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05.04.15

Vida eterna

por vanita

Um qualquer acaso levou-me hoje para as memórias. Lembrei-me do Luís Miguel e do meu choro desarmado que incomodou todos os presentes no funeral. O que fazer, pela primeira vez engoli esse sufoco que é a injustiça de ver a vida esvair-se de um momento para o outro. Não me consegui ocultar em filtros sociais. Fiquei esmagada e isso foi visível. Lembrei-me do João, tão menino. E do nó insuportável que aquela canção nos deixou na garganta, em pleno cemitério. Ainda hoje, se a ouvirmos, voltamos àquele dia escaldante e tão definitivo. Também me lembrei do Jorge, e de todos os sonhos que levou com ele, da namorada esmagada pela dor. Desta vez, já sabia que é possível aceitar o impossível com controlo emocional. Lembrei-me do Romeu, o meu Romeu. Chorei-o com dignidade, atrás dos óculos de sol, ciente dos olhares de quem queria acompanhar a minha reacção. A vida já me levou muitas pessoas, avós, avôs, tias e prima. Todas únicas e insubstituíveis, mas estes quatro marcaram o meu crescimento e deviam estar por cá, nesta luta diária, a combater as frustrações e animados com as alegrias de cada dia. Hoje lembrei-me deles e, para mim, a certeza da ausência de cada um será sempre um murro no peito. Uma inexplicável falta de ar que acompanha este mistério da vida. São eternos, como todos os que já partiram. E deixam saudades.

publicado às 20:37

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