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caixa dos segredos

12
Set17

Devia de ser proibido


vanita

Há quatro jogos marcados para o dia das eleições autárquicas. Pela segunda vez, repete-se o desrespeito total pelo exercício do sufrágio universal. Em dia de eleições as atenções devem de estar única e exclusivamente viradas para essa questão. Se cada um pretende ou não fazer uso do seu direito enquanto cidadão, já é a democracia a funcionar. Agendar jogos que movimentam massas distraindo-as do seu dever cívico soa-me a prepotência e indiferença. E que país, que cidadãos, somos quando nos damos do luxo de ignorar o próprio destino? Há compromissos comerciais que envolvem largas quantias de dinheiro? Também há regras e valores que se devem sobrepor à ditadura dos mercados.

07
Set17

Reclamar, pois então!


vanita

Tinha pouco tempo para almoço e não tinha conseguido arranjar marmita. Às onze da manhã, encomendei uma salada numa conhecida empresa de entrega de pizzas, com pedido para entrega às 13h00. Eram 13h35 quando a alface mal enjorcada aterrou em cima da minha mesa. Perante a minha pergunta pela razão da demora, recebo uma resposta irónica: "Quer que leve para trás e traga outra?". Assim mesmo, com um ar sério a esconder a petulância. Reclamei, claro.

Nos dois dias seguintes, tive de relatar isto várias vezes. Uma por cada um dos mil telefonemas que recebi da comissão que trata da imagem da marca de pizzas. Foi mal atendida? Que horror, conte-nos o que aconteceu. E eu contei. Uma, duas, três, seguramente mais de quatro vezes. No final disseram-me que teria direito a 50 por cento de desconto no próximo pedido. Já o fiz e optei por não fazer uso dessa benesse. Teria muito que explicar e seria cansativo.

Curiosamente, nesse mês, fui abordada pela oficina do carro para agendar a revisão. E eu, que sim senhor, que grande ideia, estava mesmo a pensar nisso. Já agora, aproveitava a viagem e fazia a reparação de um sinistro já pago à vossa empresa, que tem ficado esquecido há quase um ano, aí nos vossos ficheiros. Com certeza, tratamos já disso. Em menos de nada, o responsável pelo departamento de sinistros liga e agenda - quase sem hipótese de escolha - para o fim do mês. Mas olhe, alerto com bastante assertividade, quero conciliar isso com a revisão e inspecção do carro. Pois, claro, os meus colegas vão ligar para tratar disso.

Durante três semanas enviei mails e fiz telefonemas. Nunca obtive qualquer resposta, nunca me atenderam o telefone. O dia de reparação chegou sem que me voltassem a responder quanto à revisão, a verdadeira razão pela qual me ligaram inicialmente. Lá deixámos o carro e, que remédio, agendámos a revisão para data posterior. Tudo certo, até começarem os telefonemas de avaliação. Esses nunca falham, certo? Então porque é que nos atribui o valor de quatro se pode dar-nos até dez valores pela prestação do serviço. E vá de relatar este relambório todo várias vezes. Duas vezes na mesma manhã, três vezes, quatro vezes. Sabe, é que aqui no relatório da minha colega não temos acesso a todos os caracteres e não conseguimos entender o que se passou. E eu explico, pela milionésima vezes. As vezes todas que me pedem. Com poucos minutos de diferença entre os vários telefonemas. Pedimos imensa desculpa, tivemos uma anomalia nos mails. Ah, e nos telefones também. Ok, ok, só queria que deixassem de me ligar por causa disto, estou a tentar trabalhar. Quando quis que me atendessem o telefone nunca tive sorte. Tem toda a razão. Vou-lhe só pedir que, no fim deste telefonema, responda a um inquérito que lhe vão fazer sobre a minha prestação nesta chamada. Tenham a santa paciência, mas não. Tivessem o mesmo empenho no atendimento aos clientes que põem na notoriedade da empresa e nem sequer aqui estaríamos.

05
Set17

Precisamos de recomeços


vanita

Bem melhor que o gélido Janeiro, Setembro chega cálido e envolto em promessas que se esfumam nas suaves memórias dos dias longos de Verão. Secretamente, abraçamos com saudade a rotina do desconfortável assento do que é mecânico e conhecido. É bom regressar aos dias iguais e sem surpresas. São o que mais falta nos faz quando perdemos o pé ao ciclo da vida. Precisamos de recomeços, para nos agarramos ao (in)certo.

