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caixa dos segredos

30
Jan15

Vista às...


vanita

Pouco mais nos revela tanto o carácter de alguém como estas pequenas denúncias das tecnologias actuais. Mensagens vistas e nunca respondidas são sirenes de alerta. A não ignorar.

24
Jan15

Disse-me um adivinho, de Tiziano Terzani


vanita

image.jpg

Avessa a ciências ocultas e do obscurantismo, como poderia eu deitar mãos a um livro que envereda pela procura do melhor visionário de futuro numa viagem pela Ásia? A culpa é da minha amiga J., que me alertou para este livro do jornalista italiano Tiziano Terzani, que viveu grande parte da sua vida entre a China e a Índia e que ficou um ano sem viajar de avião por causa disso mesmo... de um adivinho, que lhe disse, 16 anos antes, que poderia morrer se andasse de avião durante o ano 1983! Esta é a premissa de "Disse-me um adivinho", um livro de quase 600 páginas onde somos guiados pelo autor por mundos desconhecidos e formas de ser e estar que não poderíamos descobrir facilmente.

Como saber que, até há bem pouco tempo, existia a tribo dos "cortadores de cabeças", que agradece aos deuses as boas colheitas enterrando a cabeça de uma criança de uma terra vizinha? Ou que algumas das grandes estradas de ligação entre locais inacessíveis da Tailândia foram abertas por prisioneiros-escravos agrilhoados com correntes? Como poderia imaginar que, na visão deste autor, o povo chinês representa o pior da ambição e que a destruição dos valores base do Oriente se deve à sua paixão desmesurada pelo dinheiro? O que dizer da descrição de Singapura, vista como uma ilha hermética, com ar condicionado? Viajar com Tiziano é procurar profissionais de adivinhação em grandes cidades, vestidos de fato, ou encontrá-los embrulhados em trapos andrajosos nos mais recônditos locais, onde só se chega depois de vários dias de caminhada. É ouvir a mesma lengalenga, vezes e vezes sem conta, da boca de cegos, mulheres idosas ou crianças, é ver o futuro em ossos de ovelhas ou lido nas cartas e palmas das mãos. É cheirar intrujice e sermos levados a acreditar que é possível que algumas pessoas tenham de facto mais sensibilidade para observar o mundo e quem nele habita. É viajar no comboio transiberiano e, com essa experiência, perceber o papel da Mongólia, espartilhada entre dois colossos do comunismo: a Rússia e a China. Ler "Disse-me um adivinho" é abdicar das nossas convicções e apreender outras realidades pela mão de um jornalista que só se vai dando a conhecer, sem se expor mais do que pretende. Ler este livro é aprender a fazer escolhas enquanto se enriquece a concepção que temos da realidade. Não é uma previsão, mas é um meio de chegada.

20
Jan15

Coisas minhas.


vanita

O mais novo era mais pequenino, mais magrinho, mais loirinho. A pele era mais clara e o cabelo menos escuro. Especial na aura que o envolvia, era um menino muito sossegadinho. Ficava onde o deixavam e entretinha-se sozinho. Gostava pouco de conversas e interacções com quem o rodeava. Desde que o deixassem estar, não chateava ninguém. Entrar nesse mundo era um desafio. Pelo menos para mim, que queria beber dessa forma misteriosa de estar. Cheguei a sonhar que sim, que dividíamos brincadeiras e partilhávamos experiências, umas quantas vezes, quando a gripe ou a constipação nos obrigavam a ficar em casa. Pura ilusão. Nunca entrei naquele mundo, foi-me apenas dado o benefício da dúvida para que a tranquilidade não fosse beliscada. As brincadeiras só aparentemente eram a dois. O mais novo é mais ele. Nasceu noutro país e rege-se por condutas únicas, sem mácula de influências. É único e chega a ser distante. Está tão longe que é difícil tocar-lhe, embora secretamente fique a esperança de que sim, que temos um lugar nosso lá, onde ele também tem o dele junto de nós. O meu mais novo vai-se embora e eu, maricas, não consigo ser como ele quer. O coração aperta-se de saudades destes nadas que nos unem.  

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