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caixa dos segredos

01
Jun15

Tenho um problema com dinheiro


vanita

Sou uma palerma, uma palerma do pior. Sou incapaz de pedir dinheiro a quem quer que seja, mesmo que me estejam a dever. Prefiro ficar com a minha conta a descoberto, em prol de pessoas a quem as quantias em questão nem sequer fazem qualquer tipo de mossa, a pôr-me na posição de aceitar de dinheiro que é meu por direito. E falo de coisas tão estupidas como convidar uma amiga para almoçar e ela queixar-se casualmente que a vida está cara e eu sair dali - onde já me estava a esticar dada a minha própria situação bancária - como a gentil anfitriã que paga a conta no final. Sim, sim. Pago as duas contas. E insisto que fica assim, enquanto a minha conta aquiesce sem saldo. Não sei porque sou assim, mas não o consigo evitar. O problema é tão grave que só agora, ao fim de muitos, muitos anos, o dei a conhecer a terceiros. Como pedido de ajuda: não me deixem voltar a recusar quando as pessoas se oferecem para me pagar o que devem! É inacreditável, estou ciente disso, mas é estupidamente real. Na ânsia de não deixar ninguém a perder, opto por ser eu a assumir tudo, sem que do outro lado se apercebam sequer das alhadas em que me meto. Gasto para que todos fiquem em harmonia, menos eu. Porque só assim é que me sinto em equilibro. É genuíno: prefiro mesmo que assim seja. Sempre disse que tenho vocação para rica e aqui está a prova. Toda esta conversa porque hoje tive de pedir dinheiro a outra pessoa e odiei-me por isso. Fui obrigada a fazê-lo por questões profissionais: o dinheiro não era meu. E sinto-me a pior pessoa do mundo por tê-lo feito. Tenho plena noção de que estou errada, mas devo ter o fusível das finanças avariado. A vida tem-me permitido observar e, quão mais abastadas são, menos mãos largas as pessoas se mostram. Eu, uma miúda que veio da província para a capital e tem de trilhar o caminho a seu próprio custo, sou uma benfeitora da sociedade. Fico mal para que ninguém se incomode. Como é que isto se conserta?

01
Jun15

O estado de graça do coitadinho


vanita

O país está na miséria. Ganha-se o salário mínimo ou menos - sítios há onde receber o salário mínimo é um luxo. Vive-se mal e porcamente e há de tudo como no final dos anos 70. Crianças a chegar com fome à escola, falta de dinheiro para por comida na mesa e usar roupa decente. Regredimos miseralvemente e continuamos a tapar o sol com a peneira. No meio de toda a desgraça, ainda cultivamos o estado de graça do coitadinho. Se nos anos que se seguiram à Revolução de Abril todos arregaçavam mangas e iam à luta pelas novas oportunidades, neste momento assiste-se ao chico-espertismo e ao salve-se quem puder. Tudo num registo tão deplorável, que nem é passível de crítica. Faz-se da desgraça bandeira e pede-se. Pede-se rendimento social de inserção, pede-se subsídios de desemprego, pede-se comida. Um dó de partir o coração. Mas também se pede sem necessidade. Pede-se por pedir, por incapacidade de agir, por falta de instrumentos para sair da lama que nos toca a todos. Bem sei que não é fácil, mas por favor, não se agarrem à desgraça como a uma bandeira. Lutem para a eliminar.  

01
Jun15

Ser Sporting


vanita

Sou da geração sem títulos. Foi preciso chegar aos 21 anos para sair à rua de cachecol em riste e perder-me na loucura de uma festa pela vitória no campeonato. Diziam-me que isto já tinha acontecido, quando ainda tropeçava nas fraldas, mas foi aos 21 anos que festejei pela primeira vez. Há anos que torcia pelo Sporting. Sou, por isso, da geração sem títulos. As auguras das não-vitórias não matam o amor e dedicação que sinto pelo clube a que dedico o meu coração. Massacram, desmoralizam, desmotivam e fazem-me dizer asneiras como gente grande - eu, do alto deste metro e meio - mas também moldam a convicção com que encaro o compromisso. Ser Sporting é acreditar, mesmo quando não há luz ao fim do túnel. Ser Sporting é ter um emblema estampado, mesmo quando ninguém o vê. E é rugir com gosto, quando nos é dada essa oportunidade. Porque é sempre merecida. E sofrida. É sempre saborosa. 

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