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12.05.15

A genialidade também morre?

por vanita

Quando era miúda, muito miúda, pensava muito sobre tudo o que me rodeava e lia ainda mais. Lia reportagens de domingo e sonhava com cada palavra, tentava decifrar intenções e motivos para frases e parágrafos e adivinhava sentimentos ocultos dos vários intervenientes. Desse jogo - perdia horas nisso - criava bases para novas abordagens, inventava estratégias, novos ângulos e outros pontos de vista. Divertia-me procurar o óbvio e, dessa estranha forma, conseguir surpreender. Esse espírito acompanhou-me e, uma vez ou outra, tropecei em elogios sinceros em relação ao que, para mim, eram elefantes no meio da sala, tão impossíveis de ignorar como de elogiar. Evidentes. Mas devo ter tocado em Kriptonite algures nesta caminhada. Não encontro os meus poderes e é como se tivessem deixado de existir, como se nunca tivessem sido. Será possível? Tal como o cabelo que fica cada vez mais ralo, a pele mais flácida e os músculos menos resistentes, a genialidade também morre?

publicado às 23:08

12.05.15

Os livros e os snobs

por vanita

Não fui eu que disse, mas podia ser. Palavra por palavra. Concluindo que sim, serei sempre democrática com as minhas leituras e assumo essa atitude como um defeito apenas comparável ao facto de ser incapaz de dizer NÃO quando NÃO é tudo o que quero dizer. Isto porque, por mais que defenda que a crítica literária não sabe do que fala e que, por isso, tem os dados enviesados à partida, a verdade é que - e isto é uma inovação no meu pensamento - é possível distinguir o trigo do joio sem ter de o provar. Ah, e se soubessem o quanto esta simples frase revela uma mudança em mim. Há demasiados livros bons ainda por ler para se perder tempo com má literatura. 

publicado às 22:36

12.05.15

Forever

por vanita

O melhor de Forever, além da classe aristocrática desenhada a lenços de seda do Dr. Henry Morgan, é a relação pai-filho invertida entre as personagens de Ioan Gruffudd e Judd Hirsch. Um velho castiço, Abe, é filho do charmoso médico-legista que sabe tudo e mais um par de botas porque é imortal e já viveu mais de 200 anos. Ninguém pode adivinhar, e só ao longo dos episódios é que percebemos, mas Abe é o filho que Henry adoptou ainda bebé durante a II Guerra Mundial. Criou-o com a mulher que nunca deixou de amar, Abigail, entretanto desaparecida.

Forever é apenas mais uma série de polícias e assassinos. Um caso por episódio, uma relação de cumplicidade entre a detective Jo Martinez e o Dr. Henry Morgan e algumas personagens secundárias que asseguram o registo leve e cómico que contrabalança com os casos sempre macabros investigados. O apontamento de surpresa que distingue esta série de outras dez mil iguais que existem por aí é mesmo o inusitado da relação entre estes dois homens: Henry e Abe. A inversão nas idades entre pai e filho e a forma com os dois actores fazem uso dessa realidade cativa essencialmente por tornar credível a impensável mortalidade do protagonista. E depois, claro, há todo o mistério que envolve a inaptidão para morrer do Dr. Morgan, que os guionistas nunca deixam esquecido.

A série é boa, de se tirar o chapéu. E a primeira temporada está praticamente a terminar. E ficamos por aqui. A ABC decidiu cancelar o Forever. Assim, sem fechar a história. Um grande BU para estes senhores. 

publicado às 22:11

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