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06.01.14

Há o mito e há o homem

por vanita

E, embora sejam a mesma pessoa, não se confundem. O homem tem defeitos terrenos, como qualquer ser humano. O mito é um ser que ascende à categoria de Deus, muito acima de qualquer humano. A lenda vive muitos mais anos do que o corpo que lhe dá origem. Ao corpo pertencem as qualidades humanas, que se esvaziam aquando da morte. Eusébio é um símbolo nacional, já o era muito antes da sua morte e manter-se-á assim por mais anos do que poderemos prever. Mas o homem que era Eusébio morreu ontem e também merece respeito. Não era um homem perfeito, nenhum homem é, mas como todos, deve ser dignificado na hora da sua despedida. Não quer dizer que se apague eventuais actos menos próprios de um homem que tem a sorte de ascender à qualidade de ser superior, mas sim que se deve respeitar quem ama o ser humano que foi. Nada disso, no entanto, invalida que as afirmações de Mário Soares estejam erradas. Quem lidou um dia que fosse com Eusébio sabe-o. Mário Soares peca apenas pelo sentido de oportunidade e por não respeitar a dor dos outros. Porque um dia, quando também ele chegar ao outro lado, vozes se levantarão contra o ex-Presidente da República. E também essas vozes estarão erradas. Por não respeitarem o momento da morte. Que é o que distingue os homens dos mitos. 

publicado às 00:59

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