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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

30
Abr15

Alguém que dê colo a esta menina


vanita

Tem 12 anos e está nas bocas do mundo, em todos os jornais e nos programas de day time. As notícias do seu caso são as mais vistas e comentadas e ninguém se abstém de uma opinião emocionada sobre a gravidez gerada da violação sexual de que foi vítima, às mãos do próprio padrasto. Com conhecimento da mãe. Da fama não terá como escapar. Haverá alguém que não saiba esta história? Como é que se existe num mundo em que todos sabem que somos aquele ser aberrante de 12 anos, vítima da atrocidade maior? Como é que se sai à rua? Quem somos nós para clamarmos o direito ou não ao aborto, esquecendo-nos da criança que vive este drama? Quem dá colo a esta menina? Os jornalistas, cegos pela sede de informar? Os apresentadores de televisão que moderam apaixonados debates, quem sabe até vertam uma lágrima ou outra? O povo insandecido pela curiosidade porca? Desligámo-nos todos da nossa humanidade? Há aqui uma criança que precisa de mimo e cuidado. Duas talvez.

30
Abr15

Diferente mas igual


vanita

Já perdi a conta às roupagens com que este blog se vos apresentou ao longo de mais de oito anos. As mudanças não foram apenas estéticas e há toda uma evolução que se pode traçar sobre a minha vida, a forma de encarar o mundo, personalidade e vida profissional. Mudei outra vez, agora para um registo mais sóbrio. Tudo o resto se mantém igual, não vou fazer textos mais secantes nem alterar o tom do que escrevo. Mas talvez - não tenho a certeza -, neste momento, este seja mais o meu estilo. Espero que gostem.

29
Abr15

Outra vez out


vanita

Admito a minha ignorância. Não sei em que consiste o Uber. Ok, sei que é um serviço alternativo aos táxis e que se usa através de uma aplicação no telemóvel. Não sei mais nada. Minto. Sei que foi proibido em Portugal e que está meio mundo indignado. Aparentemente, a decisão privilegia o monopólio dos taxistas. Teme-se o fim dos tuc tuc, esses veículos assassinos e sem legislação que crescem como cogumelos isentos de impostos em qualquer canto da cidade. Estou tão out.

29
Abr15

Li isto e pensei num programa de televisão


vanita

"Também não quis ferir-me ou magoar-me. Costuma ser característica dos espíritos inferiores servirem-se da situação de desgraça em que alguém se encontre para exercerem a sua condescendência. Como têm em pouca conta a sua valia própria, julgam acrescentá-la com o sofrimento que sabem extrair de evocações, ambiguidades, ou inoportunas referências que incomodam os interlocutores.Esse avivar da infelicidade do próximo alevanta-lhes a alma e dá-lhes prazer, por qualquer razão estranha ao meu entendimento".

 

"Um Deus passeando pela brisa da tarde", Mário de Carvalho

28
Abr15

A Morte em Veneza, de Thomas Mann


vanita

image.jpg

Esta capa é linda, admirem lá!

 

Despertei a vontade de ler este livro por causa de um filme com a Marion Cottilard que nada tinha que ver com a trama de Thomas Mann. Apenas foi referido por uma personagem e cativou-me. Bastou uma das incontáveis promoções da Fnac e, em menos de nada, já o tinha em mãos para devorar. É mínimo, com pouco mais de 100 páginas e com esta capa fabulosa. Mas, vamos ao que interessa, e a história?


Ora bem, todos sabemos que isto da beleza é altamente subjectivo. Mas, quantos de nós não ficaram já - talvez algures no passado - fascinados com a ideia de Veneza? Uma cidade italiana feita de canais é quase imbatível no que diz respeito a cenários para deixar a mente deambular. Agora imaginem que a escrita de Thomas Mann, estranhamente, vos leva ao colo, com a destreza de um ser invisível, e vos faz viajar pela angústia que tudo o que é belo nos provoca. Deixem-se enlevar no feitiço com que a perfeição nos encanta e vistam a pele de um velho às portas da morte, deliciado com a êxtase da beleza efémera. É isto "A Morte em Veneza".

Há quem veja este livro como a descrição de uma relação homossexual platónica. Eu acredito que é tudo menos isso. Para mim, Thomas Mann reflecte sobre o encanto da juventude - a passageira juventude - nos últimos momentos de vida de um velho que nunca pensou algum dia ver-se encerrado num corpo flácido e idoso. A beleza da cidade contrasta com o cheiro putrefacto da doença, numa alusão à história que une estes dois seres. Lê-se num piscar de olhos mas fica para sempre. Recomendo.  

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