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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

24
Out14

Foi cá uma limpeza!


vanita

Uma pessoa arranja um namorado fantástico, que passa a semana preocupado em manter a casa limpa e arrumada, que acorda de manhã para me levar à estação quando o carro está na oficina e até se aventura na cozinha. Chega a sexta-feira e é isto. Esta noite dorme fora de casa.

22
Out14

"A planície em chamas", de Juan Rulfo


vanita

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O chão estalado e infértil de uma terra vazia que queima. Assim é o cenário comum que compõe os 17 contos de "A planície em chamas", do mexicano Juan Rulfo, um pequeno livro com menos de 150 páginas, com o peso de uma lição de vários anos de literatura. Nada aqui é simples ou fácil, o mundo dos homens confunde-se com a ausência de vida de uma terra escondida e inóspita que molda os comportamentos crus e brutais de seres humanos que nunca conheceram mais que a barbaridade e desesperança. As personagens deste livro são como o terreno seco e árido daquela região. Vida e morte intrometem-se sem desgraça aparente, num mundo onde a violência e devassidão humana são inexistentes por falta de contraste. Não há aragem, sopro de ar ou balão de oxigénio que liberte as histórias aqui contadas da total falta de esperança. Brilhantemente trabalhado, todas as frases de cada um dos contos constituem um tratado analítico de recursos estilísticos que não consigo abranger no seu todo. Ainda assim, apesar da realidade feia e pungente ali guardada, é difícil ficar indiferente perante a beleza que lhes dá forma. Não sou fã de contos, e foi com alguma resistência que avancei na leitura deste tão pequeno livro, até porque, estranhamente, o cenário atroz e um pouco onírico teve o condão de me fazer bocejar a cada duas palavras, mas nunca deixei de me render àquilo que dizem ser o embrião do realismo mágico. Este não é um livro para quem procura uma mera distracção no dia-a-dia agitado. É, sim, uma pérola para quem não tem medo de se reconhecer no pior do ser humano. A não esquecer.       

20
Out14

100 anos


vanita

Se fosse viva, a minha avó teria feito hoje 100 anos. Um século de vida que permanece tão vivo em cada um dos que cá ficámos. Espero que estejas agarrada à tua caneca com aquele sorriso da fotografia que não consigo encontrar, como tinha prometido que faria. Não tenho saudades porque nunca te senti longe. Vives no meu coração, como sempre.

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