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20.02.15

Roleta alemã

por vanita

Pouco mais de 50 anos passaram e o destino da Europa volta a passar pelas mãos de alemães. Hoje debate-se a Grécia e a Ucrânia com a leveza de mais uma das tricas da Casa dos Segredos. E, se por um lado, há um Obama que apela à paz armada, Vladimir Putin já deixou bem claro que não vai em cantigas de amigo. Há mais em jogo do que parece. Querem ver que a roleta nunca deixou de ser russa?

publicado às 19:25

20.02.15

Corvos nos olhos

por vanita

Dois dias depois de a gripe me ter deitado à cama, ganhei forças para chegar ao sofá e ligar a TV. Sem som, que isto não está fácil. Ora, sem som torna-se ainda mais dramático. Que moda é esta dos olhos esborratados de preto e completamente camuflados com pestanas postiças, onde tudo o que se vê é um enormíssimo borrão escuro, que causa imenso ruído na imagem e, imagino que também distraía do discurso emitido. Júlia Pinheiro, Fátima Lopes, Teresa Guilherme, Vanessa Oliveira, Iva Domingues e, de certeza mais umas quantas, são vítimas desta moda horrível. Aliás, agora que penso nisso, há até um livro nos tops nacionais que apregoa isto mesmo: os corvos nos olhos. Tenham juízo, sim? Daqui a uns anos, quando este nosso presente for passado, sentirão o peso do ridículo.

publicado às 17:56

20.02.15

"Galveias", de José Luís Peixoto

por vanita

galveias.jpg

Quem viveu nos anos 80 não terá como não sorrir à realidade que José Luís Peixoto tão bem retrata neste romance a que dá o nome de "Galveias", a sua terra natal. É a terra de José Luís Peixoto mas pode ser o lugar de cada um de nós. Aliás, à parte um ou outro pormenor circunstancial de tempo, como a referência à novela que todos assistiam na altura, esta Galveias pode ainda hoje ser encontrada num qualquer canto de Portugal. Dificilmente a conseguiremos descrever com o encanto, a entrega e o lamento com que José Luís Peixoto o faz. Mas isso são outros quinhentos.

 

Em "Galveias", à semelhança de tantos outros escritores portugueses desta nova geração, José Luís Peixoto carimba muito da ruralidade portuguesa num romance entranhado da juventude e infância do próprio autor. Aos cheiros das aldeias e dos seus habitantes juntam-se aspirações e sonhos de um povo que sobrevive na desgraça, com pouca esperança no futuro, que se aguenta no rame-rame do dia-a-dia. Vidas tão cruas que apenas ganham viço na forma quase poética com que o autor nos leva a espreitar a suas casa e anseios. Mais do que o retrato dessa portugalidade resgatada à memória mas que existe em muitas esquinas deste rectângulo, José Luís Peixoto confronta-nos com a essência e motivação de personagens-tipo, sem perder o humor e com uma agilidade extraordinária de conduzir e seduzir o leitor com os pequenos mistérios, intrigas e indignações que fazem deste compêndio de vidas um todo com sentido.

 

Ler "Galveias" é maravilharmo-nos e horrorizarmo-nos com o que somos. Enquanto seres e como país. Uma viagem que merece ser lida, analisada e, pelo retrato que traça da nossa forma de estar e ser, podia e devia ser incluída nos planos nacionais de estudo.  

publicado às 16:00

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