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09.08.17

Dos que ficam

por vanita

Um dia destes li uma entrevista antiga da Dália Madruga. Ela fez um apelo para encontrarem o cão que estava perdido e, como era pinscher como a Sasha, acompanhei tudo com mais atenção e achei curioso que o anúncio tivesse sido feito no Alentejo. É nestes pequenos pormenores que me apercebo do quão afastada já estou deste meio social e artístico: não fazia a mínima ideia de que ela agora estava a morar fora de Lisboa e fui pesquisar. Gosto da Dália Madruga e, das entrevistas que li, percebi que está feliz, a construir uma família longe dos holofotes e do burburinho da fama. Também gosto disto. Mas fixei-me numa frase que ela disse à CARAS quando lhe perguntaram do que sentia mais falta, agora que estava mais distante do circuito mediático. Singelamente, ela respondeu que sente falta da irmã, dos sobrinhos e dos pais. Da família nuclear. E explicou como em pouco tempo o telefone foi deixando de tocar, como se tem tantos amigos quando se está em Lisboa, no centro da acção, e como essas mesmas pessoas desaparecem sem deixar rasto em menos de nada. De como não sente falta disso. Fixei-me nisto e não pude deixar de me identificar. Também o meu telefone deixou de tocar desde que deixei o jornalismo. Lembro-me de como quando comecei na assessoria alguém comentava a vida social que eu tinha porque, no início, ainda fazia os mesmos horários e programas de sempre: saía para jantar a desoras durante a semana, tomava pequenos-almoços com as amigas antes de ir trabalhar sem o espartilho de picar o ponto, ia às festas das estações de televisão e das revistas e continuava a assistir às gravações em estúdio de alguns programas. Aos poucos tudo isso acabou. A vida comum não é compatível com o que até então eu considerava normal. Mas com isso, também o telefone deixou de tocar. E hoje, tal como a Dália Madruga, também digo que é da minha família que mais sinto falta. Os outros ficaram quase todos pelo caminho.

publicado às 00:39

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