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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

17
Abr19

Distribuir educação


vanita

O mais difícil, para mim, será sempre o entender que há muito quem não ligue patavina a questões de bom senso, honra e moral. As decisões impõem preceitos óbvios que são, mais vezes do que gostaria de reconhecer, totalmente ignorados e atropelados por uma maioria de medíocres que, dessa forma absolutamente asquerosa, se destacam em demasiadas posições de pequenos poderes. Há dias em que custa não distribuir educação.

11
Abr19

Instruções para espreitar a Caixa dos Segredos


vanita

O bom deste blog está cá dentro. Revirem-no ao calha, espreitem pelo calendário, naveguem ao sabor dos dias e das sugestões que vão surgindo. Como numa gaveta de recordações, há surpresas em cada esquina, textos divertidos, frases sentidas, reflexões profundas. De cada vez, descobre-se uma nova alegria. Arrisquem-se.

07
Mar19

De onde vem este ódio pelas mulheres?


vanita

Os números já cansam mas nunca pesaram tanto. Desde o início do ano morreram 12 mulheres (serão mais?) vítimas de violência doméstica em Portugal. Nas últimas 24 horas, foram encontrados três cadáveres, se não contarmos com mãe e filha carbonizadas num carro em Lagoa de Albufeira. Às vésperas do Dia da Mulher (venham lá falar-me em jantares de gajas e maquilhagem que vão ver), estes números assumem o peso da tragédia com maior intensidade. Um cenário que ganha maior dimensão com as polémicas em torno do juiz Neto de Moura e das suas decisões absurdas que em nada protegem as vítimas da crueldade alheia. É impossível continuar a atirar com areia para olhos e fingir que nada se passa. É imperativo adoptar políticas sérias e imediatas que combatam a demora de resposta do Estado perante casos há muito sinalizados como problemáticos. Se não queremos falhar como sociedade, temos de garantir que os mais desfavorecidos - mulheres, crianças, idosos e todos quantos necessitem - se sintam seguros quando a sua integridade física é posta em causa. Não podemos continuar a alimentar o medo. A violência galopante destes últimos meses traz o mesmo alerta que os incêndios de verão dos últimos anos: estamos a falhar e não podemos continuar a fazê-lo. Os números envergonham-nos. É tempo de assumir o flagelo e dar luta ao problema. Não sei de onde vem este ódio pelas mulheres. Sei que temos de o travar. Hoje é um bom dia para começar.

13
Fev19

Náusea de dor


vanita

O tecto do quarto  gira ao encontro da tijoleira do chão, mesmo ali ao meu lado, na cama. Uma ameaça de vómito sobe pela espinha e o rubor chega junto da nuca, onde o pânico se mistura com o mal-estar e o medo de desmaiar. A angústia da dor aliada ao luto pela idade que me é roubada. Respiro tanto mais do que já vivi, sou uma velha enclausurada num corpo estragado que devia ser ainda jovem, um corpo que esconde o mal que me faz dia após dia. Sem amigos, isolada, sem energia ou capacidade de resposta, lamento a dor mas nunca baixo os braços. Quem não está não faz falta. Por mais que doa, nada dói mais que os espasmos que só encontram algum sossego na posição fetal onde, numa névoa agonizante, assisto ao encontro do tecto com a tijoleira do chão. São dias febris, duros e de muita solidão, estes em que sou grata por quem me ampara. Vale tudo por eles. Por quem não me esquece, por quem me ama.

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