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20.01.15

Coisas minhas.

por vanita

O mais novo era mais pequenino, mais magrinho, mais loirinho. A pele era mais clara e o cabelo menos escuro. Especial na aura que o envolvia, era um menino muito sossegadinho. Ficava onde o deixavam e entretinha-se sozinho. Gostava pouco de conversas e interacções com quem o rodeava. Desde que o deixassem estar, não chateava ninguém. Entrar nesse mundo era um desafio. Pelo menos para mim, que queria beber dessa forma misteriosa de estar. Cheguei a sonhar que sim, que dividíamos brincadeiras e partilhávamos experiências, umas quantas vezes, quando a gripe ou a constipação nos obrigavam a ficar em casa. Pura ilusão. Nunca entrei naquele mundo, foi-me apenas dado o benefício da dúvida para que a tranquilidade não fosse beliscada. As brincadeiras só aparentemente eram a dois. O mais novo é mais ele. Nasceu noutro país e rege-se por condutas únicas, sem mácula de influências. É único e chega a ser distante. Está tão longe que é difícil tocar-lhe, embora secretamente fique a esperança de que sim, que temos um lugar nosso lá, onde ele também tem o dele junto de nós. O meu mais novo vai-se embora e eu, maricas, não consigo ser como ele quer. O coração aperta-se de saudades destes nadas que nos unem.  

publicado às 17:04

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