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25.04.17

25 de Abril

por vanita

Pela primeira vez, sinto-me derrotada. Não vejo razão para celebrar a conquista de uma liberdade que não sinto no dia-a-dia. Uma liberdade que não vejo espelhada na expressão de cada um de nós. Vivemos em democracia, é o que no diz o papel. Mas não o vejo nas acções da justiça, pouco o sinto nas relações laborais, tenho dificuldade em encontrá-la nas directrizes económicas e sociais. Sim, vivemos em liberdade mas todos os dias me sinto espartilhada e sem força para lutar. Pior do que isso, sinto-me sem armas. Não há convicção nem vontade. Há sobrevivência e o salve-se quem puder, às custas do que tiver que ser. Lamento, mas eu, uma das maiores entusiastas de Abril desde sempre, não tenho energia para celebrar esta democracia que me limita com fios invisíveis. Sempre me perguntei como teria sido viver nos tempos que antecederam a revolução dos cravos. Sei agora que, antes da conquista, vivem-se tempos tenebrososos e nublosos que nos enevoam a vista. Antes da revolução, não é possível saber o caminho que irá vingar. Não é tão romântico como parecia. É, aliás, assustador.

publicado às 12:10

17.04.17

Ajudem-nos a domar a fera

por vanita

A Sasha chegou lá a casa há pouco mais de um mês e, além de desarranjar toda a harmonia do lar, roubou-nos o coração. Chegou com 440 gramas e tão pequenina que cabia numa mão. Tínhamos medo de pisar esta pestinha que está cada vez mais gira, reguila e divertida. Agora, já pesa um quilo bem medido, está quase a fazer quatro meses e está a concorrer para as aulas de bom-comportamento do Instituto do Animal, num concurso a decorrer no Facebook. A questão é que a nossa fera tem concorrência feroz e, embora não seja meu hábito, venho pedir ajuda para a nossa pinscher. Votem na Sasha! O link é este. Prometo que depois venho fazer um diário das aulas caninas. Com fotos e tudo.

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:)

publicado às 19:09

06.04.17

O futuro mesmo ali à esquina

por vanita

"Não há imprensa". Bastou esta frase, usada amiúde no meu dia-a-dia, mas repetida por alguém superior a mim, frente a um jornalista da minha antiga vida, para se abrir a caixa de pandora. O referido jornalista sentiu-se ofendido, mais ainda com a minha concordância. "Não há imprensa?", perguntou-me, como quem pergunta a Judas como foi capaz de trair Jesus. Incrível como estar do lado de fora, desse lado onde nunca quis estar e para onde fui atirada quase à força de uma crise que tem as costas largas, incrível, dizia eu, como estando deste lado, do lado de fora, consigo ter o distanciamento para entender o problema sem me deixar envolver (tanto).Não, não há imprensa. Desengane-se quem ainda vive nessa ilusão. Imprensa é liberdade de expressão, é espaço para contar histórias que não se conhecem ou que alguém preferia que não se soubessem. Imprensa é tempo, investigação. É isenção. Não há imprensa e, infelizmente, não é de agora. É é mais evidente agora. Digam-me um jornal ou uma peça que seja reflexo de um trabalho jornalístico puro e duro, que não sirva interesses (sejam eles quais forem), que seja feita com tempo e dedicação, que traga algo de novo ao leitor e telespectador. Podemos continuar a tapar o sol com a peneira, mas isso não nos leva a lado algum. Para haver jornalismo também é preciso isso: encarar a verdade. Encontrar as respostas ou procurar soluções. Nunca desistir. Assumir que não há imprensa, por paradoxo que possa parecer, é um passo em frente. Há que ter coragem de o dar. Rumo ao futuro.

publicado às 21:08

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