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caixa dos segredos

19
Mar13

"O Prisioneiro do Céu", de Carlos Ruiz Záfon


vanita


Este é um livro de transição, lamentavelmente traduzido na versão portuguesa, que não dispensa erros de gramática e concordâncias, mas que permite fazer as pazes com Carlos Ruiz Zafón. Não, não tem a qualidade nem a magia de "A Sombra do Vento", mas também não desilude como "O Jogo do Anjo". Quase como uma pausa para respirar, "O Prisioneiro do Céu" volta a dispor cartas em cima da mesa, oferece respostas e levanta novas dúvidas numa história que ainda não acabou. Por não ser a repetição cansativa de tantos romances de Záfon, é possível que um dia se leia o quarto e último volume da série. Aquele que ainda não foi editado.


Crítica publicada no Goodreads
14
Mar13

Da sacanice


vanita

Acho que isto pode ser uma das razões por que me identifico tanto com o que esta miúda escreve. É mesmo verdade, "não se esquecem as alcunhas dadas no sexto ano, misturadas com gargalhadas e apontar de dedos. E ver que todos esses otários se transformaram em adultos medíocres e feios não é vingança suficiente".
12
Mar13

O taxista licenciado em gestão


vanita

Vestido com um casaco que ainda cheirava a novo, o rapaz que hoje me levou para o trabalho - acordei tarde! - não sabe onde é a Conde Redondo. Sim, estamos a falar na rua do Elefante Branco, essa que, anedota sim, anedota não, é referida jocosamente em conversas menos próprias. Essa, que fica no centro de Lisboa. O rapaz não sabia porque está a trabalhar como taxista mas é licenciado em Gestão e isto não é a vida dele. Trabalhou durante seis anos no IEFP, que, para quem não sabe, é o organismo público público que gere subsídios de desemprego e afins. Até que o objecto de trabalho lhe rebentou nas mãos. De braços dados com o desemprego, o rapaz que me trouxe ao trabalho está desanimado e agastado com as chapadas que a vida lhe tem dado. Derrotado porque não tem amigos nem conhecimentos suficientes para evitar usar o casaco, quase novo, num táxi onde recebe apenas 35% do que aufere. Trabalha apenas nos turnos diários, pela-se de medo dos clientes que lhe entram no táxi e não sabe onde é uma das ruas mais centrais da cidade, nem faz ideia de como lá chegar. Isto não é a vida dele e nem sequer faz um esforço para ver o lado positivo desta experiência. Mas lá admite que já se cruzou com um cliente que tem negócios em Moçambique e que lhe pediu o curriculum. E até respondeu de volta, realça, enquanto me devolve o troco e remata certo de que um dia ainda o vou entrevistar: "É que eu sou filiado num partido político", diz, do alto do casaco novo. "Sou do CDS", são as últimas palavras que oiço ao rapaz que me trouxe ao trabalho e que não sabe onde fica a Conde Redondo.
10
Mar13

Os blogs como o DN Jovem


vanita

Descobri o que se passa. É esta coisa da obrigação. A convicção pública e de grupo que, para se ser alguém e se fazer ouvir, em 2013 como em 1992, temos que nos expressar em montras socialmente aceites. Agora nos blogs, então no DN Jovem. Lembro-me como se fosse hoje da pressão a que fui sujeita, assim que me atrevi a dizer que o meu sonho era ser jornalista, que nunca o seria se não conseguisse publicar um texto no DN Jovem. Nada me podia enfastiar mais. Nunca o quis fazer, nunca achei piada e nunca o fiz. Nem por isso deixei de ser jornalista. Curioso, não? Da mesma forma, agora, sinto necessidade - desta vez ninguém me tenta convencer, mas estou atenta aos sinais da sociedade - de fazer deste blog o que ele já foi em tempos mas já não é. Se não tenho nada para dizer, se é forçado, se não considero que faça diferença, por que raio sinto que falho por não seguir a onda do momento? Esta coisa de rentabilizar um espaço que é meu e criar credibilidade para um futuro incerto não é comigo. Não o era quando tinha 12 anos, continua a não ser agora que tenho 34 anos. Quem sabe, agora como então, não continuo a ter razão?
08
Mar13

Hoje é dia da mulher


vanita

E por muito que não concorde com a "festividade" com que alguns, sem dar por isso, abafam a data, não há nada que me irrite mais do que as meninas, mulheres, que enchem o peito para dizer ao mundo que odeiam este dia. Não há pior cego do que aquele que não quer ver.

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