03
Set17

Já lá vão cinco anos


vanita

Pensei que era um intervalo, um interregno até desejado. A vida de jornalista é exigente e muito cansativa. Há cinco anos já não trazia muita realização e abracei a novidade com apreensão - nunca quis abandonar as redacções - mas com a certeza de que novas experiências são sempre benéficas e iria tirar o máximo proveito disso. Troquei o jornalismo pela assessoria de imprensa - oh, sacrilégio. Mas nunca imaginei que cinco anos depois ainda não tivesse voltado a renovar a carteira de jornalista. Profissões irmãs que são incompatíveis, pelo menos de lá para cá, que é como quem diz, do jornalista para o assessor, já que este não pode fazer o seu trabalho sem redacções. "Pensa nisto como uma fase. Daqui a dois anos ou três estás de volta", disse-me um veterano dos jornais. E eu acreditei que podia ser assim. Não foi e é com o coração partido que percebo que dificilmente será: o volume de vendas e o anúncio de fecho de títulos de imprensa é tudo menos animador. Já todos perceberam que é necessário mudar o paradigma da comunicação social mas ainda há muito ruído quanto ao caminho a seguir. E aquilo que era um intervalo para mim, tem sido bastante elástico a albergar cada vez mais colegas. Éramos poucos, passámos a alguns e agora estamos quase todos do outro lado da barricada. Gente talentosa e com ambição, jornalistas criativos e provas dadas, a crise que afecta a imprensa não poupa ninguém. E enquanto isso, conto cinco anos de intervalo. Até quando?

01
Set17

O que fazer com este blog?


vanita

Noventa por cento dos meus leitores são leitoras. Mais de 70 por cento são visitantes recorrentes e, o que mais me espanta, a grande maioria tem entre 35 a 44 anos. Velhas, penso eu. E depois percebo que são da minha idade. Quase 60 por cento das pessoas que se dão ao trabalho de ler o que aqui escrevo são meninas que já por aqui param há algum tempo. Apenas 40 por cento tem entre 25 e 34 anos, que era a faixa etária onde eu estava quando comecei esta aventura. Pelos vistos, já nada do que tenho para dizer interessa aos mais novos. O mundo dos blogs mudou tanto desde aqueles meados da primeira década dos anos 2000 que praticamente nenhum dos blogs que mais gostava de ler está activo. Salvam-se honrosas excepções, que espero que assim se mantenham. Mas o público descobriu os blogs de ouro. Especializaram-se, deram a cara, assumiram uma edição cuidada e pensada para o leitor e eu, por escolha própria e consciente, não alinhei nisso. Actualmente, os blogs dividem-se por categorias: lifestyle, crianças, cinema, política, fotografia, cozinha, o que quer que seja. São produtos de marketing, pensados e dirigidos para mercados específicos. Não há cá desta coisa de se escrever apenas porque sim. Melhor: há, mas fica apenas no quintal de cada um. E o meu quintal são as miúdas da minha idade que ainda por cá costumam passar. Por hábito, quem sabe. Nada mais. E eu tenho cada vez menos a dizer. Não gosto que me julgem e, sabendo que o fazem, prefiro que tenham pouca lenha para alimentar o fogo. Opiniões, histórias pessoais e ideias mirabolantes que me passam pela cabeça, ficam no crivo cada vez mais apertado que - sem que o tenha previsto - imponho a mim mesma antes de publicar. Surge a pergunta, sem resposta: o que fazer com este blog? 

31
Ago17

Mimos à mão, da Lita Handmade


vanita

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A minha mãe é a pessoa mais talentosa que conheço. Faz trabalhos manuais - crochet, trictot, renda, costura, ponto de cruz, arraiolos... e sei lá mais o quê! - apenas por diversão e tudo lhe sai maravilhosamente bem. Agora resolveu mostrar ao mundo o que faz e criámos uma página para quem estiver interessado em fazer-lhe pedidos. Está no FB e aberto aos vossos pedidos. Basta enviarem mensagem. É tudo feito com amor. E com garantia de qualidade. Sou eu que a dou.

