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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

29
Mar18

Já têm planos para a Páscoa?


vanita

A Páscoa está aí à porta e a Primavera vem tímida. Se ainda não têm planos para estes dias, além de aproveitar para passear, fazer limpezas de Primavera, estar com a família e os amigos e comer amêndoas até cairem os dentes, aqui ficam algumas sugestões que me têm acompanhados nos últimos tempos.

 

Dois livros

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 São os dois do jornalista brasileiro Nelson Rogrigues e li-os de seguida. Se, com o primeiro livro, fiquei rendida ao autor, mais conhecido pelas inigualáveis crónicas sobre futebol de meados do século passado, tudo ganha uma nova e ainda mais interessante amplitude com as memórias de Nelson Rodrigues, compiladas neste «A Menina Sem Estrela». Mestre das palavras, narrador participativo e confidente, emissor de uma realidade de outrora, este é um daqueles autores que nos enriquece em cada frase. O primeiro livro, um romance que se passa nas 24 horas anteriores a um casamento, tanto nos choca de horror como nos maravilha pelo encantamento das palavras com que o autor nos conduz, capítulo após capítulo. Retrato de um Brasil que já não existe, de um machismo que teima em persistir, este é um livro que entretém e afronta, que brinca com os nossos sentimentos e nos faz reféns de Nelson Rodrigues. O mesmo Nelson Rodrigues que nos deslumbra e encanta, sem esconder todos os seus terríveis e confessados defeitos, alguns apenas adivinhados. O jornalista de 13 anos, que antes disso foi o tímido e curioso menino de sete, que nos leva a ver o mundo pelos seus olhos, navegando nas suas palavras e angústias, ao mesmo tempo que nos mostra um país que vivia sob um regime de ditadura, onde o Carnaval ainda não era o mais conhecido do mundo, um país percepcionado nas histórias íntimas e bem pessoais, analisadas à luz cruel e fria da distância de tantos anos. Um mimo que nos transcende. Dois.  

 

Duas séries

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 Se ler não é a vossa praia, ficam duas séries de sugestão. 1986, de Nuno Markl, a passar semanalmente na RTP, mas totalmente disponível em RTP Play, e Everything Sucks, da Netflix. A primeira é nacional e reporta a um ano específico, a segunda está ambientada em 1996. Ainda não terminei nenhuma das duas mas, sendo eu filha destes tempos, não posso deixar de as recomendar. Só vi o primeiro episódio de 1986 e, confesso, não fiquei absolutamente fã. Ainda assim, dou o benefício da dúvida, até porque sempre admirei o talento e criatividade de Nuno Markl, além de que este é realmente um dos anos que marcam a minha vida, talvez um dos primeiros de que tenho mesmo memórias. Everything Sucks é absolutamente fantástico. Vi dois episódios e só ainda não terminei a primeira temporada porque ando a guardar para ver aos pouquinhos. A nostalgia está na moda e, para quem tem mais de 30, é impossível assistir a estas séries de época sem (1) se emocionar ou sem (2) se identificar. Os ícones da época, as bandas sonoras, as roupas, os gadegts. Tudo junto, são uma fórmula de sucesso. Duvidam? Experimentem.

17
Mar18

🎗I am 1 in 10 🎗


vanita

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Março é o mês de consciencialização para a Endometriose, a doença que afecta uma em dez mulheres - tanto como a diabetes, por exemplo -, mas que demora cerca de dez anos a ser diagnosticada e para a qual a própria comunidade médica não está orientada. São precisos estudos, exames, medicamentos e, sobretudo, é preciso que se perceba o impacto desta doença na vida das mulheres. Eu sou uma delas.

#1in10 #endometriosisawarenessmonth2018 #endowarrior #endosisters

14
Mar18

É uma armadilha


vanita

Sê curioso, sê original, mostra interesse, dá opiniões, sê verdadeiro. Ninguém gosta de gente consensual, cria o teu próprio estilo, não alinhes em carneirada, nunca tenhas vergonha de mostrar quem és,segue contra a corrente. Tretas! Se fores assim, as pessoas vão odiar-te e ostracizar-te. Vais duvidar da tua sanidade sempre que vires actuar os falsos e cínicos, gente que tem duas caras, que nas costas diz A mas na hora da verdade jura que é B. O mundo é dos maleáveis, não há espaço para colunas verterbrais rectas, ninguém gosta de quem é honesto e usa de franqueza nas suas relações. Se queres sobreviver e ser feliz, não sejas nada do que dizem. Guarda para ti, mantém-te neutro e cinzento, não levantes ondas, nunca questiones o instituído e mostra-te sempre submisso. Só assim serás aceite. Mesmo que para isso te anules. 

11
Mar18

A pão e água. Melhor, só água que o pão tem glúten


vanita

Não sou de fazer dietas, nunca fui. Durante muitos e muito bons anos nem sequer precisei de me preocupar com isso. Era mais que magra: chamavam-me trinca-espinhas na escola, entre outros mimos fofinhos. Mesmo magra, no início dos meus 20 anos, as análises acusavam colesterol elevadíssimo. Como percebi que há toda uma indústria em torno desse indicador não tão consensual quanto isso e, depois de um período hipocondríaco, deixei de me preocupar em demasia com esses números.

Entretanto, a celulite da vida sedentária instalou-se e, para ajudar, a endometriose quis resgatar para si um corpo que era meu. Depois de três operações, deixou de ser. Gorda, inchada, mais pesada, o que quiserem chamar, deixei de ser magra. Ainda assim, apesar de mais atenta ao que comia, as dietas continuavam fora do meu campo de acção. Pior, eu que em criança não gostava de nada, descobri o prazer da comida. Gosto de tudo, tirando favas que ainda não voltei a experimentar e lulas estufadas que me dão náuseas. A minha mãe diz que as enjoou quando estava grávida de mim: talvez a ciência explique. Até de pão passei a gostar.

