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26.04.14

Direita ou Esquerda: uma questão de prioridades

por vanita
A propósito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril dei por mim a reparar nas posturas das mais variadas facções da nossa sociedade, sobretudo agora que a conquista da Liberdade deixou de ser abertamente consensual. Agora que as coisas estão a correr mal, os novos-ricos, admiradores do regime da outra senhora, perdem o medo e ganham cada vez mais coragem para atirar cá para fora o que sempre disseram em surdina ao longo das últimas décadas. Que antigamente é que se estava bem porque, ao menos, os cofres do Estado estavam cheios, que havia escolas e educação e toda aquela conversa que já ouvimos milhares de vezes. Além de serem falácias, apenas permitidas com o passar do tempo - é esse efeito que a História traz aos grandes acontecimentos - o que me irrita nem é tanto a postura de quem acredita realmente nesta visão da realidade. Felizmente estamos em democracia e isso é-nos permitido. Aliás, é do debate de ideias que nascem novas soluções e sou 100 por cento a favor da discussão de pontos de vista divergentes. O que realmente me incomoda é a postura dos mais novos, porque o futuro está nas mãos deles, sobretudo quando é claro como a àgua que essas posições advêm única e exclusivamente do ambiente em que crescem e são educados.
Eu explico, começando por uma visão muito simplista da coisa. Ser de direita ou esquerda começa por ser uma questão de prioridades, de berço, de nascença. Mesmo sem que a tendência esteja definida, mesmo sem que o saibam, há duas prioridades que determinam a postura política inicial de qualquer indivíduo. Quem nasce com privilégios e acesso a cultura e educação, tem à partida uma vantagem sobre os que nascem em famílias com menos posses e, logo, maiores dificuldades de acesso a conhecimento e fontes. Como disse, estamos a falar numa visão simplista. Partindo deste principio, será fácil de entender que as prioridades são distintas. Quando à partida as necessidades básicas estão garantidas e nem sequer são uma questão, é natural que se entenda a política de uma forma mais universal e macro-económica, tal como é defendida pelos partidos da direita. No entanto, se o pão na mesa não está garantido, se é preciso trabalhar para estudar e se a vida impõe prioridades mais urgentes, as políticas de esquerda são, quase organicamente, a prioridade. Como se pode ter uma visão mais abrangente se não se consegue garantir as obrigações do dia-a-dia? Nada do que estou a escrever é novo. É sabido e estudado, mas nem por isso existe uma mudança de atitudes.
Como é óbvio, pouco importa se somos de direita ou esquerda. Importa sim que as diferenças sociais sejam tão poucas que nos aproximem enquanto povo e nação. E isso é que me tem irritado. Porque durante pouco mais de uma década, essa clivagem quase se extinguiu e, apercebo-me agora, pelos discursos desses novos e velhos ricos ressabiados, do quanto isso os terá incomodado. Do horror que terá sido aguentar que o filho da cozinheira se tivesse graduado. É lamentável porque, nessa tal visão simplista que tanto aprecio, qualquer um desses indignados poderia ter nascido filho de camponês, porque isso dos privilégios por nascimento é uma sorte e porque o que os faz realmente grandes - aos privilegiados - é a capacidade de entenderem isso e de, apesar da sorte que lhe coube, também quererem indireitar o mundo. Que isso do dinheiro nos cofres do Estado enquanto o povo passa fome é tão mau como o dinheiro nos cofres dos bancos e da Troika. Não ter medo da liberdade de acessos é um gesto magnânime, querer condicioná-los a uma classe exclusiva é próprio de gente pequena. Gente essa que se tem posto cada vez mais em bicos dos pés. Afinal, as prioridades voltam a estar a seu favor.
publicado às 14:22

24.04.14

Follow Thursday #2

por vanita

Eu não conheço a Alexandra, mas foi a pessoa que mais me deu força quando estava a ler o «Guerra e Paz». A cada pequeno progresso que registava no Goodreads, a Xana, estava lá, entusiasmadíssima, a partilhar a minha alegria por mais umas páginas lidas. Parece pouco, mas por vezes é o incentivo que falta para chegar ao fim e não desistir. Isto tudo para vos dizer que a Alexandra tem um blog tão espectacular como ela. Descobri-o depois, ou então, só liguei uma pessoa à outra mais tarde. A verdade é que gosto mesmo do que ela escreve. E sim, é sobre literatura. E é tão bom. Vão lá ver.

