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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

07
Ago14

Até arrepia!


vanita

E não, não estou a falar da água do mar. Há duas expressões que m'irritam para lá do normal. "Inveja boa" ou, mais sofisticado, "inveja branca". E "vergonha reflexa". Se a inveja nunca é boa, nem vale a pena argumentar por aí. Quanto à vergonha reflexa, é expressão que nem sequer existe, usada por quem acha que está a corrigir os parolos que usam "vergonha alheia". Causam-me urticária, as duas posturas. Não finjam o que não são. Deixem as invejas de lado, que isso até faz mal. Sejam elas brancas, cor-de-rosa, às bolinhas ou do Espírito Santo. E esqueçam essa coisa de corrigir o mundo inteiro. Se mais ninguém usa essa expressão, há um motivo para isso isso. Aliás, se mais ninguém usa e falamos uma língua viva, a expressão dominante é a válida. Pormenores.
06
Ago14

Ébola e a Gripe A


vanita

Se fosse a Gripe A já andávamos agarrados ao gel para desinfectar as mãos. Ontem, aterrou em Lisboa um avião com norte-americanos que estiveram na Serra Leoa onde o Ébola está activo e nem por isso foi preciso cuidado de maior. Garantem as equipas médicas que nenhum dos ocupantes do avião apresentava sintomas ou sinais de doença, pelo que, saíram todos pelo próprio pé, pernoitaram em hóteis da capital e regressaram ao seu destino em voos comerciais. Para quem não sabe, à semelhança de outras doenças, o Ébola conta com um período de incubação de cerca de 21 dias sem que os infectados tenham qualquer sintoma ou que a doença seja detectada através de exames. É altamente contagioso. Mas claro, desta vez não há necessidade de alarmar a população e vender gel de bolso para desinfectar as mãos.

04
Ago14

O livro choque do ano


vanita

Contra tudo e contra todos, li "A Culpa é das Estrelas", de John Green. Sou avessa às convenções e, sempre que possível, vou contra o que está instituído. Sim, eu, que arranquei o ano a ler os quatro volumes de "Guerra e Paz" e que terminei há pouco mais de uma semana "O Jogo do Mundo - Rayuela", escolhi o livro mais meditático e comercial do momento para lhes seguir. E, congelem se quiserem, não desgostei. São estilos e géneros incomparáveis, têm propósitos completamente distintos, mas são livros e, cada um com a sua função muito própria, preenchem requisitos e necessidades que não chocam, por estanho que possa parecer. Ler "A Culpa é das Estrelas" faz-se de um só fôlego, rouba-nos gargalhadas inesperadas e, oh cliché!,também nos surpreende com falta de ar e olhos rasos de lágrimas. É uma história cruel, de crianças a quem é resgatado o prazer de estar a começar uma vida porque o corpo delas decide crescer em forma de tumor maligno. É uma história de desesperança, contada com humor e na corda bamba de se tentar fugir ao sentimentalismo exacerbado que o tema exige. É também um livro bem escrito, que obriga a pensar e que chega a milhares de pessoas que, provavelmente, nunca tinham parado para imaginar aquele tipo de realidade. Ao mesmo tempo, é um livro que não arrepia quem passa por esse drama. Trata-se de um género literário bem distinto do que tenho vindo a escolher nos últimos tempos mas, pasmem, a complexidade do ser humano que todos somos permite-nos isso. E nem por isso nos traímos. O choque.
01
Ago14

Llosa depois de Cortàzar


vanita


O mundo é sacudido com um abanão digno de terramoto depois de lermos Julio Cortázar. Nada volta a ser igual. Depois da hecatombe, o equilíbrio até pode voltar a existir, mas nada permanece no lugar que ocupava antes. É como se a Terra encontrasse uma nova posição para descansar. Ora, neste novo mundo, ler Mario Vargas Llosa pode ser ingrato. Sobretudo se o livro que se segue for posterior ao título de Nobel da Literatura, como é o caso de "O Herói Discreto", que li depois de "O Jogo do Mundo - Rayuela", de Julio Cortàzar. Não li apenas o mais recente romance de Llosa, mas também todas as entrevistas que o autor deu na última semana a propósito da passagem por Lisboa e da atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade Nova de Lisboa. Diz Vargas Llosa à revista Atual, do Expresso:

"Com o tempo, passei a poder dedicar-me só à minha escrita, mas nunca gostei da ideia do escritor encerrado num quarto revestido de cortiça, como Proust. Nada disso. Eu gosto de ter pelo menos um pé na rua, na história que se vai fazendo a cada dia. É o que me leva a manter relações com a imprensa. Uma forma de não me desconectar da vida real".

A minha alma de repórter aplaude esta postura, também não gosto de perder o pé e de diálogos tão intelectuais que se distanciam por completo da vida do dia-a-dia e, por isso mesmo, são falíveis e, não raras vezes, responsáveis por raciocínios que partem de pressupostos errados e nos conduzem a ideias e convicções irreais e sem qualquer fundamento. Apesar da concordância com Mario Vargas Llosa, sobretudo porque a leitura deste romance que elogia a moral do homem comum se segue à viagem experimental que abala convicções de Cortàzar, não consigo deixar de ser um pouco dura com este livro. Está bem escrito, tem argumento mas é esforçado - creio que tanto para o leitor como para o escritor. Há ideias e cenas repetidas até à exaustão, a trama desvenda-se a pouco mais de meio do livro e, até ao final assiste-se a um encher de páginas que chega a ser penoso. É Llosa, está bem escrito, vale a pena ler e recomendo a quem quiser um bom romance para fazer companhia na praia. Mas veio depois de Cortàzar e, depois de um terramoto, nada fica no seu lugar. Nem o Nobel.

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