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caixa dos segredos

06
Jun14

Herberto Helder


vanita

Vamos começar por pôr os pontos nos is: eu nunca li nada do mítico poeta português. Não tenho qualquer motivo para duvidar da sua excelência, que me é afiançada sem mácula por todos e quaisquer quadrantes da nossa sociedade. É o melhor poeta português vivo. Herberto Helder, que ainda não li mas quero ler, vive desta aura mágica. Ouve-se o seu nome e faz-se uma vénia. Herege aquele que ousar contrariar a única certeza absoluta da nossa vida contemporânea. Também não é isso que me proponho. O que quero é analisar a estratégia de promoção e marketing imbatível para a venda dos livros de Herberto Helder (já fizeram a vénia?). Ora, qualquer título do autor lançado no mercado é feito em edição limitadíssima e exclusiva. Saem pouquíssimos livros para a rua e são os únicos a ver a luz do dia, numerados e tudo. Estão a acompanhar? O melhor poeta português tem poucos e identificados livros a que possam lançar as mãos. Talvez isso ajude a explicar o facto de ainda não o ter lido. Adiante. Com esta brilhante estratégia, assiste-se a um rodopio de cadeiras e burburinho sempre que é anunciado um novo livro. Que é o que vai acontecer na segunda-feira, dia 9. Não há intelectual, literato ou entendido que não mexa cordelinhos para garantir o acesso a um, senão dois exemplares - só deixam comprar dois por pessoa?! - deste carimbo de cultura para exibir na estante lá de casa. Fala-se com editores, pede-se o contacto de livreiros, avisam-se os amigos de quantos já se conseguiram reservar e em quantos sítios diferentes. No fundo, funciona um pouco como o defeso do futebol: muita conversa, muita jogada de bastidores e só no final é que se retiram conclusões verdadeiras. São dias de grande emoção e entusiasmo para os fãs. Eu, que ainda não tive o prazer de ler - mas quero -, observo tudo isto com particular curiosidade. Sem deixar de reparar no facto de que, este ano, a estratégia habitual precisou ainda de um reforço. Não há quem não saiba que o novo livro do Herberto Helder traz consigo um CD onde o poeta declama cinco dos seus poemas. Estão a sentir o orgasmo intelectual? Pois, é muita fruta. Mas eu gosto de saber que, mais ou menos cultos, todos se comportam da mesma maneira. Apenas a níveis diferentes. E agora vão lá correr para as lojas fazer a vossa reserva. Ainda estão em tempo e a oportunidade é única. Pergunto-me como seria encarada esta mesma estratégia com autores como Cláudio Ramos, por exemplo. Se calhar, basta numerar os livros que saem para o mercado.

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