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caixa dos segredos

10
Set14

Apelos aos funcionários do Metro


vanita

É de peito aberto, lenço branco e sem armas nas mãos que vos falo do fundo do coração. Desistam das greves, por favor. Bem sei que é uma luta por melhores condições de trabalho e para impedir mais cortes saláriais. Hoje em dia, em Portugal, não há trabalhador que não entenda essa reinvindicação e nem é contra ela que vos falo. O meu apelo surge do mais profundo desespero de quem também tenta manter o seu dia-a-dia digno, com alguma assiduidade ao trabalho e já com sacrífico no pagamento de inúmeras contas, onde também consta o passe mensal. Desistam das greves, por favor. Andamos todos cansados e com pouca esperança no futuro, mas não nos obriguem a viver manhãs de correria na incerteza de quando conseguiremos chegar ao trabalho e a que custo. Não nos obriguem a andar a pé, à chuva, entalados em autocarros onde não cabe nem mais um braço. Não nos obriguem a pagar por soluções extra por causa das greves. Não nos peçam para ficarmos no trânsito, horas a fio, com os nervos em franja e o patrão a bufar do outro lado do telemóvel. A vida não está fácil, mas não nos obriguem a viver com menos dignidade ainda. Desistam das greves, porque é difícil ficar do vosso lado, quando o nosso vos é completamente indiferente. Bem sei um dos vossos argumentos é pela qualidade do serviço. Pois, na minha opinião, como utente, prefiro mil vezes esperar quinze minutos por uma carruagem a viver as manhãs de terror que vocês nos têm imposto. É da forma mais humilde que consigo que vos lanço este apelo: desistam das greves, por favor. Passem mensagem, falem da nossa angústia, expliquem aos vossos colegas que também trabalham no Metro, mas não nos dêem esta cruz. Pelo que é mais sagrado.

 

Uma paralisação de 24 horas é completamente irreal. 

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