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09.06.17

A imaturidade dos que não crescem

por vanita

Estou a ler um livro que é uma seca, mas uma seca tão grande que se confunde o com o tédio dos meus dias. Depois sou obrigada a ler textos antigos que escrevi neste blog - já vos contei que anda alguém avidamente a devorá-lo, certo? Adorava saber quem é, apresente-se! - e oscilo entre a vergonha e o espanto. Há por aqui bom material, tenho de reconhecer, mas também há muita imaturidade e falta de experiência. É animador notar o crescimento mas, como disse, também é entediante. Leio agora num dos destaques no SAPO que a escrita precisa de rugas e concordo em absoluto. Precisa, pois. E de experiência e de leitura, de empatia e entrega. Só assim se torna intemporal, tão intemporal como o mendigo mal-disposto do metro, aquele que há mais de vinte anos solta impropérios nas carruagens onde entra. Cruzei-me com ele há minutos e, caramba, feitas as contas, anda cá há tanto tempo como eu. Conheço-o desde que entrei para a faculdade e já foi há um bom par de vidas. E sim, o livro que estou a ler é tão fastioso que prefiro escrever ideias soltas a dar-lhe rédea nestes vinte minutos de comboio até casa. É preciso ganhar rugas para saber o que dizer. Acumular vida e desespero para saber esconder em palavras secas a emoção que agarra o leitor. O livro que estou a ler é uma seca. E não, não vos vou dizer qual é. Para não vos entediar.

publicado às 18:59

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