Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]


29.09.15

Música para Camaleões, de Truman Capote

por vanita

camaleoes.jpg

Apaixonei-me por esta edição de "Música para Camaleões" desde que lhe pus a vista em cima. As cores da capa, improváveis, fortes, quentes, a agarrar a vista para não mais largar. Sim, primeiro foi a capa. Seguiu-se o conselho de origem pouco plausível para o ler. Depois a prenda que me caiu no regaço no momento certo. Não sou a maior fã de livros de contos ou histórias curtas. Note-se a diferença: é das compilações de contos ou histórias curtas em livros que não gosto. Mas, ainda assim, foi-me impossível resistir à aura deste livro, e deste autor, confesso. Há qualquer coisa de magnético em Truman Capote, a que não consigo fugir. E foi com deleite que me deixei levar pelos relatos e devaneios de um homem que, além de brilhante, também não esconde a vaidade exuberante e um ego balofo que o fazem único. Um ser que tem tanto de detestável como de magnífico. Vê-lo discorrer sobre a vida de estrelas com quem tinha a sorte de lidar por questões profissionais, deixá-lo destilar ódio temperado com algum humor, enquanto expõe fraquezas e vícios de quem lhe abriu a porta de casa e, até do coração, é um exercício desgastante e, ao mesmo tempo, fascinante. Pouco antes de morrer, Truman Capote decidiu expor em "Música para Camaleões" histórias semi-privadas de figuras que conhecia bem, tornando, com isso, o resto dos seus dias num verdadeiro Inferno por se ter dado a tal atrevimento. Uma bomba datada que apenas podemos entender se a tentarmos trazer para os dias de hoje. De todos aqueles escândalos, só a relação próxima com Marilyn Monroe resiste ao passar do tempo e nos consegue realmente cativar. Tudo o resto são acertos de contas passadas que não nos tocam, servindo apenas para confirmar o imenso talento do autor para o registo de crónica social. Essa sim, uma experiência que fez escola e ainda podemos encontrar, um pouco por todo o lado. Basta estarmos atentos.

publicado às 16:46

24.09.15

Por favor, vamos todos votar!

por vanita

Porque é que é mesmo preciso ir votar no dia 4 de Outubro? Porque todos os dias as sondagens nos falam em batalhas alucinantes e completamente absurdas e desfasadas das nossas necessidades do dia-a-dia. Todos os dias se discutem problemas e temáticas que não são os que nos dizem respeito, nem os que mais nos incomodam, nem sequer aqueles a deveríamos todos estar a dar atenção. Se todos os dias se esgrimem percentagens entre o PS e a coligação PaF, atentemos nos números de indecisos. São igualmente estrondosos e isso não pode ser desperdiçado. Há uma massa difusa com força suficiente para mudar todo o paradigma político que nos tem guiado desde a instauração da Democracia. Queremos continuar a alimentar esta luta binária pelo poleiro? Agora PSD/CDS-PP, depois PS e vira o disco e toca o mesmo? Não, não queremos. Dizem-no as nossas caras nos transportes públicos, as marmitas nas mãos, as dificuldades no acesso a um sistema de saúde digno, as reformas delapidadas de quem deu tudo pelo país, o estado da educação e cultura. Tudo à nossa volta grita por uma mudança e ela é possível. Vamos deixar passar a oportunidade ao lado? Tudo às urnas a 4 de Outubro.

publicado às 22:39

15.09.15

Clix... apagou-se!

por vanita

Clix.JPG

 

O choque!

 

Sou só eu - como odeio o narcisismo/egocentrismo contido nestas três palavrinhas - que fico absolutamente arrasada com o fim de uma empresas destas? Um dos meus primeiros trabalhos foi a criação de contéudos para uma variante do portal Clix e não consigo deixar de me sentir nostálgica por o fim ser declarado assim, sem tempo para um adeuzinho nem nada que se pareça. Entenda-se bem, estou felicíssima no SAPO, de que sempre fui bem mais fã do que do Clix - parte do problema pode residir nisto, não o nego - mas, ora bolas!, eu sou pela concorrência saudável e competitiva entre adversários. Isto assim não tem qualquer piada. E nem sequer me vou pôr a opinar sobre o que um fecho destes diz da actual conjuntura económica nacional. É triste. Apenas isso. 

publicado às 15:24

11.09.15

Esteticistas brasileiras

por vanita

Não há pai para elas. Mesmo quando fazem tudo a despachar porque entretanto receberam uma chamada de um amigo que quer beber café - acontece sempre! - são melhores do que as portuguesas. Sabem arranjar as mãos como ninguém, não há recanto onde os pêlos cheguem que lhe provoque uma reacção mais púdica ou até asco como acontece com tantas esteticistas encartadas que suam só de ouvir a palavra virilhas e despacham tudo num ápice. Não são propriamente escravas do nível máximo de esterilização, mas, caramba, são eficientes no que se propõem. É isso faz um negócio.

publicado às 20:20

02.09.15

Desta vez houve uma foto

por vanita

Até as lágrimas me saltaram aos olhos quando vi aquele menino morto na praia. E não sou das pessoas mais impressionáveis do Mundo. Aquelas fotos são de uma violência atroz. É impossível seguir com o nosso dia-a-dia sem parar para digerir aquilo que há tantos meses nos entra pela casa dentro. Demorou poucos minutos para que surgissem as vozes de revolta. Revolta não contra a situação - essas também se levantaram, não havia como não acontecer - mas as vozes de revolta de que falo são contra o voyerismo da situação. Em menos de nada, o tema passa a assunto do dia e é inflamadamente discutido em inúmeros quadrantes. Não a questão dos refugiados. Discute-se a legitimidade da publicação daquelas fotos impossíveis de ignorar. Vivemos num tempo de informação rápida mas não prescindirmos de estilizar a realidade que vivemos. Aquela foto é só mais um símbolo de vidas destruídas mesmo ao nosso lado. Não há como passar uma borracha para mascarar a situação. Não foi apenas aquele menino que morreu. Morrem aos milhares. Desta vez, alguém achou que valia a pena investir algum dinheiro para que a foto fosse feita. Desta vez.

publicado às 18:44

Mais sobre mim

imagem de perfil

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.