de abordagem dos temas, a ausência de padrões rígidos de comportamento ou formatos de procedimento e a certeza de que todos os outros terão sempre algo de útil e muito válido a acrescentar são a minha postura perante a vida. Assim sendo, não me sinto colocada em causa quando me questiono, sinto-me em pé de igualdade. Não me diminuo, mostro-me sempre disponível para aprender e saber mais. E, lamento, do meu ponto de vista, esta é a forma mais sábia de se estar perante a vida. Porque eu não tenho a convição de saber tudo, mas também não tenho medo de perguntar. Seja a quem for.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:776641vanita2018-10-16T23:08:00Desgosta-me2018-10-16T22:14:28Z2018-10-16T22:18:55Z<p>O mundo está a virar e já não o conseguimos parar. Tenho dúvidas se alguma vez o teremos feito. Os crimes de colarinho desacreditam as instituições, os políticos e tudo o que serve de base à sociedade que temos vindo a construir. A insatisfação gera movimentos de raiva e ódio que pouco devem à moderação. Entramos no comboio da indignação e já só a luta exacerbada preenche o vazio causado pela frustração. Queremos mudar e, sem nos apercebemos, estamos a cometer erros do passado. Alguma vez aprenderemos? </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:776295vanita2018-10-13T07:34:00Entrei no outono da vida 🍂 2018-10-13T06:54:03Z2018-10-13T06:54:03Z<p>Enquanto o sol me toca suave nos braços, uma tímida aragem fresca lembra-me que os dias de verão estão de fugida. Um dia depois de fazer 40, aceitei que estamos no outono. E eu entrei no outono da vida, essa estação que pode ser tão tranquila e amena quanto o desconforto provocado pela chuva e o vento nos permitem. Desde muito nova que gosto de fazer este jogo mental: divido os vários estádios da vida em blocos de 20 anos. A primavera, o tempo das descobertas e do florescimento, que embarca a infância e se prolonga até à entrada na vida adulta; o verão - todos nós temos saudades do verão! - esse tempo louco e irreverente, pleno de vida, alegria e boa-disposição, pelo qual ansiamos todo o ano e que, nesta minha construção pessoal, se preenche com os desvarios dos 20 aos 40 anos; o outono, essa agradável aragem fresca que nos aclama a fúria do verão e nos aconchega em roupas mais confortáveis e rituais tranquilos, propensa ao descanso e até alguma meditação; e finalmente o inverno, esse período que começa aos 60, sem destino predefinido, que dependendo das condições climatéricas, pode ser uma viagem de longo curso mais ou menos intensa. Faz-me sentido esta associação da vida humana com as estações do ano e ajuda-me a equilibrar e aceitar as várias fases desta aventura de estar viva. Cada estação é um desafio a que nos temos de adaptar para, dele, tirar o melhor proveito. Todas têm adversidades - dores de crescimento e maturidade - mas é possível encontrar um sentido orgânico e até espiritual que nos traz tranquilidade. Fazer 40 anos não me assusta mas enche-me de espanto. A vida pôs-me à prova demasiado cedo - na plena loucura do verão - e, sem que me desse conta, não me apercebi da aproximação do outono no horizonte. É mesmo com espanto que sinto a aragem fresca tocar-me no braço. E estou a gostar. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:775992vanita2018-09-29T16:51:00Estou quase a fazer 40 anos 2018-09-29T16:10:59Z2018-09-29T16:10:59Z<p>Não sei se viverei outros 40. Quando comecei este blog tinha 28 e a alegria recém-conquistada de ter a vida pela frente. Comecei-o uns meses depois de um diagnóstico menos bom e era a gratidão por cada dia que geria as minhas escolhas e opções de vida. Ainda é assim. Mas agora tenho quase 40 anos. Não gosto de me expor mas não sei ser superficial. Vivo de emoções intensas e genuínas, sou feita de convicções e acredito cada vez mais no silêncio como fonte de paz e bem-estar. É comigo mesma que resolvo as minhas revoluções e guerras pessoais. Tenho cada vez mais dificuldade em perceber como é que esta forma de encarar a vida se cruza com um blog intimista como o que este tem sido. Gosto de escrever, sobretudo