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03.10.08

Porto-me tão bem...

por vanita
Andam por aí umas alminhas a preparar qualquer coisa para o meu aniversário. Acontece que uma dessas almas, contactada por mail para entrar na conspiração, achou por bem perguntar-me o que se passa e fez-me um reply do mail em questão! Mas à beira dos 30 deixei-me das artes de Sherlock Holmes que sempre me fizeram descobrir os presentes antes da noite de Natal. Não li o mail conspirativo. Portei-me bem e encaminhei a alminha para outras fontes. Ia apagar o mail mas isso já era pedir demais...
publicado às 14:07

03.10.08

"A estupidez não escolhe entre cegos e não-cegos"

por vanita
Eu sabia que não teria que me preocupar muito. José Saramago saberia responder da melhor forma aos protestos dos inteligentes norte-americanos que se manifestam contra o filme baseado no brilhante "Ensaio sobre a Cegueira". É que a Federação Americana de Invisuais revê-se nos cegos retratados no romance do português e considera-se injustiçada. Os cegos, argumentam, não são pessoas cruéis como as ali retratadas. Uma forma linear - para não dizer mesmo burra - de "ver" a coisa. E quanto a isto pouco há a dizer. Quem leu o livro sabe isso.
publicado às 13:28

03.10.08

Ora o "Rio das Flores"...

por vanita
Ainda não falei sobre o último romance de Miguel Sousa Tavares mas o livro não me foi indiferente. Aviso já que este texto contêm spoilers pelo que, se quiserem continuar a ler, já sabem ao que vão. Admitamos que as expectativas estivessem elevadas. O "Equador" é um dos livros marcantes da minha biblioteca pessoal. Não se esperava menos deste mas as expectativas saíram goradas. Na minha opinião, claro, que de outra coisa não se fala aqui. Ora bem, o romance em si é o pior de "Rio das Flores". E porquê? Porque não tem estrutura, não tem história, nem objectivo. Caminha ao sabor da vontade do escritor de se dedicar mais a uma personagem - com a qual claramente se identifica - do que às restantes. E mesmo essa dedicação inside mais nas suas deambulações de personalidade. Não vou dizer que o livro está mal escrito, claro que não. Está bem escrito, sempre bem escrito. Tem quebras na narrativa, tem sim senhor. Mistura factos históricos com ficção, uma mais valia recentemente descoberta e que me parece uma boa aposta de inúmeros escritores. Mas a ideia com que fiquei é que o livro foi estruturado em cima do joelho. Pegou-se num período histórico e vários temas chave que se pretendia abordar e criou-se ali à volta uma trama, mas uma trama sem consistência. Confesso que nos capítulos iniciais acreditei que Miguel Sousa Tavares estava a tentar recriar o ambiente familiar em torno de uma casa que Gabriel Garcia Marquez tão bem retratou em "Cem Anos de Solidão". Mas a ideia perde-se com o passar das páginas. Há momentos em que o [puro] relato histórico não encaixa no romance. Há personagens e desejos das mesmas que se perdem e nunca mais se recuperam. Enfim, há toda uma série de ingredientes essenciais num romance perfeito que aqui faltam. Ainda assim, por contraditório que possa parecer, gostei. Gostei porque me indignei com o fim das várias estórias, porque me deixei envolver e é essa a magia de um livro. Mas não foi perfeito. E era o que se esperava. Que eu esperava.
publicado às 01:56

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