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19.08.14

"O Feitiço de Xangai", de Juan Marsé

por vanita

Não tenho uma relação fácil com este autor, mentiria se dissesse o contrário. Tinha este livro na lista de espera há um tempo considerável e foi com alguma retinência que finalmente lhe peguei. Juan Marsé não é um autor fácil, desenganem-se se assim o pensam. As suas frases e ideias são profundas e elaboradas, as histórias que conta enchem-se de uma aura de magia a que a indiferença será alheia. É inevitável a comparação com Carlos Ruiz Zafón, uma vez que as tramas têm lugar no mesmo espaço e tempo do sempre mítico "Sombra do Vento". Barcelona do início do século XX, com todas as suas intrincadas personagens, prenhes de medos e angústias, reflexo de tempos conflituosos que se entranham um pouco por todo o lado. Mas, se Carlos Ruiz Záfon pode ser sombrio e fantasioso, Juan Marsé reveste-se de uma ambiência demasiado realista para que o romance ganhe força em relação às intensas questões subtilmente abordadas sobre a vida dos homens e as consequências das suas decisões. Não podia deixar de ser um romance com final ambíguo, e é exactamente isso que me desconcentra. A vida é mesmo assim, incerta e sem verdades absolutas. Mas, por isso mesmo, procuramos alguma rede num romance como este. Apesar de tudo, recomendo.
publicado às 14:12

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