sinto prazer no jogo com as palavras e o que daí pode sair e essa é uma das características que mais me realiza. Abrir um documento, deixar escorrer o que tenho cá dentro, ser surpreendida com o resultado final e, por muitos anos que passem, continuar a rever-me na composição que disso resultou. Como se fosse guiada por forças invisíveis, sentidos por definir, linhas mestras de outra dimensão. Este blog tem mais de onze anos e há nele tanto de mim como de outras Vânias onde já não me reconheço. Ter 28 anos não é, nem deve ser, o mesmo que ter quase 40. Não sei para onde a vida me leva, que outros caminhos tenho de trilhar ou que desafios vou enfrentar. Sei que todos os dias continuo a aprender e que continuo sempre a sonhar. Não é infantil, nem juvenil ou pouco ambicioso. É o que nos move. A mim também.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:775811vanita2018-09-02T21:24:00E se Deus não quiser? 2018-09-02T20:36:53Z2018-09-02T20:36:53Z<p>Não teria mais do que cinco, seis anos, quando me comecei a arrepiar com a despedida nocturna mais comum lá de casa: “Até amanhã, se Deus quiser”. Aquele “se Deus quiser”, deixava-me em pânico. Como podíamos, com sorrisos honestos e de livre e espontânea vontade, deixar nas mãos de entidade desconhecida, nunca vista e com existência ainda por comprovar, a intenção de nos voltarmos a ver no dia seguinte? Tinha cinco anos e não podia saber que esta dúvida levantava questões de livre-arbítrio, fé, filosofia ou até teologia. Mas senti a profundidade do tema e não entendia como é que tanta gente - adultos, ainda para mais - deixava algo tão importante nas mãos de outros. O cunho de carinho evidente na forma de despedida contrasta(va) com a delegação de responsabilidade. E talvez esta seja uma das características mais evidentes da minha personalidade: não delego em ninguém a responsabilidade do que quero alcançar. Da mesma forma que nunca olhei com mais sentimentos do que os de alegria para as conquistas de quem me rodeia. O que queremos da vida depende apenas de nós, está nas nossas mãos. Se Deus não quiser, até prova em contrário, podemos sempre tentar contrariar as suas intenções. Será até amanhã, porque eu quero. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:petit-secrets:775618vanita2018-09-01T11:15:00Futebol na Mesa2018-09-01T10:21:14Z2018-09-01T10:21:14Z<p>Começa setembro e, lentamente, a vida retoma os hábitos que também fazem parte da nossa rotina. O futebol é um deles e este ano, a coisa ganha mais pujança e impacto com o novo podcast de análise quer das jornadas semanais, quer do desempenho dos jogadores, das equipas, dos jogos da liga dos campeões. Futebol na Mesa é o podcast de Rui Miguel Melo, meu marido btw, e inclui uma sugestão de livros no final de cada episódio. Se ainda conhecem, sigam o link: <a href="https://futebolnamesa.podbean.com/e/futebol-na-mesa-episodio-3/" rel="noopener">https://futebolnamesa.podbean.com/e/futebol-na-mesa-episodio-3/</a></p>
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<p style="text-align: justify;">Deve ser a banda de que mais falo aqui no blog. Só assim, numa pesquisa rápida, surgem 15 posts, de 2007 a 2012. Nos últimos anos tenho escrito menos. Os dois últimos álbuns também não em cativaram por aí além. Felizmente, alguém que sabe desta minha obsessão, não permitiu que deixasse escapar o primeiro concerto em sala própria em Portugal, ontem, no Campo Pequeno. E foi bom, foi muito bom. Porque mesmo quando não são tão bons, continuam a ser muito bons. E é incrível perceber como, onze anos depois daquele inesquecível concerto do Super Bock Super Rock 2007, mantêm a mesma chama em palco. Já os tinha voltado a ver, noutros festivais, e estava determinada a não querer manchar a memória com um mau concerto, como aconteceu com Smashing Pumpkins, também ali, no Campo Pequeno. Mas a história escreveu-se com outra sinfonia. Depois do desgosto de terem falhado o concerto no Pavilhão Atlântico, em 2010, há uma certeza: os Arcade Fire estão de volta. Tão pujantes como sempre. E que saudades tinha disto. </p>