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15.02.17

O dia mais mal amado

por vanita

Pior do que o Natal, o cliché exige que se despreze o Dia dos Namorados. É piroso, é bimbo e os corações vermelhos, flores e os ursinhos de peluche causam urticária a quase toda a gente. Há mais de vinte anos, talvez trinta, que assim é. Mas elas lá estão, as montras de São Valentim, insubstituíveis, todos os anos. Não se percebe, um negócio sem clientela que insiste em subsistir. O mundo que anseia pelo amor, onde há revistas e publicações que vivem das mensagens para se encontrar o par ideal, num mundo em que todos buscamos relações profundas e que nos preencham a todos os níveis, desacredita o Dia dos Namorados, o dia em que se celebra tudo o que se procura. Posso falar disto porque nunca gostei do dia dos namorados. Mas não por achar que é foleiro, mais porque este dia sempre me lembrou o meu próprio falhanço nos quesitos do amor. Nem é pelo sentido comercial que o dia envolve - o Natal também é assim e cabe a cada um fazer a sua gestão de prioridades. Porque não havemos de fazer o mesmo no dia 14 de Fevereiro? Os mais velhos recusam com o argumento triste de que este é um dia importado. Não o viveram na sua própria infância e adolescência e não o querem adoptar. É uma batalha perdida. Mas há toda uma geração que já cresceu com São Valentim. Encará-lo com mais naturalidade e menos azedume talvez nos fizesse mais bem do que mal. Quem não se enternece com gestos de amor?

publicado às 08:25

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