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caixa dos segredos

07
Mai15

Nunca saímos da idade média


vanita

Diz que anda para aí uma escandaleira com um texto de uma miúda num blog de outras miúdas. Diz que fala de sexo e que esta malta, encabeçada pela mente arejada de um homem cheio de humor, está toda arreliada. Que aquilo não é coisa que se diga, que ai minha nossa senhora que o mundo está perdido e que ainda cai a coligação CDS-PSD pelo caminho. O texto é de facto uma merda, pobrezinho que mete dó, mas está cheio de sentimento, vamos chamar-lhe assim que já disse aqui uma asneira. Daí a chamar Del Rei, tenham lá calma. Escandalizem-se, por favor, com tudo o que é imperativo escandalizarmo-nos neste momento. E, por favor, não me envergonhem.

07
Mai15

Já sabem para onde é que vai o Jorge Jesus?


vanita

Às vezes sonho e esta noite houve um passarinho - seria uma águia? - que me entrou pela cama dentro a fazer futurismo quanto ao destino do treinador do Benfica, assim que o campeonato chegar ao fim. Mas eu lá quero saber desse senhor? Ah, pensavam que vos ia revelar o resto? Era um sonho mas deixo aqui a promessa de vir cá dizer se a coisa se confirma ou não. Vocês vão odiar.

07
Mai15

A Leste do Paraíso, de John Steinbeck


vanita

lb-lestep.jpg

Há um tempo que este livro de John Steinbeck aguardava vez na minha mesa de cabeceira. Quis guardá-lo para um momento em que lhe pudesse dar a devida atenção, porque sabia que Steinbeck, embora aparentemente tenha uma escrita muito fácil de digerir, acaba por nos enlevar no caminho por onde nos leva a trilhar. Tal como o aclamado "Vinhas da Ira", também "A Leste do Paraíso" bebe dessa ligação profunda à terra e ao que se retira dela, sempre com a Califórnia como pano de fundo. Mais do que uma história, "A Leste do Paraíso" é uma epopeia que atravessa três gerações, desde o final do séc. XIX até pouco depois do séc. XX. Com a sua escrita simples mas complexa, Steinbeck leva-nos à América que povoava os sonhos de tantos que chegaram àquele continente com uma mão atrás da outra, deita-nos em casas lúgubres de madeira e faz-nos lutar pela vida, com mais ou menos entusiasmo, com mais ou menos sorte. Há sonhos, mortes, decepções e resignações. Há guerra, amor, empenho, conquista, bondade e maldade. Há personagens que nos acompanham, que nos deixam e algumas regressam. "A Leste do Paraíso" é, como já li, um fresco sobre os anos que fundaram aquela que é uma das nações mais fortes da actualidade.

É um livro visceral, que veste as mulheres a preto e branco - ora bondosas e apagadas, ora maléficas e determinantes para o desenrolar da trama, mas sempre, sempre, com um papel secundário. Porque esta é uma história de homens, contada por homens, escrita por um homem. Aqui como então, as mulheres são acessórios, por vezes dispensáveis, mas sempre na penumbra dos homens da casa.

Diz-se que este livro é sobre o livre-arbítrio e a capacidade que o homem tem de tomar rédeas ao seu destino, sendo responsável pelos seus actos. A analogia com Abel e Caim é evocada sempre que "A Leste do Paraíso" é referido e torna-se impossível escapar aos factos apontados pelo autor nesse sentido. Mais do que isso, para mim, este livro pontua a importância de não estarmos sós e do quanto o isolamento nos pode destruir ou, no mínimo, conduzir a uma existência apagada e sem propósito. O poder das relações sociais e familiares, da amizade e dos laços afectivos é grande história que se esconde nestas quase 700 páginas. É uma família que fica connosco, como se fossem nossos antepassados. Vale a pena conhecê-los.

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