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caixa dos segredos

15
Out14

Lembram-se da crise da meia idade?


vanita

Muito em voga no final dos anos 80, início dos 90, a crise da meia idade era uma pequena depressão, estado de desânimo e apatia, que chegava com os primeiros cabelos brancos e usava-se para justificar alguma neura e mau-feitio sobretudo nos homens, à altura, nossos pais ou pais dos nossos amigos, vizinhos ou simples conhecidos. A crise da meia idade, termo altamente científico usado para assinalar as obtusidades de quem já tinha visto o ano virar mais de 30 vezes, nada mais era do que a certeza de que caminhamos para velhos, nunca para novos. Naquela altura, não se era jovem adulto à beira dos 40. Era-se adulto em caixa alta, com tudo o que isso pesa às costas. Tinham-se filhos e encargos, empregos e trabalhos e, tal como acontece aos jovens adultos de agora, o peso da idade abatia-se sobre a nossa cabeça como uma fórmula de cálculo científico e aritmético entre o que foi e o que sobra para o que ainda não teve lugar. A esbarrar nos 40, percebemos a vertigem que corre desde os 18. Num dia temos anseios que não cabem no coração, no dia seguinte, o prazo de validade está quase expirado e ainda há tanto por fazer. A crise da meia idade é a consciência abrupta de que o tempo não chega, de que os sonhos do mundo não cabem no espaço de uma vida, talvez nem de mil. Compreender isso e fazer as pazes connosco é o grande desafio desta etapa que nos atormenta. É mentira que somos jovens e que temos o tempo todo pela frente. Não temos e as nossas escolhas condicionam os próximos passos. Mas o mundo não acabou. Simplesmente nos mostrou que é efémero e lança-nos um apelo para não tomarmos decisões de ânimo leve nem nunca baixarmos os braços na procura do que nos faz bem. É que amanhã, quando acordarmos, já estamos na terceira idade. Lembram-se da terceira idade?

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