publicado às 12:21

21.04.14

Não gostei de ver o Marquês de vermelho

por vanita

E nem vou pelo que terá custado toda a parafernália da coisa e quem a terá pago. Isto porque, menos de que não gostar de ver a parolice de vestir uma camisola a uma estátua que até tem um Leão aos pés, não achei a mínima graça ao coro que se levantou contra os lampiões. Deixem-nos fazer a festa à maneira deles, mesmo que seja tolinha. Quando formos nós, fazemos o mesmo ou pior. Antes isso do que assistir, como tenho assistido nas últimas horas, ao chorrilho de posts aziados. É que são em maior quantidade que os de festa. Que tristeza.

publicado às 14:58

20.04.14

Orgulho sportinguista

por vanita
Há quatro anos fui para o Marques festejar o título de campeão com amigos benfiquistas. Pior, fui eu que os incentivei a fazer a festa. Hoje custou-me mas fiz questão de dar os parabéns aos vencedores logo nos primeiros minutos. Já vi mais adeptos do Sporting a fazê-lo. E a moça do McDonald's estava toda animada para ir festejar com os amigos. Uma moça sportinguista. Somos um clube diferente, que me enche de orgulho.
publicado às 20:17

19.04.14

Curiosamente, sou Bartleby

por vanita
Renuncio à escrita não porque não a tenha dentro de mim mas porque não encontro instrumentos para a fazer perfeita. Desde que aprendi a escrever que outros apregoam o meu futuro na literatura com alguma convicção, mas o terror daquela página em branco e o processo doloroso que levou à criação da pequena história que arrebatou a professora primária ainda hoje é uma realidade para mim. Durante muito tempo, usei como defesa a realidade. Assumia que sim, que escrever é parte de mim, mas explicava que gostava de o fazer com factos reais e, a partir daí, ter matéria para dar azo à minha criatividade. Ser jornalista durante mais de dez anos sossegou os convictos que, ainda assim, de tempos a tempos lá perguntavam quando é que finalmente escrevia um livro. No meio de um suspiro de angústia, passei a justificar-me com o respeito que tenho por todos os verdadeiros escritores. Não quero ser mais um desses auto-intitulados escritores que nem humildade têm para reconhecer que escrever umas páginas não chega para se equipararem a Saramago ou Eça de Queiroz. E agora, que me sobram cada vez mais rascunhos e ideias sobre histórias que apenas existem na minha cabeça, escasseiam razões para não tentar o que tantos fazem sem medo. Hoje em dia qualquer um escreve um livro e muitos até são de valor. O que me impede de experimentar? Quem me garante que não acontece como a composição da escola primária? Voto no complexo de Bartleby. Pelo menos assim, tenho uma justificação literária que me confere carisma. É frustrante, mas vai ser a minha nova desculpa.
publicado às 16:22

19.04.14

Morte ao Facebook

por vanita

Por mim, matava o Facebook. Quem me conhece não acredita que eu pense isto, mas a vontade de apagar a minha conta todos os dias me passa pela cabeça. Estou cansada da ditadura das redes sociais e das falsas notícias, relações e verdades que por ali passam, mas não consigo deixar de me envolver, por mais que me esforce. E porquê? Porque parte do meu trabalho passa pela gestão das redes sociais da minha empresa, porque o FB é a melhor fonte de contactos - pelo menos uma das mais imediatas - e porque, há que admiti-lo, me tornei viciada em posts e notificações. Qual agarrada, daria tudo para largar este vício que, como todos, não é minimanente saudável.

 

Se inicialmente as redes sociais foram um alívio para pessoas mais introvertidas como eu, que não gostam de sair todos os dias e, assim, encontraram forma de se manter em contacto com os amigos, agora começam lentamente a mostrar o revés da medalha. Quem não saía, sai ainda menos e, surpreendentemente, as redes sociais não substituem os amigos nem as saídas para pôr as conversas em dia. Pior, as redes sociais inquinam as relações, são fonte de conflitos e mal entendidos, geram invejas e maus sentimentos e, inesperadamente, afastam as pessoas.

 

O melhor de dois mundo seria uma utilização racional das redes sociais, mas quando um produto se massifica a razão é imediatamente esquecida. É radical, mas todos os dias desejo a morte ao Facebook. Ou à parte doente dele.

publicado às 14:24

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