31
Ago17

Lady Di, a Princesa do Povo


vanita

Lembro-me da mini-saia e da blusa que tinha vestida quando cheguei a casa naquela noite quente de Agosto. Lembro-me que cheguei bem tarde - mais de manhã - e de ter ficado em estado de choque. Na televisão dizia-se que a Princesa Diana, Lady Di à altura, tinha morrido em Paris, num acidente carro. Foi como se o mundo tivesse congelado naquele momento. Eu tinha 18 anos e ainda não sabia que era possível haver reviravoltas deste tamanho no decorrer da História. A Princesa do Povo, como lhe começaram a chamar logo de seguida, era uma das personagens principais no guião que se escrevia por aqueles tempos. O género George R. R. Martin ainda não se tinha popularizado e a morte, aos 36 anos (!), de uma das figuras mais emblemáticas de sempre não cabia no entendimento que tinha do mundo. Faltava pouco para o nascer do sol mas lembro-me que já não consegui dormir. As notícias ainda eram baseadas em rumores e senti que, se adormecesse, estava a aceitar que o pesadelo era mesmo verdade. Uma angústia que se enrolou durante uma semana, o tempo que decorreu até ao funeral, e ficou travada num nó na garganta em dois irrepetíveis momentos: na voz embargada de Elton John a entoar o "Candle in the Wind" e quando William e Harry acompanharam pelo próprio pé o cortejo fúnebre da mãe. Um desgosto espelhado no envelope endereçado à "Mummy" por cima do caixão da Princesa Diana.

 

Adenda: Das coisas curiosas: num hospital em Paris, nessa mesma noite, nascia uma prima minha.

30
Ago17

Rápidos no gatilho


vanita

Um dia destes encontrei um cartão do cidadão de um miúdo a caminho do comboio. Percebia-se perfeitamente que tinha acabado de cair ao chão, mas não consegui localizar o dono. A estação estava vazia, tinha acabado de sair um comboio. Acto imediato, penso que o melhor era publicar a foto do cartão no FB, para chegar mais rapidamente ao dono. Convém aqui explicar que quem entra por aquele lado da plataforma não passa pelas bilheteiras, pelo que, ir lá deixar o CC seria desviá-lo completamente do caminho que o dono tinha feito. Foi uma experiencia alucinante. No caminho até ao emprego aconteceu de tudo na minha página de FB. Desde amigas que rapidamente encontraram o perfil do dono, coisa que eu ali, limitada ao telemóvel, ainda não tinha conseguido fazer, a conhecidos que se apressaram a partilhar a mensagem nos seus murais, por serem ali da zona e, nunca se sabe se não está mais perto do que imaginávamos, a quem não tenha perdido dois segundos que fossem para começar a criticar: que devia ter deixado o cartão na bilheteira; que tinha de ir JÁ à polícia; que tinha de apagar os dados do cartão. Ouvi de tudo e, ao mesmo tempo que resolvi o caso, também apanhei uma camada de nervos. Acusaram-me de tudo o que foi possível em 40 minutos, com uma rapidez e desenvoltura que me fez repensar a dimensão destas discussões parvas que todos temos nas redes sociais. Porque sim, de uma maneira ou de outra, todos tinham a sua quota de razão. Mas poucos foram os que pararam para pensar que: 1) o mundo não se move à velocidade de likes e comentários; 2) as pessoas têm uma vida e não vão assim para a esquadra da polícia entregar cartões do cidadão quando estão a caminho do trabalho; 3) quando alguém está a tentar ajudar, criticar vale de muito pouco. Atrapalha, até. Em menos de uma hora tudo foi resolvido, é certo. O post foi apagado, o cartão foi entregue e ninguém saiu a perder. Só a sanidade de quem acha que está a fazer uma boa acção. É que hoje em dia, somos todos muito rápidos no gatilho.

25
Ago17

Não há insubstituíveis


vanita

Empalideci na primeira vez que ouvi esta expressão. Saiu com naturalidade da boca de uma superior e senti-me imediatamente posta em causa. A mim, que não podia ser melhor profissional. Não demorei muito a entender o verdadeiro teor desta frase e, desde então, tem sido o mantra da minha relação com o mundo do trabalho. Não há insubstituíveis. Por melhor e mais determinantes que sejamos, por mais excelente e único que seja o resultado do nosso esforço, o mundo continuará a girar se lhe faltarmos. E mesmo que, eventualmente, se dê pela nossa falta, nunca será por muito tempo. Por isso, como exercício de final de semana, vamos todos repetir mentalmente: não há insubstituíveis, não há insubstituíveis, não há insubstituíveis. Não é uma sentença, é um modo de vida. Que, garanto, nos deixa a todos mais tranquilos. 

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