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01.03.15

A Sangue Frio, de Truman Capote

por vanita

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O jornalismo de ficção, sobretudo de crime, nunca me atraiu por aí além. Mas quando este "A Sangue Frio" me veio parar às mãos, não tive como resistir. Até porque, quer queiramos quer não, a imagem romanceada de Truman Capote já vive na nossa memória colectiva como a personagem recriada por Philip Seymour Hoffman e, convenhamos, ninguém resiste a este actor. Ainda mais agora, que desapareceu de forma tão inesperada. Foi uma boa surpresa.

 

Antes de começar a ler, sabia apenas que se tratava de um crime brutal cometido no Kansas, na década de 50. Nunca me interessei por mais pormenores, que isto de histórias macabras, basta estar atento às notícias de todos os dias. O que não falta é material para livros e "romances de ficção". Mas a data, a data também mexeu comigo. O criminoso assalto que vitimou a sangue frio toda a família Clutter ocorreu a 15 de Novembro de 1959, exactamente dois dias antes de a minha mãe nascer. Por alguma razão estranha, esta coincidência fez-me sentir alguma aproximação pessoal à história.


E o que dizer sobre este livro que Truman Capote clama estrear um novo estilo de romance inspirado em histórias reais? Pode começar-se por elogiar a forma e estrutura da obra. O reconhecimento é merecido. Desde o início, Truman Capote consegue captar a atenção do leitor, servindo de técnicas literárias e jogando com suspense, ao mesmo tempo que cria relações de cumplicidade entre leitor, personagens e o próprio relato. O jornalista acompanha os últimos momentos de vida dos membros da família Clutter em paralelo com toda a acção dos assassinos, lançando pequenos enigmas e dando algumas respostas de avanço. Quando nos apercebemos, estamos completamente envolvidos na trama que fez as páginas dos jornais durante mais de sete anos, nos Estados Unidos.

 

Mais do que isto. Truman Capote manipula o relato dos acontecimentos e, com ele, leva-nos a tomar partidos pelas partes. As sensações não são nossas, mas são-nos habilmente incutidas pelo jornalista que, claramente, se deixou envolver emocionalmente com as questões que culminaram com o assassinato desta família evangélica do Kansas. Afinal, foram precisos seis anos para que o livro "A Sangue Frio" visse a luz do dia. Seis anos e a ajuda da sua amiga de infância, Harper Lee, autora do romance "Mataram a Cotovia", que terá sido determinante para a conclusão do livro. Um livro que vale a pena ler. 

publicado às 16:13

01.03.15

O Aleph, de Jorge Luís Borges

por vanita

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Pode ser encarado como humildade, ignorância ou até alguma preguiça. A verdade é que há muito queria introduzir Jorge Luís Borges nas minhas leituras e fiquei radiante quando me ofereceram "O Aleph" no Natal. A certeza de que iria conhecer um mundo novo e entrar nos meandros que deram origem ao realismo mágico, o mesmo que serve de mote a um dos melhores livros de sempre - "Cem Anos de Solidão", de Gabriel Garcia Marques - lançou-me neste livro de contos com tanto entusiasmo, que acabei por esbarrar na minha falta de bagagem cultural e filosófica. Jorge Luís Borges é para entendidos, não para incautos. Por muito que se queira, a vontade de conhecer não chega para se estar à altura de um autor como este, considerado um dos maiores nomes da literatura mundial.


Não é tanto a ilusão que se mistura com a realidade que nos apanha desprevenidos, nem o ambiente fantástico que explora temas como a vida e a morte, a eternidade e a imortalidade, mas sim o elevado registo de conhecimento do autor que nos deixa à deriva. Composto de contos escritos em meados do séc. XX, numa altura em que o acesso à Internet era inexistente - esqueçam lá isso do Google -, "O Aleph" engloba teorias e fundamentos apenas possíveis a verdadeiros estudiosos, um conceito cada vez menos em voga. Das referências às alusões e simbolismos, todas as histórias criadas por Jorge Luís Borges promovem um debate intricado do qual me senti excluída por falta de bases. É triste assumi-lo, mas é a mais pura realidade.

publicado às 15:37

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