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09.08.17

Paraliteratura e paraleitores

por vanita

Esta manhã li uma belíssima entrevista ao Francisco Vale, editor da prestigiada Relógio d'Água. Saiu no Diário de Notícias. Uma conversa excepcional sobre o mercado editorial e livreiro, o mundo literário e as suas dificuldades e uma série de considerações que vale a pena discutir. Concordando ou não com tudo o que se diz - a divergência de ideias gera os mais interessantes debates - gostei particularmente da distinção que se faz entre literatura e aquilo que Francisco Vale chama de paraliteratura. Porque, de facto, é mesmo disso que se trata. Há livros e há LIVROS. E, posto da forma como ele o explica, não há como o negar. Saber escrever não é ser escritor. Não em termos literários. E, definitivamente, não são os cursos de escrita criativa que dotam quem quer que seja dessa capacidade que distingue os melhores. Alargo o conceito para os leitores, pensando sobretudo em quem devora mais de cinco ou seis livros por semana (!). Sim, é uma realidade e existe. Saber ler não é ser leitor. Folhear com sofreguidão página atrás de página sem pausas para assimilar conhecimentos, ponderar e absorver o que se leu pode ser comparado com a paraliteratura. Chamar-lhe-emos paraleitores, seguindo a mesma linha de raciocínio. Talvez estejam aptos para a paraleitura, mas nunca serão verdadeiros leitores. Ler requer bem mais do que acumular páginas lidas.   

publicado às 13:36

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