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caixa dos segredos

28
Out13

Descarril(h)ámos completamente.


vanita

O que é que é impressionante em toda esta "deliciosa" novela da separação de Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho? É que não houve um único 

órgão de comunicação a ficar indiferente, com os cinzentões desta vida, um pouco envergonhados, a apregoarem a mais esfarrapadas desculpas para, tal como todos os outros, se prostarem em frente à casa do ex-casal e se adiantarem em detalhes sórdidos que conseguem junto das suas fontes mais credíveis. Mas não fujam já, não é isto que é verdadeiramente impressionante. O que é realmente estrondoso é que, com esta história, se prova que ainda há jornalismo em Portugal. Os telefones ainda funcionam, as esperas continuam a justificar-se e as histórias ainda têm vários lados que podem e devem ser ouvidos, relatados e contados. O que é impressionante, repito, é que já nada disto se faz no que diz respeito às políticas deste nosso rectângulo, às denúncias de corrupção dos nossos estadistas e às histórias de fazer corar as pedras da calçada que envolvem a banca e os poderosos. Aí, meus amigos, aí ninguém se atreve e não há desculpa que valha, nem valor notícia que faça os telefones tocar. E é isso que, infelizmente, torna tudo isto impressionante. Degradante até. Porque, se é notícia, é porque não interessa.  

27
Out13

Inspira, expira... Respira


vanita

Não vale a pena reclamar. Está na hora de reunir energia para aguentar durante dois meses. É isso mesmo, há que relativizar. Está coisa das noites que começam a meio da tarde dura até 21 de Dezembro. São menos de dois meses de sofrimento, até ao solstício de Inverno. Se até lá nos conseguirmos distrair com o Verão de S. Martinho e o rebuliço do Natal, nem damos pelo tempo passar. Quando dermos por isso, já estamos em Janeiro e o processo já se inverteu. Os dias, a pouco e pouco, voltam a ficar de tamanho decente e, na loucura, podemos começar a sonhar com o bom tempo. Não custa nada. Hoje é só o primeiro dia e, reparem, já esta quase passado. Coragem, estamos todos no mesmo barco.
18
Out13

"As Primeiras Coisas", de Bruno Vieira Amaral


vanita

 

 

Não sei quantos de vocês já ouviram falar em Bruno Vieira Amaral, sei menos ainda se o costumam ler. Bruno Vieira Amaral é presença assídua e reconhecida num determinado círculo da blogoesfera, é crítico literário na revista Ler e, façamos já as apresentações, domina com grande destreza os inúmeros recursos estilísticos desta língua que nos calhou em sorte. Acresce realçar que Bruno Vieira Amaral é um jovem - tem a minha idade! - e, portanto, um forte candidato a juntar ao rol de escritores que têm surgido nos últimos tempos. Feita a introdução, o que quero mesmo é discorrer sobre este "As Primeiras Coisas", que é isso mesmo, o primeiro romance de Bruno Vieira Amaral.

 

Ainda não tinha lido 15 páginas e estava rendida. Poderia ficar por aqui? Poderia, mas faltaria tudo. Não se pode ser indiferente à escolha de palavras usada para a apresentação deste narrador que, durante todo o livro, irá assumir diferentes posturas e papéis. Há um discurso cuidado e estudado durante a apresentação desta personagem principal - quem sabe se para estabelecer uma distinção em relação ao que se segue -, que, apesar de menos usual e até exagerado, cria imediata empatia com o leitor que não deixará de se identificar com a história de um desempregado, recém-divorciado, que se vê obrigado a regressar à terra de origem. Acontece que a terra de origem é o Bairro Amélia, o verdadeiro protagonista deste romance. O Bairro Amélia, o peculiar Bairro Amélia, situa-se na Margem Sul e, a partir daqui, toda a acção se desenvolve na apresentação das suas peculiaridades e narração da vida e motivações de cada um dos habitantes. A minha vénia. Escolher a Margem Sul como cenário para um romance português é, simplesmente, brilhante.

