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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

16
Ago17

São Miguel, Açores


vanita

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Já tinha estado na Terceira e conhecia o encanto dos Açores. São Miguel é ainda mais bonito do que poderia imaginar. Mais do que as fotos podem mostrar. Conselhos: aluguem um carro para passear e fiquem mais do que um simples fim-de-semana (há tanto para ver e merece ser apreciado com tempo). Se puderem, hospedem-se fora da zona urbana. Acordar com a vista dos vales e montanhas, mesmo quando há neblina, é completamente imbatível. Além disso, ajuda mesmo a desligar da vida quotidiana. Deixem-se levar. De certeza que vão querer voltar.

12
Ago17

Quando os astros se alinham


vanita

As coisas acontecem quando têm de acontecer. Nem antes nem depois. E é quase mágico quando as vemos desenrolar em frente aos nossos olhos, sem que tenhamos qualquer controlo sobre a forma como se desenvolvem. Nunca acordaram num dia em se sentem particularmente inspirados, como se, logo pela manhã soubessem perfeitamente o rumo que o decorrer das horas iria levar? É isso mesmo: as coisas acontecem quando têm que acontecer. E tenho dúvidas que o livre-arbítrio dê cartas nesse sentido.

09
Ago17

Paraliteratura e paraleitores


vanita

Esta manhã li uma belíssima entrevista ao Francisco Vale, editor da prestigiada Relógio d'Água. Saiu no Diário de Notícias. Uma conversa excepcional sobre o mercado editorial e livreiro, o mundo literário e as suas dificuldades e uma série de considerações que vale a pena discutir. Concordando ou não com tudo o que se diz - a divergência de ideias gera os mais interessantes debates - gostei particularmente da distinção que se faz entre literatura e aquilo que Francisco Vale chama de paraliteratura. Porque, de facto, é mesmo disso que se trata. Há livros e há LIVROS. E, posto da forma como ele o explica, não há como o negar. Saber escrever não é ser escritor. Não em termos literários. E, definitivamente, não são os cursos de escrita criativa que dotam quem quer que seja dessa capacidade que distingue os melhores. Alargo o conceito para os leitores, pensando sobretudo em quem devora mais de cinco ou seis livros por semana (!). Sim, é uma realidade e existe. Saber ler não é ser leitor. Folhear com sofreguidão página atrás de página sem pausas para assimilar conhecimentos, ponderar e absorver o que se leu pode ser comparado com a paraliteratura. Chamar-lhe-emos paraleitores, seguindo a mesma linha de raciocínio. Talvez estejam aptos para a paraleitura, mas nunca serão verdadeiros leitores. Ler requer bem mais do que acumular páginas lidas.   

09
Ago17

Dos que ficam


vanita

Um dia destes li uma entrevista antiga da Dália Madruga. Ela fez um apelo para encontrarem o cão que estava perdido e, como era pinscher como a Sasha, acompanhei tudo com mais atenção e achei curioso que o anúncio tivesse sido feito no Alentejo. É nestes pequenos pormenores que me apercebo do quão afastada já estou deste meio social e artístico: não fazia a mínima ideia de que ela agora estava a morar fora de Lisboa e fui pesquisar. Gosto da Dália Madruga e, das entrevistas que li, percebi que está feliz, a construir uma família longe dos holofotes e do burburinho da fama. Também gosto disto. Mas fixei-me numa frase que ela disse à CARAS quando lhe perguntaram do que sentia mais falta, agora que estava mais distante do circuito mediático. Singelamente, ela respondeu que sente falta da irmã, dos sobrinhos e dos pais. Da família nuclear. E explicou como em pouco tempo o telefone foi deixando de tocar, como se tem tantos amigos quando se está em Lisboa, no centro da acção, e como essas mesmas pessoas desaparecem sem deixar rasto em menos de nada. De como não sente falta disso. Fixei-me nisto e não pude deixar de me identificar. Também o meu telefone deixou de tocar desde que deixei o jornalismo. Lembro-me de como quando comecei na assessoria alguém comentava a vida social que eu tinha porque, no início, ainda fazia os mesmos horários e programas de sempre: saía para jantar a desoras durante a semana, tomava pequenos-almoços com as amigas antes de ir trabalhar sem o espartilho de picar o ponto, ia às festas das estações de televisão e das revistas e continuava a assistir às gravações em estúdio de alguns programas. Aos poucos tudo isso acabou. A vida comum não é compatível com o que até então eu considerava normal. Mas com isso, também o telefone deixou de tocar. E hoje, tal como a Dália Madruga, também digo que é da minha família que mais sinto falta. Os outros ficaram quase todos pelo caminho.

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