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15.10.13

Tinha 17 anos e fiz greve à escola

por vanita

Em Lisboa, os estudantes do secundário iam manifestar-se frente ao Ministério da Educação. Em causa estavam os exames nacionais e a falta de tempo de preparação para a exigência dos mesmos. Eu estudava na província, numa escola coorperativa com gestão semi-privada. Fazia parte do grupo de rebeldes - bem pequeno por sinal - que se quis aliar à luta nacional. Nesse dia, fomos à escola mas não fomos às aulas. Sentados nos bancos da entrada, estávamos de greve. Até tínhamos uns cartazes e apresentávamos as nossas exigências aos professores que vinham falar connosco e aos colegas que nos criticavam. Acontece que a minha escola era gerida por um director exemplar, distante e autero mas que tinha o cuidado de manter alguma proximidade com os problemas dos alunos. Perante a nossa revolta, o director saiu da sala durante um dos horários de aula e falou connosco. Perguntou-nos o que queríamos e pedimos tempo para estudar. «Ok, na semana antes dos exames estão dispensados das aulas». Acabou ali a greve. Foi extensível a todos, mesmo aos que nos chamaram de rebeldes e foram às aulas feitos coninhas. 

 

E a minha pergunta é? O que é preciso para acabar com as greves dos transportes públicos. Que frase é que podia acabar hoje com este suplício? E não pensem que não li os manifestos e justificações do trabalhadores. Li, pois. E confesso que dali retirei apenas uma salganhada de quem está insatisfeito mas não tem um rumo definido. Não acredito que haja uma frase, uma cedência - ou várias -, que pusessem um ponto final nesta guerra civil. Mas isto sou eu, que até acreditava que a greve era uma arma de luta dos cidadãos. Até a ver destruída pela banalização.

publicado às 13:19

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