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12.05.17

MET Gala

por vanita

Não, não venho falar da passadeira vermelha. É um pouco tarde para isso. Venho falar de Lena Dunham, que pisou a passadeira vermelha. Alguém se lembra de ler ou ouvir a notícia de que teve de abandonar a gala para ir ao hospital? Ou isso não é tão glamouroso como os vestidos que desfilam frente aos fotógrafos. A actriz tem 30 anos e sofre de endometriose. Essa doença esquisita de que não se fala porque mete dores menstruais - cruzes, credo! -, pode causar infertilidade - meu deus, isso não interessa a ninguém! - e, basicamente, é tão melhor quando não temos que nos lembrar de que existe. Mas sim, existe. E uma das actrizes que esteve na gala que mais dá que falar teve de sair a meio - não sei se estão a perceber, teve de sair a meio - por não aguentar mais as dores. Imaginam o que terá sido até ali? Foi notícia em algum lado? Até foi, mas não chegou cá. Por quê? Pelas razões todas que já insinuei. Enquanto o período causar arrepios ao interlocutor e houver medo de chamar as coisas pelos nomes, enquanto andarmos todos a fazer teatro porque assim não temos de encarar a horrível verdade, muitas mais mulheres continuarão por aí em condições desumanas: a ficar de pé nos transportes públicos, a usar saltos altos porque é mais elegante, a dizer que sim a todos os compromissos mesmo que, para isso, vá morrendo sempre mais um bocadinho. Serve este post para contrariar isso mesmo. A endometriose é uma doença que afecta cada vez mais mulheres e não pode continuar a ser ignorada. Não é a única. A nós, mulheres, cabe-nos o papel de deixar de mascarar a realidade. Os dias difíceis são para ser assumidos, as dores e o cansaço também. E isso não é sinal de fraqueza. 

publicado às 15:21

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