Mesmo com os protestos da balança, a questão é que a endometriose se intrometeu realmente no caminho. À mudança de corpo, nem sempre tão pacífica como posso estar a fazer crer, junta-se o desconforto - vamos chamar assim que ninguém quer falar em filmes de terror a esta hora - e a realidade entretanto percepcionada: há, de facto, muitos alimentos que interferem com a minha saúde e bem-estar. E, embora tenha tentado fugir o mais que pude, a vida está aos poucos a impor-me uma dieta. E isto até seria fixe se olharmos apenas para os benefícios: melhor qualidade de vida. Mas nunca nada é assim tão simples. Só mesmo por obrigação é que a palavra dieta entra na minha rotina. Porque o meu corpo reclama.

Começa logo com o leite. Nasci intolerante - coisa do diabo há quase 40 anos, ninguém queria crer! - mas achei que podia muito bem continuar a comer lacticínios e produtos sem lactose sem grande preocupação. Bastou uma experiência para perceber que, afinal de contas, é muito provável que o meu organismo nunca tenha aceitado bem o leite. Portanto, leite fora. Pizzas, saladas caprese, leitinho com chocolate ao pequeno-almoço, bacalhau com natas ou tarte de lima? Tudo vetado.

Com este discurso parece que sempre fui inconsciente em relação à comida: não é verdade. Há anos que não bebo refrigerantes e não ponho açúcar no café nem no chá. Mas não é suficiente. O açúcar refinado ajuda à inflamação no corpo e está presente em mais produtos do que gostamos de imaginar. Depois, depois há o glúten, que também não será muito indicado para o meu caso, mas aí estou mais reticente: há uns tempos fiz análises que não me deram como intolerante, por isso, vou com mais calma nesse aspecto. Até porque, convenhamos, tenho fome! E gosto de bolos e de donuts. E, mal dos meus pecados, agora até gosto de pão. Mas isto piora.

Carne? Faz mal, sobretudo a vermelha. E porquê? Por todas as razões e porque os pobres animais são alimentados com rações de soja. Ah, pois, ainda não tinha chegado aqui. A soja é absolutamente proibida, o que exclui logo o vegetarianismo no seu conceito mais amplo. É que a soja tem estrogénios, tudo o que o meu corpo já tem em excesso, e é responsável pelas dores incapacitantes que estamos a tentar evitar. Ah, e sabem o tofu? É feito de soja. E o seitan? De glúten. Começam a perceber o drama? Por exemplo, a Olá tem um novo corneto vegan. É feito com soja... mas estávamos nas carnes. Sobram os peixes. Mais liberados, a verdade é que muitos são criados em cativeiro. E, adivinhem, alimentados com rações à base de... soja.

Portanto, até agora podemos excluir as dietas Vegan e as Paleo, por causa das carnes vermelhas. Sobra pouco, já que o trigo também é altamente desaconselhado. Sem lacticínios, evitando os glútens e as sojas, desaconselhadas as carnes, sobra pouco. Se pensarmos que o café também faz parte da lista de alimentos a evitar, chega a ser desesperante. Sempre consciente que alimentos processados são como veneno. Há dias em que parece que sobra apenas àgua, mas tenho feito boas descobertas e, obrigada, lá vou introduzindo a palavra dieta no meu dia-a-dia. Ando nesta luta, uns dias mais consciente e noutros a pagar pelas infrações, vou tentando reeducar-me em termos de alimentação.

07
Mar18

Dia da mulher... pois!


vanita

Amanhã é dia da mulher e isso só acontece porque me estou a contorcer de dores por causa do período e ainda não me é permitido dizê-lo assim, com esta franqueza e à-vontade. Quantos de vocês se arrepiaram quando leram que estou com o período? Pois, ainda é o maior dos tabus. As mulheres andam nesta luta inglória de conseguir ter direitos profissionais iguais aos homens, sem ter ganho os mesmos privilégios que eles em relação à casa e aos filhos, e enquanto fazem esta ginástica que as está a matar aos poucos, continuam naquela loucura de fingir que o mundo é cor-de-rosa como no tempo das fadas e dos unicórnios. Não há dores, não há cansaço, a maternidade é uma dádiva e somos todas princesas sem cheiros nem flutuações de humor. Não é verdade, somos seres humanos de segunda. Porque, damos à luz todos os homens que por aí andam, mas há que Deus que somos seres inferiores, que não podemos ganhar tanto como eles e devemos provir para o seu bem-estar garantindo que têm cama, mesa e roupa lavada. Se nos dá para isto de competir por lugares de destaque profissional, há apenas uma certeza: será sempre trabalho de menor qualidade e, obviamente, remunerado de acordo com essa verdade. A luta das mulheres é universal mas esqueçam lá que, por estarmos na Europa e num país civilizado, o 8 de Março serve apenas para marcar jantares com amigas, receber presentes dos namorados e usufruir de massagens e vouchers de maquilhagem. Enquanto precisarmos de esconder a mais básica das realidades, enquanto tivermos de aguentar as dores como se não existissem porque há coisas de que não se fala, minhas senhoras, enquanto assim for, que se continue a lutar. Porque as mulheres merecem poder dizer que estão a sofrer sem serem diminuídas ou prejudicadas por isso. É uma luta de todos.

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