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28.04.15

A Morte em Veneza, de Thomas Mann

por vanita

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Esta capa é linda, admirem lá!

 

Despertei a vontade de ler este livro por causa de um filme com a Marion Cottilard que nada tinha que ver com a trama de Thomas Mann. Apenas foi referido por uma personagem e cativou-me. Bastou uma das incontáveis promoções da Fnac e, em menos de nada, já o tinha em mãos para devorar. É mínimo, com pouco mais de 100 páginas e com esta capa fabulosa. Mas, vamos ao que interessa, e a história?


Ora bem, todos sabemos que isto da beleza é altamente subjectivo. Mas, quantos de nós não ficaram já - talvez algures no passado - fascinados com a ideia de Veneza? Uma cidade italiana feita de canais é quase imbatível no que diz respeito a cenários para deixar a mente deambular. Agora imaginem que a escrita de Thomas Mann, estranhamente, vos leva ao colo, com a destreza de um ser invisível, e vos faz viajar pela angústia que tudo o que é belo nos provoca. Deixem-se enlevar no feitiço com que a perfeição nos encanta e vistam a pele de um velho às portas da morte, deliciado com a êxtase da beleza efémera. É isto "A Morte em Veneza".

Há quem veja este livro como a descrição de uma relação homossexual platónica. Eu acredito que é tudo menos isso. Para mim, Thomas Mann reflecte sobre o encanto da juventude - a passageira juventude - nos últimos momentos de vida de um velho que nunca pensou algum dia ver-se encerrado num corpo flácido e idoso. A beleza da cidade contrasta com o cheiro putrefacto da doença, numa alusão à história que une estes dois seres. Lê-se num piscar de olhos mas fica para sempre. Recomendo.  

publicado às 22:59

28.04.15

Profissões a prazo

por vanita

Futebolistas e modelos sabem-no bem. Pouco depois dos 30, estão acabados para os holofotes, embora a fama se possa manter por muitos e bons anos. Mas estas não são as únicas profissões, digamos assim, de desgaste rápido. Quantos de nós não estamos já no caminho descendente de uma carreira que teve o auge aos 20 e muitos anos? A grande questão é que, se os dois primeiros exemplos podem precaver-se para o futuro - caso tenham cabecinha, claro - quem está ligado a profissões mais comuns só se apercebe da prateleira quando para lá é atirado. Alguns demoram anos a interpretar os sinais e a entender por que razão foi tão simples chegar, ver e vencer. Na verdade, a juventude e a vontade aguerrida fazem milagres. Em menos de nada, é-se uma estrela. E com a mesma velocidade é-se relegado para canto, em detrimento de outros como nós. A questão é: saberemos dar a volta? Encarar as derrotas sem nos deixar vencer pela apatia e voltar a renascer, quem sabe ainda com mais garra, com algo completamente inesperado no que ao nosso projecto pessoal de vida diz respeito? Não será este o verdadeiro desafio?

publicado às 19:24

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