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caixa dos segredos

21
Abr16

Cidadão, cidadã, blá, blá


vanita

Sobre o debate da semana acerca do qual não me vou pronunciar por achar irrelevante, apraz-me levantar uma questão. Acaso não será mais revelador da desigualdade de géneros o facto de o cidadão, sim o masculino, ao deixar a condição de solteiro passar a ser reconhecido na qualidade de marido e não existir termo equivalente para a cidadã, essa mesma, a feminina? Mulher casada ou é mulher ou esposa, não existe definição equivalente a marido na língua portuguesa. Isto não vos faz cócegas, ó indignados desta praça?

15
Abr16

Do que fomos


vanita

Hoje desci a rua do que eu era e, ao descer, senti que lhe falta alma. O peso do vazio sentia-o eu, no meu peito, invisível para quem ali constrói memórias frescas. Desci a rua e levei pelas mãos os fantasmas das pessoas que já lá não estão, dos momentos de angústia, alegria, loucura e nostalgia. Desci outra rua, apesar de ser aquela e também já não ser quem a descia. Fundi-me na pessoa que já lá não mora e exultei de uma felicidade triste, acabrunhada por tudo o que dali desapareceu. Não estão lá as minhas pessoas, as minhas histórias nem as vidas que ali se cruzaram. Os vestígios do que ali se disse e se fez e sonhou desvaneceram-se em fachadas que já naquele tempo eram carcomidas e feias. Não resta nada além de um sentimento de pertença a lado nenhum. A um sítio que só existe na cave obscura de uma memória que se desfaz a cada dia. Desci a minha rua e ela já não existia.

10
Abr16

Esse grande filho da puta


vanita

Estupidamente, quase sem nos apercebermos, baixamos guarda e acreditamos que o cancro não precisa de ser uma sentença de morte, talvez um dia o possamos encarar como uma doença crónica. Respiramos um pouco nesse alívio momentâneo que dois ou três casos de "sucesso" conferem. Ficamos esquecidos e cai-nos o mundo ao chão quando a realidade nos lembra da ilusão que construímos. O cancro é mortal, uma doença com enorme probabilidade de ser fatal. E atinge-nos com brutalidade: levou mais um. Adeus, Zé Paulo. O teu "miúda" continua a soar-me na cabeça, como se ainda cá estivesses...

05
Abr16

Ansiosa pelo futuro


vanita

Gosto muito que, aos poucos, estejamos a tomar consciência do quão importante é o que comemos, que se adoptem rotinas e hábitos alimentares mais saudáveis, a ponto de a própria indústria ter de se ajustar a esta nova forma de estar. Gosto muito que se ponderem medidas que alertem para os níveis de açúcar de determinados alimentos nos supermercados e que se perceba que existe uma reeducação da sociedade neste sentido. Assisto a tudo com um sorriso nos lábios e esperança no futuro. Gosto cada vez mais que a moda do fitness e do running e de fazer exercício esteja a ser mais uma necessidade e um hábito do que uma tendência. Há um caminho gigante a percorrer e eu não sou exemplo em nenhum dos casos, nem em termos de postura alimentar, menos ainda de actividade física. Mas fico feliz por perceber que estamos no bom caminho. Tanto que já anseio pelo futuro. Quero tanto que aprendamos a valorizar o descanso e a respeitar as horas de sono. Quero que as televisões sejam obrigadas a mudar os horários das novelas da noite para muito mais cedo porque a audiência se deita a horas decentes para os horários de trabalho ditos normais. Quero que o respeito pelo descanso mude as horas de jantares com amigos em dias de semana, que os jogos de futebol tenham em conta os dias de trabalho dos adeptos dos clubes, que os directos de domingo terminem antes da meia-noite. O povo português não respeita o descanso. É um comportamento culturalmente intrínseco. Mas também, ainda há bem pouco tempo, não aproveitávamos os nossos maravilhosos espaços ao ar livre, com tantas horas de sol, para fazer exercício. E agora, é vê-los por aí. Tenho esperança de me deitar às dez e meia e que isso seja encarado como uma atitude saudável. Acredito que é o próximo passo.

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