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23.10.15

A democracia anda pelas ruas da amargura

por vanita

Se há argumento que não aguento mais ouvir é o de que, se soubessem que António Costa tentaria uma "coligação", os eleitores que votaram BE e PCP nunca o teriam feito. Além de revelador de ignorância quanto ao objectivo de voto e funcionamento do parlamento, este argumento põe em causa a inteligência de quem votou, possivelmente até, com este mesmo propósito. Pela primeira vez, em 40 anos de democracia, os votos do povo obrigam a entendimentos para governar e isto é um caminho para o amadurecimento da política em Portugal, ao contrário do que hábitos e costumes de quem está habituado a um país pouco plural podem fazer crer. Isto não é uma liga desportiva, esquerda e direita não são clubes de futebol e não há regras quanto a golos e percentagens. Os deputados eleitos governam de acordo com a legitimidade que os votos dos eleitores lhes conferem. Neste momento, o partido com mais votos não tem força suficiente para impor as suas medidas porque a força contrária os impede, por decisão dos portugueses. Portanto, se pudermos deixar de desvalorizar intenções de voto, já estaremos no caminho certo. A partir daqui, há que saber governar, se possível, sem o espectáculo anti-democrático e de intimidação que se tem assistido.

publicado às 09:25

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