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caixa dos segredos

04
Set10

Agora a sério


vanita

O Carlos Cruz está velho. O cabelo está branco, a expressão é ansiosa e dá a sensação que vai sofrer um colapso a qualquer momento. Aflige. Há quem celebre a decisão da Justiça num caso "exemplar", que não permite que o povo reclame por mais um processo que "não dá em nada". Há quem questione a razão da pena, pedindo explicações sobre os crimes de que o apresentador é acusado e queira saber quais as provas que o condenam. Afinal, há toda uma geração de crianças, agora adultas, que cresceu com os programas do "Senhor Televisão". Crianças. As tais que dizem ter sido violadas e abusadas. Quanto mais não seja, o caso pesa pelo valor emocional intrínseco. Não sei onde mora a verdade. Como já se disse por aí, acredito que a verdade fica perdida entre as verdades de cada um. Sei que Carlos Cruz clama inocência. Mas, ao contrário do que seria de esperar, nunca o ouvi dizer, sem margem para dúvidas, que não abusou de crianças. O foco de Carlos Cruz não é o crime horrendo que motiva todo o processo. O ex-apresentador clama inocência em relação a cada uma das provas apresentadas. Nunca esteve na casa de Elvas, nunca falou com determinadas pessoas. Mais uma vez, não sei onde mora a verdade. Custa-me condenar uma pessoa que se diz inocente, mas suponho que alguma razão deve existir para esta decisão. Não acredito piamente na Justiça, menos ainda num caso sob os focos dos media, que exige a "lavagem institucional" do Ministério Público. Claramente, a pena de Bibi é exagerada. O homem colaborou com a Justiça. Longe de mim equilibrar crimes na balança, mas esta é das sentenças mais elevadas num País onde a pena máxima é de 25 anos. Ora, se neste caso me parece que os juízes se excederam, o que pensar dos sete anos de Carlos Cruz? Parece-me é que é tempo de parar, para pensar e ouvir, sem atirar bruxas para a fogueira. Não esquecendo que o povo se move por emoções e que, se Carlos Cruz sofrer o tal colapso eminente, passará de acusado a vítima de injustiça numa fracção de segundos.
04
Set10

Hoje qualquer blog que se preze [ou não] fala na Casa Pia mas eu não me apetece e vou antes falar de mim


vanita

Quando o processo da Casa Pia rebentou, em Novembro de 2002, eu estava a dar os primeiros passos numa redacção muito importante para mim. Passaram oito anos desde então, oito. Eu mudei, a filha do Carlos Cruz cresceu, morreram pessoas que me fazem falta todos os dias, algumas amigas minhas casaram-se, outras separaram-se, houve quem tivesse tido filhos, Portugal recebeu o Euro 2004, quase que ganhou, entrámos em recessão, tivémos uma prestação péssima no Mundial de 2010, obrigaram-nos a escrever português de outra forma e só agora, senhores!, é que foi lida a sentença final do processo. Meses depois de eu ter saído dessa tal redacção que é muito importante para mim. Se existe alguma ligação? Claro que não, mas bolas, a vida é feita daquilo que marca a nossa história.

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