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caixa dos segredos

05
Fev14

Droga, outra vez?


vanita

Filha do pós-25 de Abril, cresci com exemplos da geração imediatamente anterior à minha que me serviram de lição nos anos mais wild. Ao virar da esquina, ao virar de qualquer esquina, eles lá estavam: os drogados. Os viciados, sem solução. Os não-avisados. Ninguém os tinha alertado para as consequências, não havia quem tivesse noção do caminho que aqueles momentos de prazer iriam trazer. E eles ali estavam, à vista de todos, escolhos da sociedade, para vergonha de uns e como exemplo para outros. Nunca outra geração foi tão avisada acerca das drogas. Nós tínhamos uma missão e não podíamos falhar. Nós éramos a ultima esperança de quem há tão pouco tempo se tinha visto sem chão, quem sabe por falta de alguma atenção. Quem sabe se a prevenção não poderia ter evitado tanta desgraça?

Foi neste ambiente que cresci. A droga maltratou demasiados jovens, pouco mais velhos do que eu. Destruiu famílias e fortunas, ceifou vidas e futuros. E estava ali à espreita, à esquina. E, na verdade, com os exemplos à vista e a atenção redobrada, o flagelo diminuiu drasticamente nos anos que se seguiram. Não só fomos capazes de fugir à miséria de uma vida de dependência, como demos ao País a geração mais bem qualificada em termos de graus académicos. Fomos o orgulho dos nossos pais. Mas não fomos inocentes. A droga sempre existiu e também fez parte do nosso crescimento. Apenas sabíamos bem de mais as consequências da dependência das então chamadas drogas pesadas. Os mais aventureiros apostavam nas drogas leves e a coisa ficava por aí.

Qual não é o espanto quando me apercebo que o terror desapareceu do mapa e, de há uns anos para cá, as ditas drogas pesadas passaram a fazer parte de alguma rotina da vida nocturna. Das tais festas secretas regadas a cocktails explosivos, das saídas com amigos à noite e, já sem qualquer pudor, da vida de toda qualquer estrela. Sim, sim, todos os famosos sempre conviveram com substâncias ilícitas desde que começaram a mamar, é sabido. Também, desde os primórdios da indústria do cinema e da música que os ídolos se desfazem em pós de perlimpimpim. É sabido, claro que sim. Mas talvez esteja altura de se voltar a puxar o travão de mão quando jovens ainda de cueiros, como Justin Bieber, Selena Gomez ou Miley Cirus perdem o pé antes sequer de chegar ao auge das suas carreiras. Ou quando Philip Seymour Hoffman é encontrado morto com uma seringa espetada no braço. E isto só para citar exemplos dos últimos dias.

Os tempos mudaram, a angústia das crises económicas e a falta de rumo não ajudam, mas não alinhem em atalhos. Tal como nos anos 70 e 80, as drogam matam e destroem. Não são, de todo, o caminho mais fácil para chegar a lado nenhum. Vejam filmes, leiam e informem-se. Não há desculpa para a ignorância. Mas, acima de tudo, usem a cabeça para pensar. E nunca tenham medo de dizer que não. Nem a vocês mesmos.

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