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15.01.09

Despedimento colectivo

por vanita
É muito difícil gerir as emoções quando a nossa empresa passa por um processo de despedimento colectivo. É mais difícil ainda conter as lágrimas quando, à saída, nos apercebemos que há colegas com quem já não vamos voltar a trabalhar diariamente. Que este foi, inadvertidamente, o último dia em que trabalhámos juntos. Colegas não, amigos. Pessoas cheias de valor que têm o mérito trazer algo de novo e muito valoroso ao nosso dia-a-dia. Miúdos. Gente que não conseguiu entrar para os quadros numa altura em que as empresas apostam na "contratação" a recibos verdes ad aeternum. É muito difícil explicar o sentimento de que este palavrão que dá pelo nome "crise" nos soa a desculpa inventada para justificar atropelos ilegais das empresas. Mas é a isso mesmo que nos soa tudo isto. Uma desculpa muito esfarrapada. Porque ainda há dois dias os centros comerciais acusavam uma crise que leva multidões aos saldos, uma crise de sacos de compras na mão, uma crise que só existe como bicho papão nas palavras dos governantes. Por enquanto. Porque a este ritmo, não é preciso ser muito inteligente para perceber que vamos realmente entrar em recessão. Quando metade da população estiver em casa, desempregada. É muito difícil tudo isto. É muito difícil este dia.

Adenda: Eu não fui despedida. Não calhou.
publicado às 21:30

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