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11.03.15

Espelho meu, espelho meu!

por vanita

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 Narciso pintado por Caravaggio 

 

Somos todos a Rainha Má. Anos depois de adormecermos com a história da Branca de Neve, esquecemos as lições de infância e usamos as redes sociais como espelho mal saltamos da cama. Publicamos fotos de nós mesmos, a sorrir para o vazio, na ânsia de respostas virtuais que preencham uma qualquer lacuna da nossa personalidade. De onde surge esta constante procura de aprovação e elogio que as redes sociais ampliaram quase até ao limite do absurdo?

Narciso, o rapaz que se apaixonou pelo próprio reflexo num lago, e assim se perdeu para todo o sempre, não passaria de um aprendiz de feiticeiro nos dias de hoje. Quer dizer, estamos no tempo do selfie-stick! O que nos importa o mundo que nos rodeia, para lá de servir como cenário para nos adorarmos ainda mais? Narcisismo é quase eufemismo para a realidade do século XXI, onde a glorificação do Eu é o ditame máximo de cada um de nós. Acreditamos que somos melhores, especiais, que estamos no mundo para nos distinguimos de todos os outros. Individualmente, bebemos da fé em nós mesmos, como seres únicos, que maravilham o universo. 

 

A auto-estima - muita ou pouca, eis a questão! - começa a ser trabalhada desde a infância. Criámos o conceito das crianças índigo e, desde então, somos escravos desta realização pessoal que nos atesta valor perante o mundo. Como pais não somos melhores. O nível de exigência e pressão a que estas novas gerações estão sujeitas desde que saem da maternidade é incrivelmente repugnante. Na ânsia de ver as nossas frustrações vingar na realização dos nossos filhos, queremos que saibam chinês antes de saberem dizer papá e mamã, que toquem piano enquanto gatinham, que sejam atletas olímpicos entre sestas e que, pelo meio, sejam felizes e sociáveis. E queremos dizê-lo ao mundo. Como? Com uma selfie, claro!

Espelho meu, espelho meu! Há alguém mais vaidoso do que eu?

publicado às 14:08

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