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caixa dos segredos

05
Mar15

Mil Sóis Resplandescentes, de Khaled Hosseini


vanita

01040386_Mil_Sois_Resplandecentes(RL).jpg

Nunca quis ler este livro, esta é a verdade. Só o fiz por insistência de uma amiga. Já tive a minha fase de leituras que alertam - com cruéis relatos verídicos - para a misoginia e a completa ausência de direitos das mulheres em países de cultura não ocidental. Tão chocantes e marcantes que os tenho entranhados na memória, para todo o sempre. Depois do horror de "Vendidas", de Zana Mushen, e da depressão que se lhe seguiu, perdi a capacidade de lidar com este tipo de maldade. Prefiro manter-me longe, por muito cobarde possa parecer. Tomada consciência desta realidade, e do pouco que podemos fazer para a mudar, torna-se demasiado doloroso. Ainda assim, segui de peito aberto para este livro de Khaled Hosseini, que tantos seguidores conquista um pouco por todo o lado. Não é uma história tão crua como a de Zana e Nadia do livro "Vendidas", que relata um caso verídico, sem um final que nos acalme a angústia em que mergulhamos. Em "Mil Sóis Resplandescentes", a vida de duas mulheres, de gerações diferentes, serve de palco para nos contar a história dos últimos trinta anos do palco de guerra que se vive no Afeganistão. Mais do que a história de Mariam e Laila, casadas com o mesmo homem em circunstâncias de enorme atrocidade, este livro pretende mostrar ao mundo como as diferentes disputas militares influenciam a vida do povo afegão, mais precisamente no dia-a-dia das mulheres.  


Khaled Hosseini sabe o que faz. A escrita é bonita e o autor faz uso das melhores técnicas de narrativa para o tipo de romance que tem em mãos, com todos os volte-faces que irão agarrar o leitor e conquistá-lo de forma quase inesperada. As personagens são quase lineares - talvez até demais - mas acabamos por desculpar essa falta de empenho quando entendemos que o foco está na evolução de um país que está permanentemente em guerra. Reconheço que não tinha noção clara do percurso militar que se tem vivido no Afeganistão e, lê-lo na perspectiva de uma das personagens que nasceu no mesmo ano que eu, deu-me acesso a uma realidade chocante. Essa descrição é, do meu ponto de vista, a mais-valia de "Mil Sóis Resplandescentes", um livro testemunho que não deve deixar ninguém indiferente.

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