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14.05.14

Eu tinha dito que vinha cá falar sobre endometriose

por vanita

Hoje é o dia. Ok, é um palavrão. Precisei de o ouvir algumas vezes até assimilar a palavra e atribuir-lhe um significado. Mas afinal, o que é a endometriose? Muitas - e muitos, claro - já estão familiarizados com a doença - prefiro chamar-lhe condição - mas a maior parte chega até ela num contexto específico, o que pode gerar alguma confusão. Vamos por partes. Endometriose é uma condição que se caracteriza pela difusão de tecido do endométrio por zonas e locais onde ele não deveria estar. Trocado por miúdos: o útero é constituído por um tecido que reflecte o ciclo menstrual da mulher, passando pelas suas várias fases, incluíndo a TPM e sangramento. Ora, quem sofre de endometriose tem, por assim dizer, pedaços de tecido espalhados um pouco por toda a parte - uns mais outros menos - agarrados aos órgãos internos, à solta, até como tecido de ligação de "peças" que nunca estariam juntas não fosse essa condição. Dependendo da gravidade da doença, esses pedaços podem até ser classificados como tumores benignos. O que se passa, e isso é o que nos faz lembrar deste nome endometriose para sempre, é que o tecido endometrial se comporta sempre como se ainda estivesse dentro do útero, a cumprir a sua função normal. Ou seja, as dores de que muitas se queixam, são agravadas e espalhadas um pouco por todo o lado, atendendo à dimensão do festim que se dá na nossa barriga - pode ir mais longe, mas vamos restringirmo-nos à barriga. Dores estas que são ainda mais excruciantes atendendo ao facto de que o tal tecido já está, muitas vezes, a comprometer a posição natural dos órgãos a que está agarrado. Estão a apreciar a viagem até aqui? Espero que sim. Parece horrível? É pior. Na verdade, muitas mulheres em idade fértil sofrem de endometriose. Sem saberem. Porquê? Porque não é possível diagnosticar a doença sem uma biópsia, porque, infelizmente, há pouca informação, até entre a comunidade médica que, ainda por cima, tem alguma tendência para desvalorizar as queixas das pacientes. Se as vossas dores menstruais vos impedem de fazer o dia-a-dia normal, se têm vómitos e diarreias, se as queixas se prolongam para do período menstrual, é possível que sejam uma das vítimas não diagnosticadas desta doença do Demo. Isto porque, a maior parte das mulheres que descobre que sofre de endometriose chega ao diagnóstico quando está a tentar engravidar sem êxito e procura ajuda médica. Daí a tal confusão inicial de que falei ao início. Para muitas mulheres, e até médicos especialistas, a endometriose é apenas uma doença que prejudica muito a fertilidade da mulher. É vista como uma das causas de infertilidade e a única abordagem à doença é conseguir que o casal conceba um bebé. Se causa dores de morte ao comum dos mortais que não pensa ter filhos, é pouco importante. Até porque, não há cura. Se o diagnóstico é difícil e labiríntico - o meu foi feito depois da minha apendicectomia (bendita, foi cá uma caixa de surpresas!) - o tratamento é inexistente. Há uma mini-pílula que me fez engordar - embora esteja desconfiada que é a própria endometriose que me causa a retenção de líquidos - e há tratamos com hormonas que provocam uma espécie de pré-menopausa. Depois há o tratamento cirúrgico, a que recorri há quase dois anos por estar no nível "severíssimo" da doença e ter desenvolvido um quisto nada amistoso na trompa direita. Fiz a operação de vanguarda com o melhor médico desta especialidade e correu muito bem. Gastei todas as minhas poupanças, que nada disto é comparticipado, nem sequer pelos seguros. E vivi muito bem durante um ano. Nesse período saiu-me um peso de cima. Literalmente também, já que o tal inchaço de retenção de líquidos desapareceu totalmente. Durante um ano, descobri que a vida é mais leve e fácil quando não temos dores. Descobri que se vive sem dores diárias - seja de barriga ou de cabeça ou de que incómodo for -, descobri que sou mais feliz sem isso. Sem as dores, essas putas que não me largam. Sim, não me largam. Um ano depois da operação, voltaram à carga e são excruciantes, tal como antes. Fico feliz por ter tido um período de descanso, uma pausa, mas sinto necessidade de falar nisto. Porque é uma realidade desconhecida, porque me condiciona tanto a vida - a mim e a milhares de mulheres - e porque a par da endometriose, ou por causa dela, todo o nosso corpo se ressente. Ter dores todos os dias cansa e desgasta. Tanto. E a sociedade nem sequer o imagina. Por isso, aqui fica o meu alerta e, da próxima vez que virem uma menina com agastado nos transportes públicos, pensem duas vezes antes de a recriminarem por não ceder o lugar a alguém. Não aconteceu comigo, mas podia acontecer.

publicado às 21:26

14.05.14

Não, eu não torço pelo Benfica

por vanita

Não me importo que ganhem, já que chegaram à final da Liga Europa. Mas não torço por isso. Era o que me faltava! São benfiquistas, não são portugueses, como alguns gostam de dizer por aí. Ah, e tal, que é um clube nacional. Pois que seja, que ganhe até, se for caso disso. Mas não com o meu entusiasmo. Porque, quando ganham, já não se lembram desses discursos. Ganha o Benfica e ponto final. Pois, que ganhem sozinhos.

publicado às 13:30

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