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caixa dos segredos

09
Dez15

Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho


vanita

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É um problema, este dos livros de autores portugueses, que marcam presença nas redes sociais, junto dos leitores. Não me interpretem mal. É uma postura positiva, essa da aproximação com o público-alvo, bem entendido. O problema é meu, que não me sinto à vontade para vos falar de um livro que devorei em menos de nada há largos meses. Tudo porque sei que o próprio autor vai ter acesso à minha opinião. Não que tenha o que quer que seja a esconder, mas exactamente porque não considero que os meus apontamentos tenham tanta importância assim. E isso tem-me retraído de vos falar de "Perguntem a Sarah Gross", o livro de estreia de João Pinto Coelho, que tantos elogios tem colhido, um pouco por todo o lado. Aliás, foram essas críticas exacerbadas que o colocaram no topo da minha interminável lista de "livros para ler", ali por altura da Feira do Livro, em Lisboa. 

João Pinto Coelho é um autor estreanlte, editado pela D. Quixote, que chega com o importante estatuto de "quase vencedor" do Prémio Leya e muitas medalhas de aprovação de nomes sonantes da crítica literária em Portugal. Se é merecido? Em parte, sim. Mas vamos com calma. A grande surpresa de "Perguntem a Sarah Gross" - além do título em estrangeiro, que salta à vista - é a linguagem quase cinematográfica da realidade criada por este autor para nos contar uma história que pretende romancear. Uma história crua, bruta e que tira o chão para sempre, assim que lá chegamos. Uma história onde não há personagens nem realidades portuguesas, ressalve-se. "Perguntem a Sarah Gross" é um romance universal e, só por isso, um passo de gigante para João Pinto Coelho. Ambientado em duas épocas distintas, com cenário na Polónia da II Guerra e nos Estados Unidos da América da actualidade, este é um livro que tenta guiar o leitor ao sabor de acontecimentos, memórias e alusões de passados recônditos. Uma ambição nem sempre conseguida, na minha opinião, e explico porquê.

A história que o autor nos quer contar, e de que tem aprofundado conhecimento, é muito mais poderosa do que o cenário em que é enquadrada. O desiquílibrio entre as duas realidades retratadas neste romance - que não poderei alguma vez esquecer - chega a ser constrangedor. Sem querer revelar mais do que me é permitido, a última metade do romance - que nos é contada sob um pretexto fraco e com pouca substância, na minha opinião - é absolutamente esmagadora. Quer pela qualidade e ritmo da história, quer pelo enredo e a nauseante certeza de que tudo o que lemos, apesar de fantasiado, aconteceu um dia. Ora, o grande problema deste livro - que recomendo - é mesmo o enquadramento da história de Sarah Gross, que me soa atabalhoado e pouco verdadeiro, sem qualquer desprimor para o autor. Trata-se apenas de uma questão de estratégia que, do meu ponto de vista, não resulta com seria suposto.  

Ainda assim, graças a "Perguntem a Sarah Gross" vi-me mergulhar no universo do Holocausto por mais três livros que devorei compulsivamente, de garganta apertada e com a fé na humanidade a desaparecer em cada página que virava. Como por um passe de mágica, tropecei em "No Rasto de Anne Frank" e "Os Últimos Sete Meses de Anne Frank". Foi um Verão difícil de digerir, com uma sentença que só encontrou alguma calmaria depois de "Se Isto é Um Homem", de Primo Levi. Não porque as atrocidades descritas sejam menos acutilantes, mas porque deixei de ter capacidade para absorver outros relatos. Pelo menos, nos próximos tempos. Em resumo, e para que não restem dúvidas, "Perguntem a Sarah Gross" é um relato impressionante, romanceado mas real, que não pode ser ignorado. Se pensam que já sabem o que foi a II Guerra, mudem de ideias. Leiam este livro de João Pinto Coelho.  

09
Dez15

Amizades virtuais


vanita

Nada cimenta mais uma amizade que descobrir, no dia de aniversário da outra pessoa, que não podemos ver todas as publicações no seu mural. Subitamente, somos os únicos a desejar feliz aniversário. Chega ao ridículo de não conseguirmos ver a nossa própria publicação. Nunca deixa de ser um choque.

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