Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]


30.06.17

Van Gogh Alive The Experience, na Cordoaria Nacional

por vanita

IMG_0997.JPG

 

IMG_0999.JPG

 

IMG_1002.JPG

 

IMG_1006.JPG

 

É uma viagem pelo mundo e pelas ideias de Van Gogh, muito diferente das habituais exposições com quadros pendurados nas paredes. Van Gogh Alive The Experience é uma exposição concebida para provocar sensações aos visitantes. Com música, movimento e projecção de quadros e textos do artista em vários ecrãs, numa sala escura, a ideia é que, por uns momentos, se tente perceber a mente do pintor holandês. E para isso, é preciso entrega por parte dos visitantes, para se deixarem cativar por tantas ideias fervilhantes, ao mesmo tempo que se deliciam com a evolução nas técnicas de pintura que são bem visíveis nos quadros que rodopiam ao ritmo da música que os acompanha. Estive lá ontem, no cocktail de inauguração, e por momentos deixei-me fundir nessas angústias e ideias de Van Gogh que, sendo de finais de século XIX, são estranhamente tão iguais às minhas neste início do século XIX. A exposição está aberta ao público a partir de hoje, na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Fica a sugestão.

publicado às 09:12

29.06.17

O dia das más notícias

por vanita

Há sete anos fechou o jornal onde eu trabalhava. Há cinco, disseram-me que ia de férias mas já não precisava de voltar, que o meu contrato não ia ser renovado. A primeira atingiu-me como a lâmina de uma faca que deslizou com suave frieza e acertou em cheio no meu coração. A segunda foi uma revoada de ar fresco que me libertou de uma prisão onde não gostava de estar. Foram lições duras. Dias em que apreendi o pior que o mundo pode ter, dias em que me pus em causa - a mim e a todos os meus defeitos. Dias em que fui abaixo e, por instantes eternos, acreditei que não ia conseguir voltar a retomar o rumo dos dias com normalidade. É difícil fazer parte de uma lista de rejeitados, é duro aceitar a dispensa do trabalho que fazes. Mais que isso, é complicado lidar com as emoções que determinam todos esses comportamentos: os meus e os dos outros envolvidos. Hoje passam sete anos, passam cinco anos, e é apenas um dia normal. A vida está cá para nos ensinar isto mesmo: até os piores dias da nossa vida, eventualmente, acabarão por se desvanecer no tempo que passa. Fica apenas uma ligeira amargura, tão nostálgica que lhe dá alguma graça.  

publicado às 18:18

28.06.17

Tudo isto é sinistro

por vanita

As redes sociais são as novas fogueiras da inquisição. Desde o peido do Salvador Sobral, às fotos da Carolina Deslandes, passando pelas opiniões pouco ortodoxas da Maria Vieira e parando em qualquer outra esquina que calha estar em alta no momento, as redes sociais são implacáveis. Demonizam e uniformizam ideias, opiniões e convicções. Passam a ferro quem ouse ter uma postura que se determina inaceitável e reduzem qualquer um ao mínimo desprezível, com uma volatibilidade assustadora, sem grande critério e com certezas inabaláveis. O debate perde interesse quando é levado ao exagero e, infelizmente, as redes sociais há muito que deixaram de ser sensatas. Talvez porque a individualidade tem muito peso. Somos muitos a apontar dedos. Está na hora de acalmarmos um pouco.

publicado às 19:51

26.06.17

Nunca recebi a carta de Hogwarts

por vanita

Vinte anos depois de J. K. Rowling ter criado o universo mágico onde decorre a história de Harry Porter, é com desgosto que admito: sou muggle. Mas apenas em termos práticos, porque nunca recebi a carta de acesso a Hogwarts. Fora isso, todo o meu coração vibra com a mesma magia que uniu Harry, Ron e Hermione em aventuras que fizeram viajar, a mim e a tantos outros, pelas páginas e filmes que dão vida à trama que marca uma geração. Pobres dos que nunca se deixaram levar por esta fantasia. Eu também comecei por rejeitar. Foi só ao quarto livro, quando estreou o primeiro filme, que resolvi dar o benefício da dúvida a esta saga juvenil. Até então, não entendia o fascínio por mais uns livros para crianças. Ou melhor, sempre soube que os ingredientes destas histórias quando agarram, agarram mesmo. E esperava mais do mesmo. Não estava preparada para isto: os livros não eram meramente infantis. As lições, quando são essenciais e estruturais para o bom relacionamento entre os seres humanos, são sempre universais. Mesmo quando se passam em mundos mágicos paralelos como esse a que os Muggles não têm acesso. O bem, o mal e o tão difícil de aceitar cinzento que os une é o mote de sucesso desta história que tantos ainda desconhecem. Da minha parte, acredito que a dita geração Harry Potter, a que cresceu a sonhar com a tal carta de Hogwarts, tem bases para que os seus membros sejam melhores pessoas, mais atentas e conscientes do mundo que as rodeia, mais interventivas e sem medo de dar voz às suas crenças e lutas. E se isto não é de louvar, não sei o que será. Para sempre, J. K. Rowling. PS - continuo à espera da minha carta

publicado às 18:34

23.06.17

Esta coisa de ter cara de miúda

por vanita

Tenho quase 40 anos, trabalho desde os 14, sai de casa aos 18, mudei de residência umas seis ou sete vezes e já passei por muitas áreas de trabalho, muitas reviravoltas da vida e um rol de histórias para contar. O metro e meio com que apresento a cara de miúda que ainda tenho, rouba-me credibilidade. Por lisonjeador que seja uma mulher parecer mais nova, fazem-me falta as experiências que já colhi.Vou fazer uma tatuagem na testa.

