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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

30
Mar20

Estou cansada de estar em casa


vanita

Esta é aquela que me parece, para já, a segunda-feira mais longa da era covid-19. À novidade sucede o desânimo e, ali mesmo à espreita, algum desespero. Quando é que tudo isto acaba? Será aceitável acalentar a esperança de recuperar a normalidade dos dias? Por mais que tenha sido das primeiras a notar que os tempos que virão trazem mudança, percebo agora que não estou preparada para isso. Depois de três semanas fechada em casa, eu, que amo a vida caseira, tenho ânsias de qualquer coisa que nem sei bem definir. Sonho com uma praia escaldante e deserta, uma tarde a torrar ao sol, um dia sem notícias além do som das ondas a desfazerem-se na areia. Sonho com um escape que não existe. Estou cansada de estar em casa, assustada com as notícias e, nem vale a pena negá-lo, tenho medo do futuro. Como é que se sai daqui? 

29
Mar20

O pedaço de história que nos está reservado


vanita

Todos os dias me lembro das senhas de alimentação de que a minha avó falava. Portugal não entrou na guerra mas a população sentiu a miséria na pele. Sempre ouvi esses relatos entre o fascínio de ter à minha frente uma prova viva de uma realidade histórica e o horror de imaginar como seria viver com açúcar e pão contados. Era criança mas nunca me esqueci e, nestes dias, é só do que me lembro. Ainda não escrevi uma linha sobre estes tempos de quarentena e isolamento social, sobre esta ameaça que se abateu sobre nós. A apatia assusta-me mas não consigo reagir, é como se estivesse em negação. Toda a vida lamentei não fazer parte do colectivo dos grandes feitos da história, sempre senti ânsias da adrenalina que se depreende da luta por causas e do espírito de união. Queria fazer parte de algo grandioso e comunitário, algo que se sobrepusesse ao ego e à mesquinhez dos dias. Escrevi-o tantas vezes mas, agora que o covid-19 surge com ganas de forjar o nome nos livros de história, percebo como fui ingénua. Somos impotentes perante o rumo dos acontecimentos, não passamos de meros espetadores com olhos postos num palco longínquo mas tangível, onde a ação nos faz lembrar as senhas de alimentação de outros tempos. Há muitas teorias sobre doenças e pragas em inícios de século, períodos de recessão económica e dizimação das populações. Não acredito em coincidências nem sei se estaremos mais bem preparados para enfrentar este desafio. Não consigo pensar. Sei apenas que a nossa vida, aquela que está à distância de um braço bem esticado, não nos será devolvida tal como a conhecíamos. Este é o pedaço de história que nos está reservado. E não é nada como imaginava.

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