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caixa dos segredos

Bocados de mim embrulhados em palavras encharcadas de emoções. Um demónio à solta, num turbilhão de sensações. Uma menina traída pelas boas intenções.

05
Dez19

Sugestão de Natal


vanita

Este ano entreguem 50 euros a cada filho e digam-lhes que o Natal está por conta deles, que são eles que vão tratar das prendas. Passado o primeiro impacto, expliquem que são eles os responsáveis pelas prendas de Natal de toda a família, com esses mesmos 50 euros. Peçam-lhes para fazerem um plano de compras e decidirem o que querem oferecer a quem com esse dinheiro. Vejam-nos esgrimir argumentos e sofrer na tentativa de encaixar as soluções no orçamento definido. Quando finalmente tiverem optado por dar rebuçados a toda a gente, ou prendas feitas à mão, cujos materiais para as fazerem também terão de pagar, apresentem o golpe de misericórdia: também são eles os responsáveis pela ceia de Natal. Com os mesmo 50 euros. Serão obrigados a decidir que a consoada vai ser “batido de atum para toda a gente” ou algo muito parecido. Analisem os resultados finais, riam-se do Natal que vão passar todos juntos e divirtam-se com as soluções encontradas. Certifiquem-se que, pelo menos, sobra para uns sonhos natalícios. No fim da brincadeira expliquem que, desta vez, ainda são os pais que tratam do Natal e revelem o verdadeiro orçamento familiar para este ano. No fim digam-lhes que podem ficar com os 50 euros para se lembrarem sempre desta lição. E deixem-nos decidir o que fazer com o dinheiro. Eles merecem.

03
Dez19

Sei o meu valor


vanita

Quando leio algumas das ideias que aqui fui escrevendo ao longo dos anos sinto saudades da pessoa que fui. Não de todas, fui várias em todos estes anos, mas desta final, mais interventiva, sem papas na língua, muito consciente do mundo que a rodeia e com ideias que revelam boa conduta moral. Não digo isto em forma de autoelogio. Até porque, a ser um elogio, seria em relação a essa pessoa do passado onde já não me reconheço totalmente. E é mesmo esse sentimento que me retira do marasmo de não escrever posts. Ninguém nos avisa disto. Ninguém nos diz que, depois de tudo, também nos cansamos e baixamos os braços, ninguém nos conta que há uma altura em que as coisas deixam de ter importância, ou, melhor explicado, deixamos de nos esforçar e optamos por um lugar à retaguarda. Não sei se é dos 40 (e picos), mas a verdade é que já não tenho paciência para guerras, lutas e combates. Sei, finalmente, o meu valor e estou pouco interessada para o que os outros pensam. Mesmo que doa, não me toca. Cada um é responsável pelas suas próprias atitudes e eu apenas me preocupo com as minhas.

03
Jul19

Está tudo bem, obrigada!


vanita

Às vezes, mais do que gosto de admitir, sinto falta de algumas pessoas e penso que podia voltar a procurá-las e retomar as relações que ficaram congeladas nestes ritmos parvos da vida adulta. Recrimino-me por uns momentos: por tudo e por nada. Mas depois lembro-me que nenhuma dessas pessoas me voltou alguma vez a procurar. Nem uma. Parecem muitas mas, ainda que fosse apenas uma, já seria o suficiente. A verdade é que há muito mais excepções que, sendo em maior quantidade, invertem a regra. Sim, as pessoas procuram-se e preocupam-se e mantêm contacto apesar do ritmo alucinado dos dias. E sim, é possível falar com alguém apenas uma vez por ano e sentir que está tudo no lugar que deve estar. Infelizmente, também existem pessoas com quem nada disto resulta. As relações têm prazos? Haverá algumas que sim. A amizade não tem. E é este o barómetro. Amigos são aquelas pessoas com quem estará sempre tudo no sítio certo. Mesmo que seja uma vez por ano, ou menos do que isso. Porra, e levei 40 anos a perceber esta merda. 

21
Mai19

Não se deixem morrer


vanita

Não sei quando foi que me matei mas houve um momento, num espaço indefinido que não consigo resgatar desta minha tão puída memória, em que optei por não me mostrar, por me esconder, por não me dar, que é como quem diz, por me matar. Tempos houve em que este blog e eu éramos um só. Pensava com o teclado, vibrava com o desenho que os pensamentos difusos assumiam enquanto pousava os polegares no ecrã do telemóvel e construía alguns dos textos que mais gosto de reler quando neles tropeço. Tempos houve em que era o desafio que traçava horizonte. Lançava-me sem medo de julgamentos e escrevia muitas vezes como numa fábrica de testes e ideias. E divertia-me com isso. Oh, como me divertia. Mas nesse tempo perdido no espaço que não consigo recuperar, mutilei-me. Matei o espírito livre e criativo que sempre viveu dentro de mim e fechei-o numa sala tão escura que não o tenho consigo resgatar, acredito mesmo que morreu. E de quem pode ser a culpa se não minha? Por mais razões que encontre, a decisão terá sempre sido minha. Foi a falta de coragem que me matou. Porque acreditei em quem me descredibilizou, dei força e convicção aos preconceitos e ideias feitas de quem nunca perdeu mais do que dois segundos para ler o que eu escrevia e anulei-me sem pensar no que perdia. Ainda hoje alguém dizia que a criatividade precisa de ser estimulada, sobre pena de morrer aprisionada. Como é que deixei que isto acontecesse? Se vos servir de aviso, nunca dêem ouvidos a quem vos vê menos do que são. Não deixem de se levar apenas por que há quem não acredite no vosso potencial. Cada um de nós pode ser o que quiser. E mesmo que vos tirem o tapete do chão, que sejam humilhados ou encostados, não desistam. Há sempre outro mundo lá fora. Não deixem que vos matem.

17
Abr19

Distribuir educação


vanita

O mais difícil, para mim, será sempre o entender que há muito quem não ligue patavina a questões de bom senso, honra e moral. As decisões impõem preceitos óbvios que são, mais vezes do que gostaria de reconhecer, totalmente ignorados e atropelados por uma maioria de medíocres que, dessa forma absolutamente asquerosa, se destacam em demasiadas posições de pequenos poderes. Há dias em que custa não distribuir educação.

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