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02.02.17

Os obsessivos transtornam-me

por vanita

Olhamos à nossa volta e, num dia de iluminada clareza de espírito, percebemos que estamos rodeados de doentes mentais. E sim, nós também estamos incluídos no grupo de malucos. Mas como a leveza com que identificamos o óbvio ainda não se desvaneceu, o facto de fazermos parte do grupo não nos transtorna por aí além. Acreditamos, todos, que somos especiais e únicos e iluminados e que o mundo gira à volta das nossas brilhantes ideias, das conquistas e do reconhecimento, do nosso corpo prefeito ou do sorriso manipulado, que as gracinhas com que um dia, quando éramos crianças, conquistámos os adultos ainda hoje são válidas. E assim seguimos, loucos de atenção, àvidos de distinção, como se nada fosse. E não é, na maior parte dos dias. Até que a clareza de espírito nos sussurra ao ouvido e percepcionamos a realidade sem lentes que ofuscam comportamentos compulsivos e pouco genuínos, que matam a naturalidade e espontaneidade. Nesse dia olhamos como quem vê pela primeira vez e temos a certeza de que nada voltará a ser como antes, não voltaremos a estar cegos. Estamos rodeados de doentes mentais. Gente que, inocentemente, se comporta de forma obsessiva na busca de atenção e reconhecimento. Gente que quer ficar numa história que só existe na própria cabeça, num enredo que mais ninguém vê ou acompanha. Estamos todos loucos. Transtornada e compulsivamente loucos.

publicado às 19:30

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