publicado às 01:14

20.06.17

O momento crítico de Marcelo

por vanita

Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os portugueses, bem pode pensar numa forma de recuar no branqueamento que adora fazer de todas as polémicas que vão surgindo. Esta não é, nem pode ser, altura de dizer que "foi feito tudo o que podia ser feito". Estamos de luto, estamos desgastados e angustiados com as notícias e com a realidade. Mas não queremos paninhos quentes. Queremos entender e encontrar soluções. Queremos evitar que uma desgraça destas se repita. A floresta não pode continuar à mercê dos picos de temperaturas mais altas. O país não pode continuar refém desta chaga que todos os anos nos deixa mais pobres. Não, não foi feito tudo o que podia ter sido feito. Mas é bom que se faça. Já. 

publicado às 13:12

18.06.17

Revolta

por vanita

Enquanto vejo os idosos que choram ao mesmo tempo que abandonam as suas casas com dificuldade, assisto ao desespero dos animais no sufoco das cinzas e oiço as histórias de quem se salvou por pouco das chamas que tudo fustigaram em volta, cresce uma revolta sem tamanho em mim. Mesmo que desta vez tenha sido por causa natural, que o início do fogo tenha sido causado com a queda de uma árvore por causa da trovoada seca, mesmo tenha sido essa a origem deste Inferno de Dante, caramba, se o mato estivesse limpo, não tinha tido tanto por onde arder. Não venham com merdas, toda a gente sabe isso. E todos os anos é o pobre povinho, o das aldeias, o que só conta para os votos eleitorais, é o povo que morreu na estrada, o que perdeu os filhos, os netos, as mães, pais, tios e avós, é esse povo que paga. Ano após ano após ano. Não há causas naturais que justifiquem as matas por limpar. Deixem-se de merdas.

publicado às 22:37

15.06.17

Em nome do pai

por vanita

Os filhos de Cristiano Ronaldo são apenas isso: filhos de Cristiano Ronaldo. O "maior português vivo", o homem que leva mais longe o nome de Portugal, pode ter tudo - ou quase tudo - o que quiser. E, talvez por isso mesmo, escolheu ter filhos como produção única. Seria de louvar, não fosse tão absurdo e reflexo de insegurança e falta de confiança no mundo e em quem o rodeia. Começa por ser uma falta de respeito para com as namoradas. Das duas vezes em que "foi pai", Cristiano Ronaldo ignorou o facto de estar envolvido com outras pessoas, em relações que pressupõem planos para o futuro e, em última análise, vidas familiares que se cruzam. Cristiano Ronaldo pode namorar, mas para ter filhos, prefere mandar tratar lá fora, que assim é que tem controlo absoluto sobre questões de futuro, pensões de alimentos ou pressões que não lhe interessam. É triste. É uma falta de consideração com os filhos. Para um homem tão agarrado à família, que tanto lamenta a morte prematura do pai, não se percebe que dispense o papel de mãe na vida dos filhos. Dona Dolores, aparentemente aprova, e isso também me foge ao entendimento. A relação mãe-filhos é única e inimitável, o laço mais estreito que teremos em toda a nossa vida. Cristiano Ronaldo, menino querido da mamã, age como se se bastasse aos seus próprios filhos. Como se o dinheiro pagasse a ausência de uma mãe. Mais uma vez, é triste. É uma falta de respeito com as mães das crianças. Mas quanto a isso, pouco podemos dizer, apesar dessa intuição, uma vez que os termos dos "negócios", nunca foram claros. A maternidade pode ser mais triste do que isto? É uma falta de respeito para com a sociedade e os filhos enquanto indivíduos. Por alguma razão se acabou com a designação "filho de pai incógnito". Por ser demasiado triste. Cada um é livre de fazer as suas próprias escolhas e o mesmo se passa com Cristiano Ronaldo. Privar filhos que podem ter tudo de ter uma mãe parece-me apenas a mais lamentável das escolhas. Triste.

publicado às 19:35

14.06.17

Transbordo

por vanita

Não só fico a saber as vidas de quem aproveita as viagens de comboio para por as conversas em dia como, pasme-se, há casos em que até fico interessada. Pior é quando me apetece dar um palpite. Hoje é a história de uma rapariga que odeia a sogra. Vai a desabafar com a mãe e já todos sabemos que ela "não lhe admite isso". Graças a Deus, a rapariga mantém sempre "o sangue frio. Se não fosse isso!".

publicado às 19:10

Pág. 1/2

Mais sobre mim

imagem de perfil

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.