 

Não me fico por aqui. Este não é um livro assim tão banal. Há que apreciar a metamorfose do narrador na apresentação de cada um dos elementos desta intricada história que dizem ser um policial. Mais do que o relato, é a dança das palavras, o ritmo e a cadência das descrições, assim como as expressões escolhidas, que dão colorido a este livro. É uma estreia arrojada que, adivinho, colherá opiniões distintas, apaixonadas ou indiferentes. "As Primeiras Coisas" vai ao âmago do que somos e cada um sabe de si. Não é um livro perfeito, lamento dizê-lo. Mas algum é? O deslumbre pelas personagens não me iludiu quanto à quase ausência de enredo. Por favor, senhores críticos literários que aqui venham parar, não me caiam em cima. Como se nota, estou a esforçar-me para que isto resulte bem. Quando me refiro a enredo, falo no mais básico, no guião da história. Não me entendam mal, o livro tem uma história, fascinante até. Como leitora, gostaria apenas de a ter visto mais explorada, de estabelecer ligações e fazer deduções um pouco mais óbvias. Talvez quisesse ter sido levada pela mão do narrador, atrevo-me a dizer. Talvez o objectivo do autor fosse outro, mas eu preferia uma opção um pouco diferente. Posto isto, resta-me dizer que estou ansiosa pelo próximo romance e, quem sabe, pelo regresso ao Bairro Amélia.

17
Out13

Olhà cartinha da SS a pedir o subsídio de desemprego de volta!


vanita

37,61 euros, o número da besta. 37,61 euros é o valor que a Segurança Social me reclama a mim, que pedi subsídio de desemprego parcial ao fim do primeiro mês e arranjei novo trabalho sozinha - tenho lá em casa emoldurado pedido de desculpas do centro de emprego por não me ter servido de nada. Hei-de emoldurar esta que a SS agora enviou, a pedir a reposição de 37,61 euros do subsídio parcial de desemprego que usufrui indevidamente durante os meses de Julho e Agosto. Na loucura, pus meio depósito de gasolina a mais do que devia. Ou terá sido aquele biquini que me piscou o olho? Será que aceitam a devolução em géneros? Só o usei uma vez e está praticamente novo. 37,61 euros, ppfff....
17
Out13

Não tenho tido tempo


vanita

 

Mas li o "Desumanização", de Valter Hugo Mãe, em dois dias. Serve de desculpa, não serve? Façam o mesmo, não se vão arrepender.

 

A minha eterna gratidão a esta menina, que mo ofereceu como prenda de aniversário e, bem mais maluca do que eu, não o leu em dois dias: leu-o por duas vezes. De seguida. Fabuloso.

 

15
Out13

Tinha 17 anos e fiz greve à escola


vanita

Em Lisboa, os estudantes do secundário iam manifestar-se frente ao Ministério da Educação. Em causa estavam os exames nacionais e a falta de tempo de preparação para a exigência dos mesmos. Eu estudava na província, numa escola coorperativa com gestão semi-privada. Fazia parte do grupo de rebeldes - bem pequeno por sinal - que se quis aliar à luta nacional. Nesse dia, fomos à escola mas não fomos às aulas. Sentados nos bancos da entrada, estávamos de greve. Até tínhamos uns cartazes e apresentávamos as nossas exigências aos professores que vinham falar connosco e aos colegas que nos criticavam. Acontece que a minha escola era gerida por um director exemplar, distante e autero mas que tinha o cuidado de manter alguma proximidade com os problemas dos alunos. Perante a nossa revolta, o director saiu da sala durante um dos horários de aula e falou connosco. Perguntou-nos o que queríamos e pedimos tempo para estudar. «Ok, na semana antes dos exames estão dispensados das aulas». Acabou ali a greve. Foi extensível a todos, mesmo aos que nos chamaram de rebeldes e foram às aulas feitos coninhas. 

 

E a minha pergunta é? O que é preciso para acabar com as greves dos transportes públicos. Que frase é que podia acabar hoje com este suplício? E não pensem que não li os manifestos e justificações do trabalhadores. Li, pois. E confesso que dali retirei apenas uma salganhada de quem está insatisfeito mas não tem um rumo definido. Não acredito que haja uma frase, uma cedência - ou várias -, que pusessem um ponto final nesta guerra civil. Mas isto sou eu, que até acreditava que a greve era uma arma de luta dos cidadãos. Até a ver destruída pela banalização.

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