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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

21
Mai19

Não se deixem morrer


vanita

Não sei quando foi que me matei mas houve um momento, num espaço indefinido que não consigo resgatar desta minha tão puída memória, em que optei por não me mostrar, por me esconder, por não me dar, que é como quem diz, por me matar. Tempos houve em que este blog e eu éramos um só. Pensava com o teclado, vibrava com o desenho que os pensamentos difusos assumiam enquanto pousava os polegares no ecrã do telemóvel e construía alguns dos textos que mais gosto de reler quando neles tropeço. Tempos houve em que era o desafio que traçava horizonte. Lançava-me sem medo de julgamentos e escrevia muitas vezes como numa fábrica de testes e ideias. E divertia-me com isso. Oh, como me divertia. Mas nesse tempo perdido no espaço que não consigo recuperar, mutilei-me. Matei o espírito livre e criativo que sempre viveu dentro de mim e fechei-o numa sala tão escura que não o tenho consigo resgatar, acredito mesmo que morreu. E de quem pode ser a culpa se não minha? Por mais razões que encontre, a decisão terá sempre sido minha. Foi a falta de coragem que me matou. Porque acreditei em quem me descredibilizou, dei força e convicção aos preconceitos e ideias feitas de quem nunca perdeu mais do que dois segundos para ler o que eu escrevia e anulei-me sem pensar no que perdia. Ainda hoje alguém dizia que a criatividade precisa de ser estimulada, sobre pena de morrer aprisionada. Como é que deixei que isto acontecesse? Se vos servir de aviso, nunca dêem ouvidos a quem vos vê menos do que são. Não deixem de se levar apenas por que há quem não acredite no vosso potencial. Cada um de nós pode ser o que quiser. E mesmo que vos tirem o tapete do chão, que sejam humilhados ou encostados, não desistam. Há sempre outro mundo lá fora. Não deixem que vos matem.

17
Abr19

Distribuir educação


vanita

O mais difícil, para mim, será sempre o entender que há muito quem não ligue patavina a questões de bom senso, honra e moral. As decisões impõem preceitos óbvios que são, mais vezes do que gostaria de reconhecer, totalmente ignorados e atropelados por uma maioria de medíocres que, dessa forma absolutamente asquerosa, se destacam em demasiadas posições de pequenos poderes. Há dias em que custa não distribuir educação.

11
Abr19

Instruções para espreitar a Caixa dos Segredos


vanita

O bom deste blog está cá dentro. Revirem-no ao calha, espreitem pelo calendário, naveguem ao sabor dos dias e das sugestões que vão surgindo. Como numa gaveta de recordações, há surpresas em cada esquina, textos divertidos, frases sentidas, reflexões profundas. De cada vez, descobre-se uma nova alegria. Arrisquem-se.

07
Mar19

De onde vem este ódio pelas mulheres?


vanita

Os números já cansam mas nunca pesaram tanto. Desde o início do ano morreram 12 mulheres (serão mais?) vítimas de violência doméstica em Portugal. Nas últimas 24 horas, foram encontrados três cadáveres, se não contarmos com mãe e filha carbonizadas num carro em Lagoa de Albufeira. Às vésperas do Dia da Mulher (venham lá falar-me em jantares de gajas e maquilhagem que vão ver), estes números assumem o peso da tragédia com maior intensidade. Um cenário que ganha maior dimensão com as polémicas em torno do juiz Neto de Moura e das suas decisões absurdas que em nada protegem as vítimas da crueldade alheia. É impossível continuar a atirar com areia para olhos e fingir que nada se passa. É imperativo adoptar políticas sérias e imediatas que combatam a demora de resposta do Estado perante casos há muito sinalizados como problemáticos. Se não queremos falhar como sociedade, temos de garantir que os mais desfavorecidos - mulheres, crianças, idosos e todos quantos necessitem - se sintam seguros quando a sua integridade física é posta em causa. Não podemos continuar a alimentar o medo. A violência galopante destes últimos meses traz o mesmo alerta que os incêndios de verão dos últimos anos: estamos a falhar e não podemos continuar a fazê-lo. Os números envergonham-nos. É tempo de assumir o flagelo e dar luta ao problema. Não sei de onde vem este ódio pelas mulheres. Sei que temos de o travar. Hoje é um bom dia para começar.

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