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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

11
Mar18

A pão e água. Melhor, só água que o pão tem glúten


vanita

Não sou de fazer dietas, nunca fui. Durante muitos e muito bons anos nem sequer precisei de me preocupar com isso. Era mais que magra: chamavam-me trinca-espinhas na escola, entre outros mimos fofinhos. Mesmo magra, no início dos meus 20 anos, as análises acusavam colesterol elevadíssimo. Como percebi que há toda uma indústria em torno desse indicador não tão consensual quanto isso e, depois de um período hipocondríaco, deixei de me preocupar em demasia com esses números.

Entretanto, a celulite da vida sedentária instalou-se e, para ajudar, a endometriose quis resgatar para si um corpo que era meu. Depois de três operações, deixou de ser. Gorda, inchada, mais pesada, o que quiserem chamar, deixei de ser magra. Ainda assim, apesar de mais atenta ao que comia, as dietas continuavam fora do meu campo de acção. Pior, eu que em criança não gostava de nada, descobri o prazer da comida. Gosto de tudo, tirando favas que ainda não voltei a experimentar e lulas estufadas que me dão náuseas. A minha mãe diz que as enjoou quando estava grávida de mim: talvez a ciência explique. Até de pão passei a gostar.

Mesmo com os protestos da balança, a questão é que a endometriose se intrometeu realmente no caminho. À mudança de corpo, nem sempre tão pacífica como posso estar a fazer crer, junta-se o desconforto - vamos chamar assim que ninguém quer falar em filmes de terror a esta hora - e a realidade entretanto percepcionada: há, de facto, muitos alimentos que interferem com a minha saúde e bem-estar. E, embora tenha tentado fugir o mais que pude, a vida está aos poucos a impor-me uma dieta. E isto até seria fixe se olharmos apenas para os benefícios: melhor qualidade de vida. Mas nunca nada é assim tão simples. Só mesmo por obrigação é que a palavra dieta entra na minha rotina. Porque o meu corpo reclama.

Começa logo com o leite. Nasci intolerante - coisa do diabo há quase 40 anos, ninguém queria crer! - mas achei que podia muito bem continuar a comer lacticínios e produtos sem lactose sem grande preocupação. Bastou uma experiência para perceber que, afinal de contas, é muito provável que o meu organismo nunca tenha aceitado bem o leite. Portanto, leite fora. Pizzas, saladas caprese, leitinho com chocolate ao pequeno-almoço, bacalhau com natas ou tarte de lima? Tudo vetado.

Com este discurso parece que sempre fui inconsciente em relação à comida: não é verdade. Há anos que não bebo refrigerantes e não ponho açúcar no café nem no chá. Mas não é suficiente. O açúcar refinado ajuda à inflamação no corpo e está presente em mais produtos do que gostamos de imaginar. Depois, depois há o glúten, que também não será muito indicado para o meu caso, mas aí estou mais reticente: há uns tempos fiz análises que não me deram como intolerante, por isso, vou com mais calma nesse aspecto. Até porque, convenhamos, tenho fome! E gosto de bolos e de donuts. E, mal dos meus pecados, agora até gosto de pão. Mas isto piora.

Carne? Faz mal, sobretudo a vermelha. E porquê? Por todas as razões e porque os pobres animais são alimentados com rações de soja. Ah, pois, ainda não tinha chegado aqui. A soja é absolutamente proibida, o que exclui logo o vegetarianismo no seu conceito mais amplo. É que a soja tem estrogénios, tudo o que o meu corpo já tem em excesso, e é responsável pelas dores incapacitantes que estamos a tentar evitar. Ah, e sabem o tofu? É feito de soja. E o seitan? De glúten. Começam a perceber o drama? Por exemplo, a Olá tem um novo corneto vegan. É feito com soja... mas estávamos nas carnes. Sobram os peixes. Mais liberados, a verdade é que muitos são criados em cativeiro. E, adivinhem, alimentados com rações à base de... soja.

Portanto, até agora podemos excluir as dietas Vegan e as Paleo, por causa das carnes vermelhas. Sobra pouco, já que o trigo também é altamente desaconselhado. Sem lacticínios, evitando os glútens e as sojas, desaconselhadas as carnes, sobra pouco. Se pensarmos que o café também faz parte da lista de alimentos a evitar, chega a ser desesperante. Sempre consciente que alimentos processados são como veneno. Há dias em que parece que sobra apenas àgua, mas tenho feito boas descobertas e, obrigada, lá vou introduzindo a palavra dieta no meu dia-a-dia. Ando nesta luta, uns dias mais consciente e noutros a pagar pelas infrações, vou tentando reeducar-me em termos de alimentação.

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