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caixa dos segredos

19
Abr14

Curiosamente, sou Bartleby


vanita

Renuncio à escrita não porque não a tenha dentro de mim mas porque não encontro instrumentos para a fazer perfeita. Desde que aprendi a escrever que outros apregoam o meu futuro na literatura com alguma convicção, mas o terror daquela página em branco e o processo doloroso que levou à criação da pequena história que arrebatou a professora primária ainda hoje é uma realidade para mim. Durante muito tempo, usei como defesa a realidade. Assumia que sim, que escrever é parte de mim, mas explicava que gostava de o fazer com factos reais e, a partir daí, ter matéria para dar azo à minha criatividade. Ser jornalista durante mais de dez anos sossegou os convictos que, ainda assim, de tempos a tempos lá perguntavam quando é que finalmente escrevia um livro. No meio de um suspiro de angústia, passei a justificar-me com o respeito que tenho por todos os verdadeiros escritores. Não quero ser mais um desses auto-intitulados escritores que nem humildade têm para reconhecer que escrever umas páginas não chega para se equipararem a Saramago ou Eça de Queiroz. E agora, que me sobram cada vez mais rascunhos e ideias sobre histórias que apenas existem na minha cabeça, escasseiam razões para não tentar o que tantos fazem sem medo. Hoje em dia qualquer um escreve um livro e muitos até são de valor. O que me impede de experimentar? Quem me garante que não acontece como a composição da escola primária? Voto no complexo de Bartleby. Pelo menos assim, tenho uma justificação literária que me confere carisma. É frustrante, mas vai ser a minha nova desculpa.
19
Abr14

Morte ao Facebook


vanita

Por mim, matava o Facebook. Quem me conhece não acredita que eu pense isto, mas a vontade de apagar a minha conta todos os dias me passa pela cabeça. Estou cansada da ditadura das redes sociais e das falsas notícias, relações e verdades que por ali passam, mas não consigo deixar de me envolver, por mais que me esforce. E porquê? Porque parte do meu trabalho passa pela gestão das redes sociais da minha empresa, porque o FB é a melhor fonte de contactos - pelo menos uma das mais imediatas - e porque, há que admiti-lo, me tornei viciada em posts e notificações. Qual agarrada, daria tudo para largar este vício que, como todos, não é minimanente saudável.

 

Se inicialmente as redes sociais foram um alívio para pessoas mais introvertidas como eu, que não gostam de sair todos os dias e, assim, encontraram forma de se manter em contacto com os amigos, agora começam lentamente a mostrar o revés da medalha. Quem não saía, sai ainda menos e, surpreendentemente, as redes sociais não substituem os amigos nem as saídas para pôr as conversas em dia. Pior, as redes sociais inquinam as relações, são fonte de conflitos e mal entendidos, geram invejas e maus sentimentos e, inesperadamente, afastam as pessoas.

 

O melhor de dois mundo seria uma utilização racional das redes sociais, mas quando um produto se massifica a razão é imediatamente esquecida. É radical, mas todos os dias desejo a morte ao Facebook. Ou à parte doente dele.

19
Abr14

Fim-de-semana de festa


vanita

É sabido que não sairemos da Páscoa sem um mar vermelho. O meu conselho é que respiremos fundo, façamos figas e tentemos não pensar muito nisso. Daqui a pouco já será segunda ou terça-feira e outras prioridades se irão sobrepôr. Afinal, os 40 anos do 25 de Abril estão aí à porta e também merecem ser festejados. Depois. Depois vêm as mini-férias, a Feira do Livro, o Mundial, o Rock in Rio e todos os festivais que se seguem. Por agora, respiremos fundo. Passa rápido.

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