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03.08.12

Um mês

por vanita
A janela do quarto, tão asséptico como se de um hotel de cinco estrelas se tratasse, tinha vista para o cemitério. Ao longe, o olhar atento captava as lápides e campas, que quase passavam despercebidas na confusão da cidade. No andar de baixo, uma figura pública de renome repousava, enlouquecendo staff médico, auxiliares e enfermeiras. Cá dentro, o medo residia preso num pequeno canto de onde não teve ordem para sair. Como se flutuasse numa realidade distante, aproveitei as mordomias de luxo e deixei as horas voar sem me amedrontar com o crepúsculo que anunciou o ansiado dia. Mas foram as drogas, benditas drogas, que me fizeram levitar até o pior passar. Só elas explicam a presença de espírito para as mensagens que enviei a poucos minutos de entrar para o bloco operatório. Isso e a alegria, atrevo-me a dizer que era alegria o que sentia naquele momento. Talvez fosse alívio, mas estava mascarado de felicidade. Uma felicidade que não conheceu limites no minuto em que tive consciência de regressar ao quarto. Ouvir as palavras do médico, aquelas palavras em específico, era tudo o que podia pedir. O mundo estava em equilíbrio. Os meus pais ali ao lado, os amigos bem presentes e o apoio do namorado fizeram o resto. Nada me faltou naquele momento, quando estava deitada naquela cama, em recuperação.
publicado às 00:24

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