Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]


07.05.15

Nunca saímos da idade média

por vanita

Diz que anda para aí uma escandaleira com um texto de uma miúda num blog de outras miúdas. Diz que fala de sexo e que esta malta, encabeçada pela mente arejada de um homem cheio de humor, está toda arreliada. Que aquilo não é coisa que se diga, que ai minha nossa senhora que o mundo está perdido e que ainda cai a coligação CDS-PSD pelo caminho. O texto é de facto uma merda, pobrezinho que mete dó, mas está cheio de sentimento, vamos chamar-lhe assim que já disse aqui uma asneira. Daí a chamar Del Rei, tenham lá calma. Escandalizem-se, por favor, com tudo o que é imperativo escandalizarmo-nos neste momento. E, por favor, não me envergonhem.

publicado às 21:39

07.05.15

Já sabem para onde é que vai o Jorge Jesus?

por vanita

Às vezes sonho e esta noite houve um passarinho - seria uma águia? - que me entrou pela cama dentro a fazer futurismo quanto ao destino do treinador do Benfica, assim que o campeonato chegar ao fim. Mas eu lá quero saber desse senhor? Ah, pensavam que vos ia revelar o resto? Era um sonho mas deixo aqui a promessa de vir cá dizer se a coisa se confirma ou não. Vocês vão odiar.

publicado às 20:49

07.05.15

A Leste do Paraíso, de John Steinbeck

por vanita

lb-lestep.jpg

Há um tempo que este livro de John Steinbeck aguardava vez na minha mesa de cabeceira. Quis guardá-lo para um momento em que lhe pudesse dar a devida atenção, porque sabia que Steinbeck, embora aparentemente tenha uma escrita muito fácil de digerir, acaba por nos enlevar no caminho por onde nos leva a trilhar. Tal como o aclamado "Vinhas da Ira", também "A Leste do Paraíso" bebe dessa ligação profunda à terra e ao que se retira dela, sempre com a Califórnia como pano de fundo. Mais do que uma história, "A Leste do Paraíso" é uma epopeia que atravessa três gerações, desde o final do séc. XIX até pouco depois do séc. XX. Com a sua escrita simples mas complexa, Steinbeck leva-nos à América que povoava os sonhos de tantos que chegaram àquele continente com uma mão atrás da outra, deita-nos em casas lúgubres de madeira e faz-nos lutar pela vida, com mais ou menos entusiasmo, com mais ou menos sorte. Há sonhos, mortes, decepções e resignações. Há guerra, amor, empenho, conquista, bondade e maldade. Há personagens que nos acompanham, que nos deixam e algumas regressam. "A Leste do Paraíso" é, como já li, um fresco sobre os anos que fundaram aquela que é uma das nações mais fortes da actualidade.

É um livro visceral, que veste as mulheres a preto e branco - ora bondosas e apagadas, ora maléficas e determinantes para o desenrolar da trama, mas sempre, sempre, com um papel secundário. Porque esta é uma história de homens, contada por homens, escrita por um homem. Aqui como então, as mulheres são acessórios, por vezes dispensáveis, mas sempre na penumbra dos homens da casa.

Diz-se que este livro é sobre o livre-arbítrio e a capacidade que o homem tem de tomar rédeas ao seu destino, sendo responsável pelos seus actos. A analogia com Abel e Caim é evocada sempre que "A Leste do Paraíso" é referido e torna-se impossível escapar aos factos apontados pelo autor nesse sentido. Mais do que isso, para mim, este livro pontua a importância de não estarmos sós e do quanto o isolamento nos pode destruir ou, no mínimo, conduzir a uma existência apagada e sem propósito. O poder das relações sociais e familiares, da amizade e dos laços afectivos é grande história que se esconde nestas quase 700 páginas. É uma família que fica connosco, como se fossem nossos antepassados. Vale a pena conhecê-los.

publicado às 01:20

Mais sobre mim

imagem de perfil

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.